Profº MsC. MÁRCIO BALBINO CAVALCANTE. Geógrafo - UEPB; Mestre em Geografia - UFRN. Cidade: João Pessoa, Paraiba - Brasil CONTATO: cavalcantegeo@bol.com.br SEJA BEM VINDO !!!
Sábado, 24 de Março de 2012
22 de Março – Dia Mundial da Água - "Água potável: desafios e dilemas no século XXI"
           Prof. MsC. Márcio Balbino Cavalcante
Mestre em Geografia - UFRN
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            A ideia de que a água é o recurso natural mais abundante no Planeta Terra não é incorreta, porém, pouco destaque é dado ao fato de que desta grande abundância, apenas 0,008 % está disponível ao consumo humano, o restante é constituído por águas salgadas, geleiras e águas subterrâneas de difícil captação. A escassez de água potável é hoje um problema crônico em diversas regiões do mundo, como na África e Ásia.
        O Brasil é privilegiado em recursos hídricos. Com 17% de toda a água doce do planeta, o nosso país conta com a maior área continental úmida do mundo, o Pantanal, e a mais extensa floreta alagada, a várzea amazônica. Teoricamente, cada brasileiro tem cerca de 34 milhões de litros de água à sua disposição. Apesar de todo esse potencial, o país ainda sofre com a falta de água, o risco de desabastecimento em larga escala pode surgir decorrente principalmente da utilização inadequada da água.
O nosso país apresenta uma situação de exploração e uso predatório de seus recursos. A poluição das águas, o assoreamento dos rios e o desperdício contribuem para o problema da escassez. Conforme dados do IBGE (2012), as empresas de abastecimento de água brasileiras apresentam índices de perda de água tratada de até 60%. Nas nações desenvolvidas, esses números chegam a no máximo 20%. Por isso, o Brasil é considerado um dos campeões de desperdício de água no mundo.        
          A constatação geral, nesse início de século, é que a água potável do planeta está acabando e num futuro próximo será um recurso extremamente valioso, capaz de sustentar potências mundiais ou provocar guerras, a exemplo do que acontece hoje com o petróleo. No meio dessa discussão, quando o mais sensato seria conservar essa riqueza a todo custo, estudos apontam para a contaminação do maior reservatório subterrâneo de água doce conhecido no mundo, o nosso Aqüífero Guarani, localizado no sudeste e norte do país, são 45 mil quilômetros cúbicos de água subterrânea, num total de aproximadamente 1,2 milhões de km2 quadrados de área. Em termos de abastecimento, significa dizer que ele pode suprir as necessidades de uma população de 150 milhões de pessoas durante 2,5 mil anos. Com a vantagem adicional de que a água subterrânea, geralmente, não precisa ser tratada para o consumo, pois a filtragem natural das rochas pode alcançar um nível de qualidade que dificilmente seria atingido pelos processos tradicionais.
         As causas básicas do crescimento da demanda de água são: o crescimento da população, a urbanização e a expansão da agroindústria, e as perspectivas para o futuro são preocupantes.
Com as perspectivas existentes para as primeiras décadas do século XXI, quanto ao crescimento populacional, o desenvolvimento das cidades deverá respeitar os limites da natureza. As esferas governamentais deverão impor restrições ao crescimento desordenado das cidades, distribuindo de forma racional os centros urbanos, com vistas a minimizar os impactos sobre os recursos hídricos e bens naturais, evitando assim, uma elevação nos custos da manutenção das necessidades básicas de água das populações.
            Além das fontes comumente utilizadas para o abastecimento, como é o caso dos nossos rios e nascentes, primeiros a sofrer as ações negativas da nossa urbanização, condenados a serem depósitos de lixo.
As alternativas exitosas que poderão ser utilizadas para o abastecimento no futuro, podem ser elencadas: a reutilização da água resultante do tratamento de esgotos, também conhecida como água de reuso (esta alternativa por receber um tratamento mais simples e barato que a água potável, possui um preço final menor).
          Outra alternativa que podemos citar é a utilização da água da chuva para fins alternativos. Essa possibilidade somente será viável em aplicações que dispensam o tratamento de potabilidade, e somente terá eficiência se adotada em locais onde houver incidência de chuvas periódicas. Com a adoção desta medida, obteríamos reduções nos volumes consumidos de água potável, trazendo benefícios econômicos para os consumidores e benefícios ambientais para a sociedade em geral.
A educação ambiental como forma de preservar e demonstrar a importância dos recursos hídricos é um assunto que somente começou a ser abordado no final da década de 70. Até hoje, em pleno século XXI, não é difícil encontrar pessoas que não consideram a importância do problema da escassez da água potável.
        A educação ambiental surge como um forte aliado na luta pelo desenvolvimento de uma nova consciência social, política e ecológica comprometida com a preservação das gerações futuras, que passa pelo reconhecimento da fragilidade da Terra, dos limites finitos dos recursos naturais, da nossa dependência do ar, da água, da luz, do calor, da afinidade com todas as formas de vida do planeta, em especial a espécie humana.
Faz-se necessário ressaltar, que embora a água seja a substância mais abundante do planeta, apenas uma pequena parte do total existente no mundo é viável à captação e ao consumo, não estando presente na forma de geleiras, água salgada ou no subsolo a grandes profundidades. A poluição ocasionada pelo uso irresponsável dos recursos hídricos e o crescimento populacional vêm agravando esta realidade.
       Contudo, conclui-se que as perspectivas para a gestão da água potável no Brasil são preocupantes, uma vez que o crescimento demográfico e a expansão urbana desordenada vêm atingindo índices muito superiores, se comparados às possibilidades de utilização das fontes de abastecimento, fazendo com que a água seja qualificada como o petróleo do século XXI e conseqüentemente, motivo de disputas entre os países do globo, ocasionando a geopolítica da água.

