Profº MsC. MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE. Geógrafo - UEPB; Mestre em Geografia - UFRN e Especialista em Ciências Ambientais - FIP. - Cidade: João Pessoa, Paraiba - Brasil E-mail: marcio-balbino@hotmail.com SEJA BEM VINDO !!!
Sábado, 19 de Maio de 2012
"A GEOGRAFIA ESTÁ NA MODA"

Com experiência de quinze anos no assunto, Paulo Roberto Fitz avalia os rumos do geoprocessamento no Brasil e a postura dos geógrafos na área

Paulo Roberto Fitz

 

CP Geografia Exista quem veja o geoprocessamento como uma ruptura com a geografia e há quem veja como a abertura de um novo campo. O que você acha dessas duas visões?

Paulo Roberto Fitz A ideia seria que, por volta do século XIX, houve uma ruptura entre geografia e cartografia, tanto que em Portugal ainda existe o curso de engenharia geográfica, voltado para cartografia. Sempre existiu uma dicotomia entre geografia física e humana e, naquela época, houve essa sepa-ração da geografia mais técnica e de análise. Houve uma primeira ruptura e agora, com o geoprocessamento, cria-se a discussão de uma segunda ruptura. Como o geoprocessamento nasce dentro da geografia e como muitos geógrafos brasileiros não estão conseguindo absorvê-lo - porque eles teriam que se reciclar -, essa visão é repassada. Inclusive em congressos da área, em que o geoprocessamento é um apêndice, enquanto as partes de humana estão sempre cheias.

Os geógrafos mais tradicionais não estão interessados em absorver essa tecnologia, e, como a geografia é uma área interdisciplinar, há uma tendência de falar em separação, na construção de uma nova ciência, as Ciências da Geoinformação ou Ciência da Informação Geográfica.

Por outro lado, essa tecnologia permite a agregação dos conceitos humanos da geografia com os conceitos físicos, é possível trabalhar a geografia crítica com o geoprocessamento, estudando a expansão de favelas, por exemplo, com o uso de tecnologia. Há uma possibilidade de agregação, de usar técnica para trabalhar análise crítica. Há uma técnica e há uma análise geográfica. Por que não juntar as duas coisas?

Divulgação
"Essa é a grande dificuldade que a geografia tem, as pessoas acham que a geografia se encerra no ensino médio e mais nada. Ninguém enxerga a geografia como algo que vá além daquilo, o estudante acha que não tem mais o que aprender. É um problema por outro lado vinculado a essas tecnologias. É preciso deixar claro que o uso e o conteúdo não acabam ali, é tarefa do educador mostrar o que pode fazer a partir desse ponto."
Paulo Roberto Fitz

CP Geografia E o que impede que isso aconteça?

Paulo Roberto Fitz O problema são os cursos, e o MEC reduzir a carga horária foi um tiro no pé, uma visão errada, mercadológica, que acabou prejudicando sobremaneira qualquer intenção de realmente se fazer ciência nesse País. O curso não consegue dar uma análise mais profunda, você vai ter que procurar por conta própria. O geoprocessamento em muitas universidades acabou não se fixando como uma técnica vinculada à geografia. Minha vontade é ver uma aproximação, de criação dentro da geografia de uma visão tecnológica da geografia, ensinando a aplicar o conhecimento da universidade para a produção geográfica.

CP Geografia Você acha que o geoprocessamento alterou de alguma forma o conceito de espaço geográfico?

Paulo Roberto Fitz Em certo aspecto, sim, porque a noção foi ampliada. O companheiro do geógrafo sempre foi o mapa, mas hoje em dia passou a ser o computador. Você tem uma flexibilidade muito maior para os trabalhos, você vai ter muito mais informação para pensar o seu espaço geográfico.

Nesse sentido, o conceito em si não mudou, mas mudou a utilização. Há muito mais possibilidades do que antigamente, você antes se fixava muito em análise, agora tem uma infinidade de informação. Sua análise vai ficar muito mais rica e com possibilidades muito maiores por conta de toda a tecnologia desenvolvida ao longo desse tempo, não só no geoprocessamento. A aplicação está vinculada diretamente à tecnologia.

CP Geografia Você acha possível incluir o geoprocessamento já no ensino básico de geografia?

Paulo Roberto Fitz Sim, não com refinamento, mas como um conhecimento prévio. Já está sendo usado - alguns colegas que trabalham sensoriamento remoto usam linguagem de satélite, ferramentas como Google Earth e Google Maps, o que já é o uso de geoprocessamento. E essa tecnologia deve ser cada vez mais usada mesmo, é uma forma de o jovem se interessar pela ciência da geografia, que está muito carente hoje no Brasil.

