Profº MsC. MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE. Geógrafo - UEPB; Mestre em Geografia - UFRN e Especialista em Ciências Ambientais - FIP. - Cidade: João Pessoa, Paraiba - Brasil E-mail: marcio-balbino@hotmail.com SEJA BEM VINDO !!!
Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Turismo no ambiente rural: uma idéia de desenvolvimento no campo?¹

Por Profº Márcio Balbino Cavalcante*

 

INTRODUÇÃO

Ver imagem em tamanho grandeNos dias atuais o fenômeno do turismo em escala global pode ser compreendido a partir dos aspectos socioeconômicos, políticos e culturais. Haja vista a sua complexidade de aglutinar estruturas distintas, porém, concomitantes, dentro de um mundo globalizado. As expressões variadas, como: Instituição social, prática social, fenômeno global, sistema de valores, estilo de vida, ‘indústria’, comércio e uma rede de serviços entre outros pontos convergentes dessa atividade, utilizando aqui as colocações de uma das principais estudiosas do turismo no Brasil, Adyr Balastreri Rodrigues (1999) reforçam este raciocínio.
O turismo é praticado em um espaço geográfico concreto e dinâmico. Daí sua forte relação com o meio ambiente, entendido aqui como conjunto de elementos naturais e culturais. É uma atividade que ocupa atualmente, em tempos de mundialização, um papel cada vez mais significativo na dinâmica economia mundial.
O fenômeno turístico tem produzido alterações no espaço geográfico e a ação humana vem impactando em todos os aspectos do meio ambiente, onde as questões ambientais decorrentes deste fluxo são sentidas em escala local, regional e até global.
Assim, neste contexto de crescimento da preocupação ambiental, faze surgir modalidades alternativas mais brandas e sustentadas de práticas turísticas, contrapondo com o turismo tradicional, caracterizado como atividade de massa , onde o modelo praia-sol já está estagnado , através da grande degradação ambiental e social.
É nesse cenário que se insere a modalidade turística alternativa denominada Turismo Rural, com grande possibilidade de harmonia entre a conservação/preservação da natureza e de valores culturais.
Com planejamento, gestão e organização efetivas podem-se dinamizar o desenvolvimento local e regional, diversificar a economia, criar emprego e renda para a comunidade rural do lugar, promovendo neste sentido, o desenvolvimento sustentável no campo.

