Profº MsC. MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE. Geógrafo - UEPB; Mestre em Geografia - UFRN e Especialista em Ciências Ambientais - FIP. - Cidade: João Pessoa, Paraiba - Brasil E-mail: marcio-balbino@hotmail.com SEJA BEM VINDO !!!
Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Temos realmente algo para comemorar no Dia da Terra?

Por Eloy F. Casagrande Jr, PhD

 

O Dia da Terra começou em 22 de abril de 1970 quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. O senador neste ano viajava por diversos estados americanos denunciando a degradação ambiental pelo qual estava passando os Estados Unidos e tentando convencer o governo do presidente John Kennedy a colocar a preocupação com o meio ambiente na sua agenda. Com a Guerra do Vietnã em alta, pouca coisa avançou oficialmente, mas os esforços se pagaram e mais de 20 milhões de pessoas organizarão demonstrações e protestos em vários estados americanos. Somente a partir de 1990, que o Dia da Terra começou a ser festejado em todos os países.

Mas afinal o que temos para comemorar no Século 21, nos 39 anos do Dia da Terra?

A começar pela crise ambiental que se aprofundou ao ponto do Planeta estar na eminência de um colapso do clima devido ao aquecimento global! De termos destruído quase todas nossas florestas nativas, poluído rios e mares, envenenado solos férteis com tanto agrotóxico e de quebra colocarmos dezenas de espécies na lista de extinção! Certamente temos uma minoria consciente que vem fazendo alguma coisa nestes quase 40 anos…mas será o suficiente para deixarmos um Planeta habitável para as futuras gerações?

No livro “Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso”, o geógrafo Jared Diamond nos conta com dados históricos e científicos como ocorreu o “eco-suicídio” de grandes civilizações, isto é, as que exploraram em excesso os recursos naturais, movidos pela necessidade ou pela imprevidência, caminharam para o fracasso e sua total extinção. Ao contrário daquelas que entenderam a tempo que a continuidade da vida estava intimamente associada às suas capacidades de se adaptarem às mudanças. Sociedades que souberam cuidar dos seus recursos naturais foram mais bem sucedidas ao se antecipar às alterações climáticas e ambientais de modo a conseguir sobreviver à elas.

Mesmo no meio da atual crise financeira, os Estados Unidos ainda são o Xerife da Terra. Será que o Obama terá a capacidade de liderar uma revolução sustentável para que todos os países comecem a reverter nosso eco-suicídio? Não bastará apenas os Estados Unidos aderir ao novo protocolo que substituíra Quioto em 2012 para maior controle das emissões dos gases do Efeito Estufa (GEE). Se realmente queremos salvar o Planeta, deverão haver acordos e comprometimentos reais para que haja reduções de GEE que podem chegar a 80%, conforme sugere os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês). Obama guerreiro irá liderar a batalha contra o lobby da indústria do petróleo para que estas metas sejam alcançadas? Poderemos ter uma economia mundial que não esteja baseada apenas em bancos e montadoras de automóveis?

E o que dizer do país que canta no seu hino “teus risonhos, lindos campos têm mais flores” e "nossos bosques têm mais vida", onde um bando de deputados federais do agronegócio querem derrubar o código florestal, a única lei que ainda garante que não seja destruído o pouco que restou das nossas florestas e matas ciliares! Em Santa Catarina o código já foi derrubado! Terá força o Minc ou caíra como Marina?
E agora José? ou melhor Luís Inácio? O Obama disse que você é cara! Então mostra tua cara e diga ao que veio...um Brasil para seus netos? Ou um Brasil sem florestas, desfigurado?
 

Eloy F. Casagrande Jr, PhD – eloy.casagrande@gmail.com
 



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 19:20
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