Divulgação

Geoprocessamento sem complicação
Paulo Roberto Fitz
Oficina de Textos
2008
160 páginas

"Eu leciono geoprocessamento na universidade e estou no mercado há um tempo razoável, notei que faltava esse tipo de publicação sobre geoprocessamento: ou tinha livros muito superficiais ou muito profundos e técnicos, ficava difícil para quem não era da área. Precisava de um livro que trabalhasse geoprocessamento com um linguajar minimamente técnico, mais simples, mais amigável e bastante didático. Foi o que procuramos fazer."
Paulo Roberto Fitz

CP Geografia O geoprocessamento também ampliou o campo de atuação da geografia, como, por exemplo, a ascensão do marketing geográfico. Você acredita que ele pode se refletir para o profissional de geografia na expansão do mercado de trabalho?

Paulo Roberto Fitz Certamente. Há muitos universitários que conseguem estágios nessa área, as empresas no geral têm procurado estagiários de geografia, porque engenheiros não têm cartografia, não lidam com isso, a não ser quem tenham feito um curso de extensão. Está começando a ocorrer uma procura interessante para o profissional com essa técnica, o geoprocessamento abriu bastante o campo para o geógrafo.

CP Geografia Como está o avanço do geoprocessamento no Brasil tanto em termos de uso quanto de produção de estudos e material acadêmico?

Paulo Roberto Fitz Eu vejo um avanço bastante rápido. Há 15 anos quase não existia nada, hoje em dia qualquer universidade vinculada a geografia pelo menos tem um laboratório, um núcleo que trabalhe com geoprocessamento. Qualquer empresa que trabalhe com consultora ambiental em geral tem uma ferramenta que faça algum uso, nem que seja apenas um mapa, para trabalhar com esse tipo de coisa. Nesses últimos anos, o campo de atuação do geoprocessamento aumentou muito, basta ver o próprio uso dentro do automóvel.

CP Geografia Você acha que o geoprocessamento pode ir além da cartografia?

Paulo Roberto Fitz Sim, muito além da cartografia. Todas essas análises geográficas necessárias ao geoprocessamento a cartografia não faz. A principal figura do geoprocessamento ainda é a do geógrafo, que consegue aglutinar as informações de maneira mais próxima do que se deseja, fazer uma análise espacial. O papel fundamental da cartografia é na parte técnica e específica da coisa, mas a análise e toda a parte de interpretação e o desenvolvimento para se poder concluir alguma coisa, extrair informações, interpretar, é o geógrafo quem faz.

CP Geografia Houve uma massificação do geoprocessamento com o acesso a ferramentas como o Google Earth, o Google Maps e o Wikimapia. O que você acha disso?

Paulo Roberto Fitz Eu acho ótimo, com bons olhos. A geografia está na moda. Esse tipo de massificação é boa nesse sentido, a tecnologia está à disposição de todo mundo. Não só para isso, mas para tudo, todas as áreas usufruem dessa tecnologia. Está à disposição de todos, mas é para o uso leigo - tem algumas coisas que você consegue extrair boas informações, dá para fazer um trabalho sério com o Google Earth, você pode fazer dele um serviço bastante preciso e técnico, mas o leigo vai usar como leigo.

É uma forma de divulgação e é importante para o professor de ensino médio, que pode usar para fazer propaganda. Mas não pode encerrar ali. Essa é a grande dificuldade que a geografia tem, as pessoas acham que a geografia se encerra no ensino médio e mais nada. Ninguém enxerga a geografia como algo que vá além daquilo, o estudante acha que não tem mais o que aprender. É um problema por outro lado vinculado a essas tecnologias. É preciso deixar claro que o uso e o conteúdo não acabam ali, é tarefa do educador mostrar o que pode fazer a partir desse ponto.

CP Geografia Que softwares de geoprocessamento você recomenda?

Paulo Roberto Fitz Hoje em dia são três principais: o SPRING , que é gratuito, em português, tem tutorial em português e tudo mais. O IDRISI , que é o mais amigável de todos e tem licença para estudantes, o que diminui o custo, tem suporte para o Brasil e faz tudo. E tem o ArcGIS , que é profissional, vai por um caminho mais de empresa, de investir profissionalmente. Esses são os três básicos.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 22:19
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