         Para concluir, saliento que para o problema da escassez da água seja minimizado deve ocorrer à união de esforços, cabendo, portanto, à população conscientizar-se sobre o tema, participando das discussões junto aos comitês de bacias. Às empresas cabe a adoção de tecnologias capazes de reduzir a demanda e o despejo de efluentes nos corpos hídricos. Ao governo, resta a aplicação da legislação existente através da fiscalização do uso dos recursos hídricos e coibindo sua degradação. Somente desta forma se conseguirá reduzir os efeitos deste problema.   



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 13:42
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Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
RETRATOS DA EDUCAÇÃO: GREVE DOS PROFESSORES DO RN, BRASIL

Prof.º Mestrando Márcio Balbino Cavalcante

Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia - UFRN

 

 

            A Lei n° 11.738, sancionada em 16 de  julho de 2008, institui o Piso Salarial Nacional para os profissionais do magistério público da educação básica, determinando o rendimento mínimo para os professores deste segmento da rede pública. É sem dúvida, uma conquista histórica dos docentes brasileiros.

            Acredito que a sociedade potiguar está preocupada com o resultado da greve dos professores do estado do Rio Grande do Norte - RN. Também estou.

            Independente dos motivos alegados pela nossa categoria para justificar a greve, penso que deve existir bom senso neste momento. Pois as consequencias positivas e negativas de dois meses de paralisação devem servir de reflexão para pais, alunos, professores e governantes.

Aos senhores pais, pergunto: estão mais preocupados com o aprendizado ou com o filho em casa? Espero que seja com o aprendizado, deve ser por isso que vejo inúmeros pais refletindo sobre a importância da valorização dos professores, responsáveis pela valiosa parcela da educação dos seus filhos. É isso que está acontecendo, não?

             Alunos, como estão? Muito felizes com as férias fora de época ou tristes e preocupados com o aprendizado? Bom, neste caso, realmente acredito que os alunos são os verdadeiros prejudicados nesse processo. Mesmo com a realidade estrutural da maioria das escolas estaduais, estamos diante de uma sociedade globalizada, caracterizada pelo período técnico-científico-informacional, gerando um mercado de trabalho cada vez mais exigente. Somado a tudo isso, ainda temos os desafios do Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM, dos vestibulares e concursos que exigem um aluno que seja leitor e crítico do mundo.

             Aos professores, meus irmãos de profissão e de missão: devemos reflitir sobre o trabalho feito com os alunos? Será, realmente, que não temos como melhorar nossas práticas educacionais? Exigindo e lutando por melhorias na valorização do magistério? Não sei responder, é muito particular.

             Aos governantes: peço que ouçam os professores, sabemos das dificuldades enfrentadas pela nossa categoria, a correria diária para ministrar suas disciplinas em um espaço escolar carente de recursos e de afetividade, bem como receber ganhos salariais inferiores a outras profissões.

             Somos sabedores da nossa realidade econômica e da lei de responsabilidade fiscal que dificulta o Estado de avançar nas negociações, muito triste tudo isso, não? Não temos solução? Há sempre uma luz no fim do túnel: através da Portaria nº 213 de 02 de março de 2011, os estados e municípios brasileiros podem solicitar recursos do Governo Federal para a complementação e cumprimento da lei do piso salarial do magistério, basta cumprir algumas diretrizes burocráticas.

             Aqui fica o nosso pedido: a necessidade do diálogo, ações efetivas e coletivas dos segmentos responsáveis pelo processo educacional, a saber: o governo, os professores, demais profissionais da comunidade escolar e os pais unidos em busca da aprendizagem efetiva dos nossos alunos.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 13:37
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Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010
Paulo Freire e a reinvenção do ato educativo

 Profº Márcio Balbino Cavalcante*

 

 

    Hoje, mais que em outras épocas, se exige do educador uma postura alicerçada num processo permanente de reflexão que leve a resultados inovadores no trato da educação. Sem dúvida, as contribuições de Paulo Freire levam o educador à consciência de si enquanto ser histórico que continuamente se educa num movimento dialético no mundo que o cerca. Não é, pois, por acaso que as ideias freireanas se articulam com os interesses na formação do educador, pois, não se perde de vista o caráter histórico do homem associado sempre à prática social.

     Paulo Freire, Pernambuco, nascido em 1921, no Recife, contribuiu como poucos na reflexão do homem e seu compromisso com a sociedade. Este movimento de ser homem é pensado no seu percurso reflexivo que permite ser objetivado na medida em que, é passível de chegar aos espaços de formação de educadores, quer na formação inicial, quer na formação em serviço, a fim de torná-los capazes de transformações necessárias às práticas educativas e pedagógicas.

     Nesse sentido, as ideias freireanas servem como orientação para o processo de formação docente no que se refere à reflexão crítica da prática pedagógica que implica em saber dialogar e escutar, que supõe o respeito pelo saber do educando e reconhece a identidade cultural do outro.

 

Educação Problematizadora x Educação Bancária

 

     Freire não se limitou a analisar como são a educação e a pedagogia, mas mostra uma teoria de como elas devem ser compreendidas teoricamente e como se deve agir através de uma educação denominada Libertadora. Para ele, educação é um encontro entre interlocutores, que procuram no ato de conhecer a significação da realidade e na práxis o poder da transformação.

     Entende-se por pedagogia em Freire a ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação; um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora.

     Em oposição à pedagogia do diálogo, Paulo Freire desnuda a concepção bancária de educação; é uma crítica à educação que existe no sistema capitalista, alicerçada nos princípios de dominação, de domesticação e alienação transferidas do educador para o aluno através do conhecimento dado, imposto, alienado.

    Em uma das suas principais obras: Pedagogia do Oprimido (1983), Paulo Freire discute essa concepção: onde o educador é o que educa; os educandos, os que são educados; o educador é o que sabe; os educandos, os que não sabem; o educador é o que pensa; os educandos, os pensados; o educador é o que diz a palavra; os educandos, os que a escutam docilmente; o educador é o que disciplina; os educandos, os disciplinados; o educador identifica a autoridade do saber com sua autoridade funcional, que opõe antagonicamente à liberdade dos educandos; estes devem adaptar-se às determinações daquele; o educador, finalmente, é o sujeito do processo; os educandos, meros objetos.

