Profº MsC. MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE. Geógrafo - UEPB; Mestre em Geografia - UFRN e Especialista em Ciências Ambientais - FIP. - Cidade: João Pessoa, Paraiba - Brasil E-mail: marcio-balbino@hotmail.com SEJA BEM VINDO !!!
Quarta-feira, 17 de Março de 2010
A geografia da sociedade globalizada e a questão ambiental

 

Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante
Geógrafo, Especialista em Ciências Ambientais;
Mestrando em Geografia pela
Universidade
Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.
cavalcantegeo@bol.com.br
 
 
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Por que o Papa João Paulo II viajava tanto?
Por que o 11 de setembro de 2001 é inesquecível para a geopolítica mundial?
Por que a Nike fabrica seu tênis em toda parte do mundo?
 
 
            Porque estamos vivendo o fenômeno da globalização, processo que teve início no século XV, com as grandes navegações, e que se intensificou nessas últimas três décadas do século XX, propiciando a “mundialização” do espaço geográfico, fenômeno que ultrapassa os limites do nacional para atingir a universalização de idéias, valores, padrões e procedimentos, alcançando a esfera econômica, como também o quadro social, político, científico, informacional, cultural e ecológico.
            Parafraseando o geógrafo Milton Santos (1994), atualmente vivemos o chamado “período técnico-científico-informacional”, neste sentido, o mundo está conseguindo alcançar um grande avanço científico e tecnológico, o espaço geográfico é hoje caracterizado pelo domínio da tecnologia, da robótica e da biotecnologia.
            Testemunhos vivos deste período incorporados ao cotidiano humano, são, a saber: informática, computador, internet (sistemas http// e www), softwares, caixa 24 horas, telefone celular, chips, fibra ótica, código de barras, GPS, robôs, cartões magnéticos, DVD, MP3, satélites, viagens interplanetárias, animais clonados, transgênicos, cibercultura, etc.
            Diante destas parafernálias, o mundo está cada vez mais conectado, gerando a idéia de que o mundo está cada vez menor. As telecomunicações e a informática possibilitam imagens vistas em todas as partes do planeta, diminuindo o tempo e a distância da comunicação, um exemplo recente e concreto foi o atentado ao World Trade Center, episódio ocorrido nos EUA, em 11 de setembro de 2001, um exemplo terrível do qual fomos todos afetados. O mundo inteiro assistiu pela TV via satélite, simultaneamente ao acontecimento, as cenas de destruição das “torres gêmeas” que chocaram o mundo atribuído aos seguidores “terroristas” do Taliban de Bin laden. Assistimos ao espetáculo oferecido pela globalização em todos os ângulos visuais e compartilhamos a preocupação com o futuro da geopolítica mundial, quais serão as reações dos EUA perante o mundo? Onde será o próximo alvo?
           
O mundo em redes e fluxos: a geografia da sociedade global
 
            Hoje estamos vivendo o paradigma da sociedade nacional dando passagem à sociedade global. O conceito de sociedade nacional nasceu com a Revolução Francesa e com a hegemonia da burguesia. A sociedade global é uma sociedade nova, com novas relações, processos e estruturas engendrando em uma geografia sistemática de redes, fluxos, objetos e ações. E um conceito novo está surgindo, o da desterritorialização das coisas, das idéias, dos indivíduos.
            Mas, a globalização é um processo primordialmente econômico e tem em seu bojo o capitalismo – modo de produção baseado no capital, na mais-valia. São formas subalternas do capitalismo e momentos de globalização: o mercantilismo, o colonialismo, o imperialismo e a própria globalização como a entendemos hoje.
            Assim como a lógica capitalista, o processo de globalização é muito ambíguo e traz em sua essência inúmeras contradições. De acordo com Castells (1999, p. 120),
 
 
a economia global não abarca todos os processos econômicos do planeta, não abrange todos os territórios e não inclui todas as atividades das pessoas, embora afete direta ou indiretamente a vida de toda a humanidade.
 
 
            Diante desta realidade, não devemos ver a globalização como um produto sem erros de fabricação. Aí estão visíveis as lacunas que separam os ricos dos pobres e as nações desenvolvidas das subdesenvolvidas que estão aí a solicitar empréstimos e ajuda humanitária. Um outro defeito do espaço global é o desemprego estrutural que é crescente mesmo com o desempenho favorável de algumas economias. Postos de trabalho são eliminados pelas máquinas e muitos indivíduos são jogados ao terror da falta de emprego e de políticas que poderiam criar alternativas de trabalho para os cidadãos.
            Dentro do processo de globalização o desemprego não é privilégio apenas das nações pobres, pois se alastra em todos os países do globo e desafia a todos os defensores do mundo globalizado que não tem a fórmula correta para combater tal anomalia (Souza, 2006).
           