PERSPECTIVAS DO TURISMO RURAL NO BRASIL

Ver imagem em tamanho grandeNo Brasil, a expressão mais utilizada é Turismo Rural definida assim pela Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo (1994) como “um turismo diferente, turismo interiorano, turismo exótico, turismo integrado, turismo alternativo, turismo domestico, turismo verde e agroturismo”.
Diante desta definição, entendemos que todas as atividades turísticas realizadas em espaço rural são consideradas pela Embratur como Turismo Rural, nesta modalidade em sua forma genérica, deve esta estar constituída em estruturas eminentemente rurais, de pequena ou média escala, ao ar livre, proporcionando ao visitante o contato com a natureza, com a herança cultural e com práticas “tradicionais” campestres, esquecidos em meio a paisagem e a turbulência dos grandes centros urbanos, como: passear a cavalo, tirar leite da vaca ao amanhecer, tomar banho no rio, conhecer a culinária e o artesanato local entre outros.
No espaço territorial brasileiro são enormes as possibilidades para o exercício da atividade turística no campo: Clima favorável, vegetação natural variada e exótica, diversificação geológica-geomorfólogica e diferentes culturas regionais com múltiplos cenários e estilo de vida regional do homem do campo, garantindo uma situação privilegiada para o nosso país.
De acordo com os dados da Embratur, em 1998, o setor turístico brasileiro movimentou 32 bilhões de dólares, como resultado das viagens de 38 milhões de turistas domésticos e 5 milhões de turistas estrangeiros. Para o ano de 2003, de acordo com este órgão, espera aumentar para 6,5 milhões o fluxo de turistas estrangeiros e 57 milhões o fluxo de turistas nacionais. O reflexo na economia do País será da ordem de US$ 5,5 bilhões, sem falar da geração de 500 mil novos empregos.
Para atingir tais números, existe no Brasil um incremento das atividades alternativas do turismo, entre elas, o Turismo Rural.
O Turismo Rural no Brasil é como um mosaico, cuja expressão cênica, está diretamente ligada aos recursos disponíveis e a sensibilidade de seu mentor (Zimmermann, 2002).
A atividade turística rural no Brasil é recente. A experiência pioneira é datada de 1983, no município de Lages – SC, onde foram aproveitadas infra-estruturas já existentes e tinha na criação de gado leiteiro e de corte, os atrativos turísticos do local.
Com resultados positivos e amplo desenvolvimento, a atividade se estende por outros estados brasileiros. No Centro-Oeste, principalmente no estado de Goiás e no Distrito Federal já é considerável o número de propriedades rurais que abrem suas “porteiras” para esta nova atividade e promissora turística no campo.
O Turismo Rural propicia a valorização do ambiente onde é “explorado” por sua capacidade de valorizar a cultura e a diversidade natural de uma região e/ou localidade, proporcionando a conservação e manutenção do patrimônio histórico, cultural e natural.
Neste sentido, propriedades que estão estagnadas e marginalizadas com as práticas tradicionais, podem através da implantação de atividades turísticas, neste caso o turismo rural, poderão vir a ser promissora fonte de renda para seus proprietários e para comunidade local. Ambos terão uma forma de agregar valor a produtos e serviços, regatando e promovendo o patrimônio cultural (festas religiosas, mutirões, artesanatos e outras comemorações) e natural (rios, riachos, serras, vegetação entre outros).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com as informações e os dados obtidos referente ao tema Turismo Rural, concluímos que o Brasil possui grandes potencialidades culturais, históricas e naturais que podem aguçar esta nova modalidade turística em ascensão em todo o espaço territorial brasileiro.
Para isso, é preciso medidas efetivas como forma de subsidiar as atividades de Turismo Rural e preservação/manutenção do meio ambiente e da cultura local. Assim, é preciso um conjunto de medidas como a atuação do Estado, o monitoramento dos impactos ambientais positivos e negativos decorrentes deste fluxo, através da aplicação de instrumentos técnicos como o estudo de impactos ambientais – EIA e o Relatório de Impactos Ambientais - RIMA; ouvir a comunidade local sobre essa prática turística, buscando sua inclusão; bem como diagnosticar causas e conseqüências que inviabilizam a modalidade de turismo no espaço rural brasileiro, levando em consideração as particularidades potencialidades regionais; detectar os prováveis impactos socioambientais nas propriedades, preocupação com as políticas públicas e evidenciar o uso e a ocupação dessas terras em seus perfis físicos, humanos e culturais.

BIBLIOGRAFIA

CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. Introdução à geografia do turismo. 2. ed. São Paulo: Roca, 2001.
EMBRATUR. Manual Operacional do Turismo Rural no Brasil. Brasília, 1994.
RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e Geografia: Reflexões Teóricas e Enfoques Regionais. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1999.
RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e Ambiente: Reflexões e Propostas. São Paulo: Hucitec, 1999.
RUSCHMANN, Doris. O Turismo Rural e o Desenvolvimento Sustentável. In: ALMEIDA, J. A et. al. (Orgs) Turismo rural e desenvolvimento sustentável. Campinas: Papirus, 2000.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1999.
SEABRA, Giovanni de Farias. Turismo sertanejo. In: I Simpósio Nordestino de Turismo Sertanejo, João Pessoa, 2001.
YÁZIGI, Eduardo et al. (orgs.) Turismo – Espaço, Paisagem e Cultura. São Paulo: Hucitec, 1999.

____________________

¹Artigo originalmente publicado no Artigos.com, em 21 de outubro de 2006. http://www.artigos.com/artigos/sociais/turismo/turismo-no-ambiente-rural:-uma-ideia-de-desenvolvimento-no-campo?-876/artigo/

*Graduado em Geografia - UEPB; Pós-graduado  em Ciências Ambientais - FIP/PB; Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação do município de Passa e Fica - RN. Professor de Geografia e Ciências na Escola Estadual Sen. João Câmara, Passa e Fica - RN. E-mail: cavalcantegeo@bol.com.br



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 12:34
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