     Este desnudamento serve de premissa para visualizar o poder do educador sobre o educando e como consequência à possibilidade de formar sujeitos ativos, críticos e não domesticados. Como se vê, a opressão é o cerne da concepção bancária. Para analisar esta concepção que se fundamenta no antidiálogo, Freire (1983) apresenta características que servem à opressão. São elas: a conquista, a divisão, a manipulação e a invasão cultural.

O “método Paulo Freire”

     Apesar da insistência com que se fala, às vezes, nessa história do chamado “método Paulo Freire”, eu tenho a impressão, talvez um pouco imodéstia agora, que se trata muito mais que uma certa compreensão geral da educação, de uma maneira de praticar educação do que necessariamente de um método. A questão vai além do método (Freire, 1979). Paulo Freire era um pensador, bem além de seu tempo e como tal não se limitava a métodos. Para ele a educação estava além dos métodos e antes e acima de tudo era um ato político. Para ele o dado fundamental de todas as coisas do mundo é o diálogo, o método é secundário, o diálogo para ele é o sentimento do amor tornado ação.

     O que Freire propõe não é apenas um método mas uma compreensão geral acerca da educação, da maneira de se praticar a educação. Esta compreensão é claro tem haver com prática e esta prática tem haver com um método, o método está contido nesta compreensão geral acerca da educação, mas o que Freire nos propõe esta muito além do método, está nos questionamentos acerca da própria educação, que para ele está na e fora da escola, da forma que hoje esta se coloca para os educandos onde quer que estes estejam. Por se referenciar também na fenomenologia Freire está sempre em busca do conhecer do mergulho empático na cotidianeidade do educando como fator essencial na construção do currículo.

A Pedagogia do diálogo e o ato de liberdade

     Paulo Freire sempre esteve à frente de seu tempo e apesar de se referenciar no marxismo e na fenomenologia existencial, ele não se limita às mesmas, de forma alguma essas funcionam como uma camisa de força para este educador visionário. Criando um pensamento pedagógico único e totalmente original, suas ideias se espalharam pelo mundo através de seus escritos. Ele não separava a educação e a política. Para ele a educação é um ato político. Para Freire “a leitura da palavra deve ser inserida na compreensão da transformação do mundo” (Freire, 1989), ou seja, ao se viabilizar a leitura da palavra, o educador estaria ao mesmo tempo levando o educando a ler o mundo, isto para ele é um ato político, pois está ligado a mudanças políticas e sociais.

     Paulo Freire acredita que o dado fundamental das relações de todas as coisas no mundo é o diálogo. O diálogo é o sentimento de amor tornado ação, o diálogo amoroso, que é o encontro dos homens que se amam e que desejam transformar o mundo.

     Segundo Freire, o diálogo não é só uma qualidade do modo humano de existir e agir. O diálogo é a condição desse modo, é o que torna humano o homem. O relacionamento professor aluno precisa estar pautado no diálogo, ambos se posicionando dos sujeitos no ato do conhecimento numa relação horizontal. O autoritarismo tradicional que permeava a relação da educação tradicional precisa ser banido para dar lugar à pedagogia do diálogo. Contudo esta relação horizontal não acontece de forma imposta, ela ocorre naturalmente quando educando e educador conseguem se colocar na posição do outro, tendo a consciência de que ao mesmo tempo são educandos e educadores.

     Na pedagogia do diálogo insere-se também o conceito de educação para Freire, onde ninguém sabe tudo, ninguém é inteiramente ignorante. A educação não pode ser diminuidora da pessoa humana, precisa levar à redenção. Por isso uma educação que reprime não é a que redime. Para Freire nós nos educamos em comunidade. Sua busca era por uma educação comprometida com os problemas da comunidade, o local onde se efetivava a “vida do povo”. A comunidade para ele era o ponto de partida e de chegada.

     Portanto, a Educação é um processo permanente, ela não se esgota nos minutos de cada aula, não se prende aos muros escolares, exatamente porque não acontece exclusivamente na escola. Segundo Freire, nos educamos a vida inteira até o momento da morte para ele se constitui num ato educativo.

 

Bibliografia

FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. 17.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 13.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.

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*Mestrando em Geografia - UFRN. Professor de Geografia e Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Mul. de Educação do município de Passa e Fica, RN. cavalcantegeo@bol.com.br



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 21:22
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Sábado, 31 de Julho de 2010
Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade¹

Por AZIZ AB'SÁBER

      Geógrafo - USP

 

 

Aziz Ab’Sáber, do alto de seus 86 anos, Geógrafo (USP), muitos deles dedicados à ciência no Brasil, não tem dúvidas: para ele, a revisão proposta para o Código Florestal é uma estupidez. O professor de geografia da Universidade de São Paulo criticou o limite fixo para preservação das margens de rios e a tentativa da dita “bancada ruralista” diminuir o percentual da Reserva Legal na Amazônia. O professor publicou o artigo abaixo com pesadas críticas ao texto aprovado pelo deputado Aldo Rebelo (PC do B). “Uma revisão do Código Florestal precisa ser liderada por gente que conhece o assunto, o que, infelizmente, não é o caso”, declarou.

 

Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no “Código Florestal” tem que ser conduzido por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis. Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro, favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais. Cidadãos de classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos, não têm qualquer ética com a natureza, nem buscam encontrar modelos tecnico-cientificos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, seja no Brasil Tropical Atlântico, ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias “ecologicamente auto-sustentadas” é uma mania de cientistas irrealistas.


Por muitas razões, se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território. Remetemos esta ideia para Brasília, e recebemos em resposta que esta era uma ideia boa mas complexa e inoportuna (...). Entrementes, agora outras personalidades trabalham por mudanças estapafúrdias e arrasadoras no chamado Código Florestal, razão pela qual ousamos criticar aqueles que insistem em argumentos genéricos e perigosos para o futuro do país, sendo necessário, mais do que nunca, evitar que gente de outras terras sobretudo de países hegemônicos venha a dizer que fica comprovado que o Brasil não tem competência para dirigir a Amazônia (...). Ou seja, os revisores do atual Código Florestal não teriam competência para dirigir o seu todo territorial do Brasil. Que tristeza, gente minha!