Apocalipse já: a questão ambiental na era globalizada
 
            Outro ponto que merece ser discutido no âmbito da sociedade global é a questão ambiental, assunto tão discutido teoricamente e pouco colocado em prática. A exploração abusiva dos recursos naturais coloca a humanidade diante de um apocalipse real, a catástrofe causada pelo aquecimento global, que se esperava para daqui a trinta ou quarenta anos já começou: aumento na temperatura, degelo nas zonas glaciares, aumento do nível do mar, desertificação, seca na Amazônia, furacões, ciclones atípicos no Brasil, são algumas mudanças provocadas pelo desmatamento, pela emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, queimadas, poluição e contaminação bombardeiam o frágil equilíbrio das quatro esferas geográficas: atmosfera, litosfera, hidrosfera e biosfera acelerando a destruição da nave Terra.
            Se as conferências e encontros mundiais sobre o meio ambiente, como a Rio 92, a Rio +5 (1997), a Rio +10 (2002) e, recentemente a Conferência das Partes – COP 8, deixaram claro que a natureza é finita, limitada e que funciona dentro de um sistema interdependente e que precisa de cuidados para manter seu equilíbrio natural. Fica aqui a pergunta: o quê de fato os governos, empresas e a sociedade civil estão fazendo para reverter a velocidade de suas práticas econômicas antiecológicas?
            A princípio, temos uma resposta para a indagação acima: as informações e a preocupação com a saúde da natureza são colocadas em “xeque ou em cheque”, no Brasil, já existe uma nova indústria parecida com a da seca: é a “indústria do meio ambiente”, recursos destinados à proteção das florestas, dos rios e dos animais são desviados pelo Poder Público, pelas ONG’s e pelos organismos privados (Mariano Neto, 2003).
            O cenário ambiental atual é adverso, mas não justifica a inércia. Sabemos que para combater o aquecimento global, principal agente do desequilíbrio ambiental da Terra, é preciso utilizar cada vez mais fontes alternativas de energia e diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.
            Sabemos que os seres humanos se adaptaram aos novos ambientes terrestres – essa é a chave do sucesso evolutivo da espécie humana. Mas um mundo mais quente pode ser cheio de surpresas, a maioria delas desagradável e catastrófico.
 
Quem ganha e quem perde na sociedade global
 
            No produto da economia global, a concretização do neoliberalismo, expressão econômica do mercado global, caracterizada pelas grandes incorporações internacionais interessadas na eliminação das fronteiras nacionais ou, mais precisamente, na remoção de qualquer entrave à livre circulação de seus capitais, tudo em nome de uma política de encolhimento e enfraquecimento do Estado.
            A mundialização da produção, da circulação e circuitos financeiros imediatos são manobrados pelo capital especulativo, que circula a uma velocidade luminar, com parada de metrô em cada uma das bolsas de valores mundiais. Incontroláveis, transitórios e deixando marcas irreversíveis no mundo do capital produtivo (Mariano Neto, 2003, p.53).
            Nas palavras de Milton Santos (1996, p.32) “todos os lugares são mundiais, mas não há um espaço mundial. Quem se globaliza, mesmo, são as pessoas e os lugares”.
            Diante deste fenômeno complexo e contraditório, os valores difundidos pela globalização no mundo atual que levam a desigualdade, a dependência e a exclusão de parte da população e dos países menos favorecidos, devem ser analisados dentro de uma ótica crítica diante de tais fatos concretos.
 
 
Referências bibliográficas
 
 
BRIGAGÃO, Clóvis; RODRIGUES, Gilberto. Globalização a olho nu. O mundo conectado. São Paulo: Moderna, 1999.
 
CARMO, Paulo Sérgio do. O trabalho na economia global. São Paulo: Moderna, 1998.
 
CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultura. 2 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (Vol. 1: A sociedade em rede).
 
LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.
 
MARANO NETO, Belarmino. Geografia: textos, contextos e pretextos para o planejamento ambiental. 1 ed. Guarabira: Gráfica São Paulo, 2003.
 
Revista Veja. Aquecimento Global. Os sinais do apocalipse. ed. 1961, ano 39, nº 24, 21 de junho de 2006.
 
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1996.
 
SOUZA, Francisco Djacyr Silva de. Dilemas e incertezas da Globalização. In: Revista Mundo jovem. Disponível em: <http://www.jornalmundojovem.com.br>. Acesso em 10 ago. 2006.
 
 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 20:20
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