Profº MsC. MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE. Geógrafo - UEPB; Mestre em Geografia - UFRN e Especialista em Ciências Ambientais - FIP. - Cidade: João Pessoa, Paraiba - Brasil E-mail: marcio-balbino@hotmail.com SEJA BEM VINDO !!!
Sábado, 23 de Junho de 2012
AQUECIMENTO GLOBAL: "TIROTEIO ENTRE BRUXOS"???

Prof.º Dr.º Breno Grisi

 

De um lado os (hoje odiados, por muitos!) ambientalistas afirmando categoricamente que o aquecimento global é obra exclusiva do homem e fim de papo! Do outro lado os céticos opositores, afirmando também categoricamente que é tudo mentira e que tal aquecimento é obra dos destinos climáticos cíclicos da Terra! Um de tais opositores, aqui no Brasil, nega tanto esse fenômeno que chega a afirmar que nosso planeta enfrenta atualmente um "resfriamento"!

Enquanto isso os registros ou indicadores do aquecimento global descobertos pela ciência, mais uma vez (como vem acontecendo com as mutilações ao nosso Código Florestal) fica no meio desse tiroteio do "eu acho isso... eu acho aquilo".
Vou destacar alguns pontos de uma palestra que dei sobre este assunto, disponível para quem desejar conhecer pormenores em: GRISI (2009).

O “IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change” (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) define mudança climática como “uma mudança no estado do clima que pode ser identificada (por ex., usando testes estatísticos) pelas mudanças na média e/ou variabilidade de suas propriedades, e que persista por um extenso período, normalmente por décadas ou mais” (IPCC, 2007). Entretanto, o órgão das Nações Unidas que lida com essa questão (em inglês, “UNFCCC – United Nations Framework Convention on Climate Change”) atribui a mudança climática direta ou indiretamente, à atividade humana que altera a composição da atmosfera global e que é adicionada à variabilidade climática observada durante períodos de tempo comparáveis.

Os primeiros sinais (globais) de um aquecimento. Investigações realizadas por pesquisadores russos na estação Vostok, na Antártica, em que perfuraram o gelo (até 2755 m de profundidade) no lago Vostok e fizeram um registro cronoestratigráfico do gelo nos últimos 160 mil anos, observaram que a Antártida oriental foi mais fria e seca durante a última glaciação do que nos últimos 11 mil anos, que correspondem ao atual período interglacial (PRESS et al., 2008). Temos então a sorte de estar vivendo num período interglacial, em condições climáticas relativamente estáveis. Daí o florescimento de uma agricultura e pecuária capazes de hoje poder manter uma população humana de 7 bilhões de pessoas, em que pese a má distribuição dos produtos obtidos dessa “grande revolução” humana.

Dentre as principais conclusões do relatório de 2007 do IPCC destacam-se (MILLER & SPOOLMAN, 2009):
• Entre 1906 e 2005 a temperatura média global da superfície da Terra elevou-se em 0,74oC, concentrando-se essa elevação a partir dos anos de 1980.
• As emissões de gases do efeito estufa de origem antrópica aumentaram 70% entre 1970 e 2005, com médias de concentração de CO2 mais elevadas do que as que têm ocorrido em 650.000 anos da história da Terra.
• Nos últimos 50 anos as temperaturas do polo Ártico têm se elevado quase duas vezes mais rápido do que as do resto do mundo.
• Em algumas partes do mundo as geleiras e o gelo flutuante nos oceanos estão derretendo e retraindo-se em taxas crescentes, os padrões pluviométricos estão mudando e as secas extremas e prolongadas estão aumentando.
• Durante o século passado a média do nível do mar elevou-se de 10 cm a 20 cm, devido principalmente ao escorrimento da água proveniente do degelo de altitude, em terra (montanhas) e à expansão da água oceânica pelo aumento da sua temperatura.

O gráfico abaixo mostra o crescente do aquecimento ao longo das últimas décadas.





As fotos a seguir mostram a geleira Muir, no Alasca, em dois períodos: a foto da esquerda foi obtida em 13/08/1941 e a da direita em 31/08/2004 (fotos do “NSIDC ─ National Snow and Ice Data Center” dos EUA; site http://www.nsidc.org/data/glacier_photo/repeat_photography.html; acesso em 11/04/2009). Observe que as fotos mostram substancial mudança (em curto espaço de tempo) na posição e tamanho da geleira. A paisagem muda, vendo-se na foto da direita um processo de sucessão ecológica.



Muitos outros dados são mostrados no conteúdo de minha palestra, acima mencionada. São indicadores na macroescala e na microescala do aquecimento global. Nesta microescala desenvolvi pesquisa (no meu pós-doutorado, na Inglaterra) comparando os efeitos do aumento da temperatura nos microrganismos de solos do Brasil e da Inglaterra (GRISI, 1997). Os resultados mostraram que os solos da região temperada (Inglaterra) aumentariam a emissão de CO2 mais do que os solos tropicais (Brasil) se ocorresse um aumento da temperatura global.

Estou sempre insistindo, quando este assunto é mostrado na televisão e meus alunos me perguntam, por exemplo, se uma certa emissora de TV não estaria com razão ao mostrar que o aquecimento global é invenção dos países desenvolvidos, para limitar o crescimento dos países em desenvolvimento!!! e arremato afirmando:

SE HÁ UM EFEITO CLIMÁTICO CÍCLICO QUE NÃO PODEMOS EVITAR, MAS HÁ TAMBÉM UM EFEITO ANTRÓPICO COMPROVADO CIENTIFICAMENTE, É SOBRE ESTE ÚLTIMO QUE PODEMOS FAZER ALGUMA COISA. VAMOS CONTROLAR AS EMISSÕES DE GÁS CARBÔNICO E, SE POSSÍVEL, A DE METANO. O resto, será por conta da Natureza.

Referências
GRISI, B.M. (1997) Temperature increase and its effect on microbial biomass and activity of tropical and temperate soils. Revista de Microbiologia, 28: 5-10.
GRISI,B.M. (2009) Indicadores ecológicos do aquecimento global. I Congresso Nacional de Educação Ambiental e III Encontro Nordestino de Biogeografia. João Pessoa (PB), 10 a 13 de junho de 2009. G.de F. Seabra e I.T.L. Mendonça (organiz.), CD Rom ISBN 978-85-7745-367-2, Vol. I, pp. 25-42. Editora Universitária da UFPB.
IPCC (2007) Climate changes 2007: synthesis report. IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. IPCC Plenary XXVII (Valencia, Spain, 12-17 November 2007), Working Group contributions to the Fourth Assessment Report.
MILLER, G.T., Jr. & SPOOLMAN, S.E. (2009) Living in the Environment: Concepts, Connections, and Solutions. 16th ed. Belmont, Brooks/Cole, Cengage Learning, 674p.
PRESS, F.;SIEVER, R.; GROTZINGER, J. & JORDAN, T.H. (2008) Para Entender a Terra. 4a ed. (reimpressão). São Paulo, Artmed Edit. E Bookman Cia. Edit., 656p.

 

Fonte: brenogrisi-ecologiaemfoco

http://www.ecologiaemfoco.blogspot.com.br/2012/06/aquecimento-global-entre-bruxos.html



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 21:19
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