 

O primeiro grande erro dos que no momento lideram a revisão do Código Florestal brasileiro – a favor de classes sociais privilegiadas – diz respeito à chamada estadualização dos fatos ecológicos de seu território especifico. Sem lembrar que as delicadíssimas questões referentes à progressividade do desmatamento exigem ações conjuntas dos órgãos federais específicos, em conjunto com órgãos estaduais similares, uma Polícia Federal rural, e o Exército Brasileiro. Tudo conectado ainda com autoridades municipais, que têm muito a aprender com um Código novo que envolve todos os macro-biomas do país, e os mini-biomas que os pontilham, com especial atenção para as faixas litorâneas, faixas de contato entre as áreas nucleares de cada domínio morfoclimático e fitogeográfico do território. Para pessoas inteligentes, capazes de prever impactos, a diferentes tempos do futuro, fica claro que ao invés da “estadualização”, é absolutamente necessário focar para o zoneamento físico e ecológico de todos os domínios de natureza do país. A saber, as duas principais faixas de florestas tropicais brasileiras (a zona amazônica e a zona das matas atlânticas), o domínio dos cerrados, cerrados e campestre, a complexa região semiárida dos sertões nordestinos, os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, além do nosso litoral e do Pantanal Mato-grossense.


Seria preciso lembrar ao honrado relator Aldo Rabelo – a meu ver bastante neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia – que atualmente na Amazônia brasileira predomina um verdadeiro exército paralelo de fazendeiros que em sua área de atuação tem mais força do que governadores e prefeitos. O que se viu em Marabá, com a passagem das tropas de fazendeiros, passando pela Avenida da Transamazônica, deveria ser conhecido pelos congressistas de Brasília, e diferentes membros do executivo. De cada uma das fazendas regionais passava um grupo de cinquenta a sessenta camaradas, tendo a frente em cavalos nobres, o dono da fazenda e sua esposa, e os filhos em cavalos lindos. E os grupos iam passando separados entre si, por alguns minutos. E, alguém a pé, como se fosse um comandante, controlava a passagem da cavalgada dos fazendeiros. Ninguém da boa e importante cidade de Marabá saiu para observar a coluna amedrontadora dos fazendeiros. Somente dois bicicletistas meninos, deixaram as bicicletas na beira da calçada olhando silentes a passagem das tropas. Nenhum jornal do Pará, ou alhures, noticiou a ocorrência amedrontadora. Alguns de nós não pudemos atravessar a ponte para participar de um evento cultural.


Será certamente, apoiados por fatos como esse, que alguns proprietários de terras amazônicas deram sua mensagem, nos termos de que “a propriedade é minha e eu faço com ela o que eu quiser, como quiser e quando quiser”. Mas ninguém esclarece como conquistaram seus imensos espaços inicialmente florestados, sendo que, alguns outros, vivendo em diferentes áreas do cetro-sul brasileiro, quando perguntados sobre como enriqueceram tanto, esclarecem que foi com os “seus negócios na Amazônia” (...). Ou seja, por meio de loteamentos ilegais, venda de glebas para incautos em locais de difícil acesso, os quais ao fim de um certo tempo são libertados para madeireiros contumazes. E o fato mais infeliz é que ninguém procura novos conhecimentos para reutilizar terras degradadas ou exigir dos governantes tecnologias adequadas para revitalizar os solos que perderam nutrientes e argilas, tornando-se dominadas por areias finas (siltizaçao).


Entre os muitos aspectos caóticos, derivados de alguns argumentos dos revisores do Código, destaca-se a frase que diz que se deve proteger a vegetação até sete metros e meio do rio. Uma redução de um fato que por si já estava muito errado, porém agora esta reduzido genericamente a quase nada em relação aos grandes rios do país. Imagine-se que para o rio Amazonas, a exigência protetora fosse apenas sete metros, enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência. Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro. Na linguagem amazônica tradicional, o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais. Para eles, ali existem, em ordem crescente: igarapés, riozinhos, rios e parás. Uma última divisão lógica e pragmática, que é aceita por todos os que conhecem a realidade da rede fluvial amazônica.


Por desconhecer tais fatos os relatores da revisão aplicam o espaço de sete metros da beira de todos os cursos d’água fluviais sem mesmo ter ido lá para conhecer o fantástico mosaico de rios do território regional. Mas o pior é que as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Fala-se em sete metros e meio das florestas beiradeiras (ripario-biomas), e, depois em preservação da vegetação de eventuais e distantes cimeiras. Não podendo imaginar quanto espaço fica liberado para qualquer tipo de ocupação do espaço. Lamentável em termos de planejamento regional, de espaços rurais e silvestres. Lamentável em termos de generalizações forçadas por grupos de interesse (ruralistas).


Já se poderia prever que um dia os interessados em terras amazônicas iriam pressionar de novo pela modificação do percentual a ser preservado em cada uma das propriedades de terras na Amazônia. O argumento simplista merece uma crítica decisiva e radical. Para eles, se em regiões do centro-sul brasileiro a taxa de proteção interna da vegetação florestal é de 20%, porque na Amazônia a lei exige 80%? Mas ninguém tem a coragem de analisar o que aconteceu nos espaços ecológicos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais com o percentual de 20%. Nos planaltos interiores de São Paulo a somatória dos desmatamentos atingiu cenários de generalizada destruição. Nessas importantes áreas, dominadas por florestas e redutos de cerrados e campestres, somente o tombamento integrado da Serra do Mar, envolvendo as matas atlânticas, os solos e as aguadas da notável escarpa, foi capaz de resguardar os ecossistemas orográficos da acidentada região. O restante, nos “mares de morros”, colinas e várzeas do Médio Paraíba e do Planalto Paulistano, e pró-parte da Serra da Mantiqueira, sofreram uma detruição deplorável. É o que alguém no Brasil – falando de gente inteligente e bioética – não quer que se repita na Amazônia brasileira, em um espaço de 4.200.000 km².


Os relatores do Código Florestal falam em que as áreas muito desmatadas e degradadas poderiam ficar sujeitas a “(re)florestamento” por espécies homogêneas, pensando em eucalipto e pinus. Uma prova de sua grande ignorância, pois não sabem a menor diferença entre reflorestamento e florestamento. Esse último, pretendido por eles, é um fato exclusivamente de interesse econômico empresarial, que infelizmente não pretende preservar biodiversidades, sendo que eles procuram desconhecer que para áreas muito degradadas foi feito um plano de (re) organização dos espaços remanescentes, sob o enfoque de revigorar a economia de pequenos e médios proprietários: Projeto FLORAM. Os eucaliptologos perdem éticos quando alugam espaços por trinta anos, de incautos proprietários, preferindo áreas dotadas ainda de solos tropicais férteis, do tipo dos oxissolos, e evitando as áreas degradadas de morros pelados reduzidas a trilhas de pisoteio, hipsométricas, semelhantes ao protótipo existente no Planalto do Alto Paraíba, em São Paulo.


Ao arrendar terras de bisonhos proprietários, para uso em 30 anos, e sabendo que os donos da terra podem morrer quando se completar o prazo. Fato que cria um grande problema judicial para os herdeiros, sendo que ao fim de uma negociação as empresas cortam todas as árvores de eucaliptos ou pinos, deixando miríades de troncos no chão do espaço terrestre. Um cenário que impede a posterior reutilização das terras para atividades agrárias. Tudo isso deveria ser conhecido por aqueles que defendem ferozmente um Código Florestal liberalizante.


Por todas as razões somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo, que conhecemos há muito tempo, e de quem sempre esperávamos o melhor, no momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem que pensar na sua biografia, e, sendo político, tem que honrar a história de seus partidos. Mormente em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários.


Insistimos que em qualquer revisão do Código Florestal vigente deve-se enfocar as diretrizes através das grandes regiões naturais do Brasil, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, tais como a Amazônia e suas extensíssimas florestas tropicais, e o Nordeste Seco, com seus diferentes tipos de caatingas. Trata-se de duas regiões opósitas em relação à fisionomia e à ecologia, assim como em face das suas condições socioambientais. Ao tomar partido pelos grandes domínios, administrados técnica e cientificamente por órgãos do executivo federal, teríamos que conectar instituições específicas do governo brasileiro com instituições estaduais similares. Existem regiões como a Amazônia que envolve conexões com nove estados do Norte brasileiro. Em relação ao Brasil tropical atlântico os órgãos do Governo Federal – IBAMA, IPHAN, FUNAI e INCRA – teriam que manter conexões com os diversos setores similares dos governos estaduais de Norte a Sul do Brasil, e assim por diante.  


Enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico, fato observado por muitos críticos em diversos trabalhos e entrevistas.


Parece ser muito difícil para pessoas não iniciadas em cenários cartográficos perceber os efeitos de um desmatamento na Amazônia de até 80% das propriedades rurais silvestres. Em qualquer espaço do território amazônico, que vem sendo estabelecidas glebas nas quais se poderia realizar um desmate de até 80%, haverá um mosaico caótico de áreas desmatadas e faixas inter-propriedades estreitas e mal preservadas. Lembrando ainda que, nas propostas de revisão, propriedades de até 400 hectares teriam o direito de um desmate total em suas terras, vejo-me na obrigação de que a médio e longo prazo existiria um infernal caleidoscópio no espaço total de qualquer área da Amazônia. Nesse caso, as bordas dos restos de florestas, inter-glebas, ficarão à mercê de corte de árvores dotadas de madeiras nobres. E, além disso, a biodiversidade animal certamente será a primeira a ser afetada de modo radical.


Uma cartografia simbólica dos desmates, em propriedades de diferentes tamanhos, permite uma previsão visual do que seria a dinâmica do cenário do desmatamento regional, antevisto a médio prazo. Baseados em fatos reais já acontecidos no vale do Tocantins (Pará) e nos planaltos interiores de São Paulo e Minas Gerais. No caso da Amazônia (o que mais nos preocupa),  machadeiros e motoserristas – acompanhados de queimadas sincopadas – o roteiro dos desmatamentos seguiu por rodovias, ramais e sub-ramais, atingindo radicalmente as “espinhelas de peixe” dos loteamentos feitos em quarteirões especulativos no interior das matas biodiversas. Lotes de cinquenta a cem hectares, considerados pequenos na Amazônia, foram vendidos a incautos moradores de regiões distantes. Neste último caso, os numerosos aquisidores, que nem mesmo puderam chegar ao sítio das terras compradas à distância, cederam o espaço para madeireiras espertas e persistentes. Fato que pode ser visto e analisado em imagens de satélite na região norte do Mato Grosso, no médio Tocantins, na Bragantina, Acre sul - oriental, Rondônia, Oeste-noroeste do Maranhão, e diversos outros setores das terras amazônicas.


Insistimos em prever que se houver um Código que limite a área de proteção das florestas a apenas 20% do espaço total de cada propriedade, seja qual for o seu tamanho, de 400 a um milhão de hectares - o arrasamento a médio prazo será inimaginavelmente grande e progressivo.


Uma das justificativas mais frequentes para os que são favoráveis para a ampliação de áreas desmatáveis, - em cada propriedade de terra firme na Amazônia - é de que, assim, haverá mais emprego para trabalhadores amazonidas. Pouca gente lembra, entretanto, que em numerosas fazendas e fazendinhas da Amazônia brasileira predomina o trabalho semi-escravo. Desde o início da ampliação das chamadas fronteiras ditas agrícolas, predominaram o trabalho braçal periódico ou temporário, para machadeiros, criadores de gado, madeireiros e plantadores de eucaliptos. Sendo que, nas raras áreas de solos melhores, estabeleceu-se o vai-e-vem tradicional de empregos no preparo da terra e plantio, em períodos limitados.  E, mais tarde, diversas atividades na época da colheita. Caminhoneiros fizeram penetrações esdrúxulas para atingir locais de madeiras nobres ou transportar troncos de árvores para serrarias ou para o transporte de produtos das raras commodities. Agora, em espaços da soja, da cana, e muito eventualmente do arroz. Sendo que somente os capatazes mandonistas ganham razoavelmente.


Quem procura um emprego qualquer, em uma fazenda, ainda que temporário, sofre um drama trágico e muito cansativo. Para chegar à fazenda escolhida, marcham a pé com sua matulinha mirrada de roupas singelas, caminhando por quilômetros nas estreitas trilhas das florestas, até atingir as propriedades onde conseguirão um emprego braçal – seja o preparo do solo para plantações, seja a ampliação dos capinzais para o gado, seja no corte de árvores para ampliação dos espaços ditos produtivos, seja no trabalho rápido e esgotante nas épocas de colheitas. Quando despedidos são obrigados a voltar para áreas de beira de estradas onde existem rústicas aldeias ou “ruas” pseudo-comerciais.


Temos acompanhado, desde 1972, os problemas criados por capatazes autoritários em propriedades amazônicas, pertencentes a pessoas ou grupos de pessoas alienígenas. Conflitos dos mais diferentes tipos acontecem entre pobres trabalhadores silvos-rurais e os donos de propriedades dos mais diferentes tipos. Há uma resistência permanente em face à remuneração dos que vem de fora em face dos minguados preços pagos aos que nasceram na própria Amazônia. Reciprocamente, o comportamento dos proprietários em relação aos poucos tratos de terras férteis pertencentes a reservas indígenas é catastrófico e quase insolúvel. Um dia encontrei em um aeroporto um proprietário de uma fazenda, que ia viajar para a Amazônia no noroeste da Roraima, onde possuía suas terras. Perguntei-lhe qual era a relação entre seus camaradas e os índios Yanomamis da região, e a resposta infeliz veio rápida e antiética: “Para eles, é o meu capataz que responde, erguendo seu perigoso facão”.


Numa ocasião, ao término de uma visita a uma fazenda dedicada à pecuária, nos pediram que em nossa volta levássemos para uma farmácia um camarada doente, que estava passando muito mal. Na realidade, era alguém que contraiu uma malária radical, designada por “tersã maligna”. Não dá para falar sobre o triste estado do pobre trabalhador, sentado no banco detrás do meu carro. Na farmácia, tomamos conhecimento que em casos similares a única providencia era um coquetel de remédios agressivos, por meio dos quais o pobre doente “melhorava ou morria”.


Na rodovia entre Rio Branco e Brasiléia (Acre), pudemos sentir o ódio que alguns jovens tinham para o que chamavam de “paulistas”, os quais teriam comprado terras durante os trabalhos de construção da estrada. O desmate interfluvial fez com que as cabeceiras de igarapés secassem; e que muitas propriedades da terra firme desmatada, ficassem sem qualquer atividade produtiva. Explicação dos acreanos: inadimplência dos proprietários alienígenas  “porque nunca eles quiseram fazer uma parceria conosco,  que temos muito mais experiência sobre atividades agrárias em nossa região”.  Note-se que o termo “paulista” dizia respeito a qualquer pessoa procedente do centro sul do Brasil. Tal como nessa imensa área, todos os migrantes são designados por “baianos”, independentemente de onde tenham vindo.

 


Aqui chegados em nossas considerações, torna-se indispensável referir-se a atividades de pequenos produtores familiares, dotados de terras mais férteis, de dimensões limitadas, tais como várzeas de ricos solos fluvio-aluviais ao longo do rio Amazonas, ou de pequenas áreas de terra firme dotadas de oxisolos oriundos da decomposição de basaltos ou diabásios [infelizmente, porém, essas últimas áreas são bastante raras, envolvendo em seu espaço total menos de oito mil quilômetros quadrados]. Ou em um modelo localizado de plantações em praias de estiagem do rio Acre. Ou, onde vicejam linearmente melancias, melões e algumas plantas alimentares. Ou em bordas de florestas restantes em terrenos de projetos falidos, onde se estabeleceu o importante e famoso projeto RECA. Houve um tempo em que muito se falou em reservas extrativistas, a partir do Acre de Chico Mendes, ampliado para todo o território amazônico. Evidentemente, houve muito exagero nessa campanha, tão simpática quanto inviável. Mas aconteceu felizmente uma proposta bem mais complexa e diversificada, que pode ter grande aplicação a curto e médio prazo; a qual introduzia atividades mais lógicas e produtivas, sem de tudo eliminar o sentido complementar do extrativismo. Trata-se de um modelo pioneiro, inventado por um ex-padre francês, de origem rural, que após conhecer o Paraná foi para o Acre com a ideia de trabalhar na reutilização de áreas degradadas. Após conversar com o inteligente Bispo Don Grec, em Rio Branco, resolveu fazer uma experiência extremamente válida e quase científica porque se utilizou do chamado “efeito de borda” para iniciar plantações com espécies amazônicas, tais como açaí, cupuaçu e pupunha. Seu projeto foi feito em cooperação com amazonidas residentes na fronteira da Rondônia com o Acre, tendo foco inicial na pequena cidade de Nova Califórnia.


Nenhum governo soube perceber o quanto o projeto ali instalado e desenvolvido, poderia ser útil para numerosas outras áreas de borda de matas remanescentes. Sem falar que no seio da floresta continuava o projeto extrativista tão caro aos companheiros do extraordinário acreano Chico Mendes. Além do que, o chamado “reflorestamento econômico concentrado e adensado” (RECA), teve um caráter didático para os cooperados que se integraram no trabalho, produzindo espécies amazônicas e produtos comestíveis importantes para sua alimentação (como açaí, abacaxis, castanhas e, sobretudo, mandioca). Na borda das florestas, devido à forte luminosidade e hidratação caída das folhas e galhos poderão ser produzidas muito mais coisas ainda, a favor dos amazonidas, tais como bananeiras e mamoeiros, e diversas outras plantas frutíferas. Muita coisa ainda resta ser analisada, no famoso projeto, que infelizmente foi muito pouco compreendido por técnicos e governantes.


Nas mudanças que se pretendem fazer para o atual Código Florestal existem alguns tópicos extremamente criticáveis. Ao se discutir o tamanho de propriedades familiares se definiu as mesmas até quatrocentos hectares. Fato que significa que todas as pequenas e médias propriedades produtoras, ou parcialmente aproveitadas, até 400 hectares poderão ser totalmente desmatadas. O fato de considerar o espaço de propriedades familiares até o nível de 400 hectares é um absurdo total. Trata-se de uma excessiva flexibilização que poderá produzir um mosaico detruidor de florestas ao longo de rodovias, estradas, riozinhos e igarapés. Um cenário trágico para o futuro, em processo no interior da Amazônia brasileira. No entanto, propriedade de 100 a 400 hectares, que conservassem um razoável percentual de matas no seu entorno, poderiam receber esquemas parecidos com o projeto RECA, na borda dos remanescentes florestais. Fato que não foi considerado nem de passagem pelos idealizadores e relatores de um novo Código Florestal. Razão pela qual deixamos aqui além de uma crítica, que julgamos absolutamente necessária, uma proposição de acréscimos de atividades para pequenas e médias propriedade familiares. Lembrando que quem faz críticas tem que elaborar propostas bem planejadas para resolver as situações consideradas negativas. 


Anotamos ainda que a ideia de reduzir para 15 metros faixas de proteção de florestas beiradeiras (mini-biomas ripários) tem um caráter extremamente genérico e de duvidosa aplicabilidade.  A nosso ver não é possível limitar, generalizadamente, as áreas beiradeiras, em termos de alguns metros de largura. Pelo contrário, é necessário considerar os fatos relacionados a igarapés, riozinhos, rios, e “parás” (grandes rios), utilizando a tipologia popular amazonida. A impressão que se tem é de que, determinando uma largura geral para proteção, estaríamos possibilitando desmates no nível de todos os espaços situados entre a beira de cursos d’água até muito além onde se situam os interflúvios de colinas ou encostas de pequenas serranias amazônicas. Existe toda uma aula a ser dada sobre essa problemática que tende a criar cenários extremamente caóticos em relação ao futuro a diferentes profundidades de tempo.


Um comentário quase final: não se faz qualquer projeto de interesse nacional pensando apenas em favorecer de imediato só uma geração do presente, em termos de especulação com espaços ecológicos, mesmo porque somos de opinião que devemos pensar no sucesso de todos os grupos humanos, ao longo de muito tempo. Uma questão de bioética com o futuro. Sem pensar na grande capacidade que o conjunto das imensas florestas equatoriais zonais preservadas da Amazônia tem em relação ao clima do planeta Terra; assunto que preocupa todos os pesquisadores sensíveis do mundo. Gente que espera que o Brasil faça uma proteção integrada da maior área de vegetação florestal que ainda resta em regiões equatoriais e sub-equatorias do mundo. Será muito triste, cultural e politicamente falando, que pessoas de diversas partes do mundo ao lerem as mudanças absurdas pretendidas para o Código Florestal, venham a dizer que fica comprovado que “o Brasil não tem capacidade para administrar e gerenciar a Amazônia”. Ainda que em outros países haja um interesse permanente em adquirir por preços irrisórios as madeiras do território amazônico. Tristes frases que sempre vem sendo ditas ao sabor de trágicos acontecimentos ocorridos em nossa principal área de vegetação florestal, que se estende por alguns milhões de quilômetros quadrados.


A utopia de um desenvolvimento com o máximo de florestas em pé não pode ser eliminada por princípio em função de mudanças radicais do Código Florestal, sendo necessário pensar no território total de nosso país, sob um ampliado e correto Código de Biodiversidade. Ou seja, um pensamento que envolva as nossas grandes florestas (Amazônia e Matas Tropicais Atlânticas), o domínio das caatingas e agrestes sertanejos, planaltos centrais com cerrados, cerradões e campestres; os planaltos de araucárias sul-brasileiros, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, e os redutos e mini-biomas da costa brasileira e do Pantanal mato-grossense, e faixas de transição e contrato (core-áreas) de todos os domínios morfoclimáticos e fitogeográficos brasileiros).


Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de quinhentos a milhares de hectares, e dentro de cada parcela das glebas colocasse indicações de 20% correspondente às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em espaços de quarteirões implantados para venda de lotes de cinquenta a cem hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente, decorridos poucos anos.

 

¹ Palestra proferida na 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC, realizada entre os dias 25 a 30 de julho na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 12:49
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Sábado, 27 de Março de 2010
Para que serve a escola pública?

Definir a função das escolas é por si só um exercício difícil e contraditório para qualquer intelectual. Essa mesma confusão passa pela cabeça dos estudantes de escola pública que não conseguem enxergar a função da escola na sua vida.

Observar o cotidiano escolar é um exercício muito complicado, buscar a subjetividade do espaço e entender como as relações sociais entre sujeitos e sujeitos se desenrolam, assim como as relações com o próprio objeto. O modelo de escola pública decadente que se apresenta é preocupante, não meramente por sua falta de estrutura ou pelo despreparo de muitos professores em lidar com uma realidade cada vez mais dura, mas sim pela sua incapacidade de causar qualquer efeito/reação nos seus alunos, ao ponto destes não reconhecerem o próprio motivo de todo aquele estorvo que se torna a escola. E é essa questão que vamos debater aqui.

O modelo de educação neoliberal que visa a formação de mão-de-obra para o mercado e que passa necessariamente por uma revisão dos conteúdos e a preferência à escola privada. Esse modelo alimenta e reproduz o ideal capitalista da sociedade, mas gera um efeito contraditório. Hoje as escolas padrões são as privadas, que reproduzem a sociedade com louvor, enquanto as escolas públicas sofrem com o gradativo sucateamento. O que será então dos estudantes que não podem escapar da realidade da escola pública? Indo ao estágio e conversando com alunos eu pude perceber que o ideal capitalista não passa por ali.

Muitos vêem a escola como obrigação e não conseguem se enxergar num futuro promissor, por acreditarem estar em desvantagem em relação aos estudantes da escola privada. A verdade é que a escola se torna o complemento e a própria consolidação de uma realidade sem perspectiva alguma. Não é um problema que nasce na escola, mas se consolida lá. Se as escolas públicas não conseguem mais reproduzir a sociedade e alimentar o sonho do esforço utópico capitalista, de fato qual a sua função? Seria então um depósito de gente até o aguardado fim? Confesso não ter as respostas, mas é preocupante notar que os alunos querem apenas passar pela escola.

Não é só um problema da formação do aluno e nem sequer só da escola, mas de todo um modelo. A função social da escola não pode ser desprezada. Embora ela seja uma ferramenta fundamental da própria reprodução da sociedade, ela é também uma instituição composta por sujeitos. Ou seja, transformar a sociedade passa obrigatoriamente por transgredi-la e isso pode começar na escola. A questão não é por que estudar isso ou aquilo, mas porque fazer parte de algo que não me causa efeito nenhum, que não modifica minha vida em nada. O sonho capitalista se revigora mais e mais de um lado e do outro ele nem sequer surge, assim como nenhum outro sonho.

Os sujeitos comprometidos tem como primeira atitude revitalizar a crença dos seus estudantes na própria função transformadora que a escola deveria ter. Realçar a verdadeira miscigenação que é o espaço escolar público, são muitas histórias diferentes, que devem ser trocadas pelos alunos. A figura do professor é essencial nesse momento, não surgir como o inimigo autoritário, mas sim como a pessoa que é capaz de dizer coisas que mexam com a própria realidade do aluno. E para isso é preciso uma mudança das próprias formas de relação entre professor e aluno.

O desafio é imenso. No caso do Instituto de Educação Clélia Nanci que é um colégio enorme, fazer o aluno se sentir mais próximo do espaço e das pessoas num ambiente que por diversas vezes se demonstra hostil, é complicado. Porém quando eles abraçam a funcionária da recepção ou apertam as mãos de um professor e brincam com ele no pátio, são relações que não podem ser banalizadas. Existe algo que pode ser explorado e que quase sempre passa despercebido.

 

Marcio Ornelas Vieira é graduando em geografia pela UERJ - FFP.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 14:04
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Quarta-feira, 17 de Março de 2010
A geografia da sociedade globalizada e a questão ambiental

 

Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante
Geógrafo, Especialista em Ciências Ambientais;
Mestrando em Geografia pela
Universidade
Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.
cavalcantegeo@bol.com.br
 
 
Responda rapidamente:
 
Por que o Papa João Paulo II viajava tanto?
Por que o 11 de setembro de 2001 é inesquecível para a geopolítica mundial?
Por que a Nike fabrica seu tênis em toda parte do mundo?
 
 
            Porque estamos vivendo o fenômeno da globalização, processo que teve início no século XV, com as grandes navegações, e que se intensificou nessas últimas três décadas do século XX, propiciando a “mundialização” do espaço geográfico, fenômeno que ultrapassa os limites do nacional para atingir a universalização de idéias, valores, padrões e procedimentos, alcançando a esfera econômica, como também o quadro social, político, científico, informacional, cultural e ecológico.
            Parafraseando o geógrafo Milton Santos (1994), atualmente vivemos o chamado “período técnico-científico-informacional”, neste sentido, o mundo está conseguindo alcançar um grande avanço científico e tecnológico, o espaço geográfico é hoje caracterizado pelo domínio da tecnologia, da robótica e da biotecnologia.
            Testemunhos vivos deste período incorporados ao cotidiano humano, são, a saber: informática, computador, internet (sistemas http// e www), softwares, caixa 24 horas, telefone celular, chips, fibra ótica, código de barras, GPS, robôs, cartões magnéticos, DVD, MP3, satélites, viagens interplanetárias, animais clonados, transgênicos, cibercultura, etc.
            Diante destas parafernálias, o mundo está cada vez mais conectado, gerando a idéia de que o mundo está cada vez menor. As telecomunicações e a informática possibilitam imagens vistas em todas as partes do planeta, diminuindo o tempo e a distância da comunicação, um exemplo recente e concreto foi o atentado ao World Trade Center, episódio ocorrido nos EUA, em 11 de setembro de 2001, um exemplo terrível do qual fomos todos afetados. O mundo inteiro assistiu pela TV via satélite, simultaneamente ao acontecimento, as cenas de destruição das “torres gêmeas” que chocaram o mundo atribuído aos seguidores “terroristas” do Taliban de Bin laden. Assistimos ao espetáculo oferecido pela globalização em todos os ângulos visuais e compartilhamos a preocupação com o futuro da geopolítica mundial, quais serão as reações dos EUA perante o mundo? Onde será o próximo alvo?
           
O mundo em redes e fluxos: a geografia da sociedade global
 
            Hoje estamos vivendo o paradigma da sociedade nacional dando passagem à sociedade global. O conceito de sociedade nacional nasceu com a Revolução Francesa e com a hegemonia da burguesia. A sociedade global é uma sociedade nova, com novas relações, processos e estruturas engendrando em uma geografia sistemática de redes, fluxos, objetos e ações. E um conceito novo está surgindo, o da desterritorialização das coisas, das idéias, dos indivíduos.
            Mas, a globalização é um processo primordialmente econômico e tem em seu bojo o capitalismo – modo de produção baseado no capital, na mais-valia. São formas subalternas do capitalismo e momentos de globalização: o mercantilismo, o colonialismo, o imperialismo e a própria globalização como a entendemos hoje.
            Assim como a lógica capitalista, o processo de globalização é muito ambíguo e traz em sua essência inúmeras contradições. De acordo com Castells (1999, p. 120),
 
 
a economia global não abarca todos os processos econômicos do planeta, não abrange todos os territórios e não inclui todas as atividades das pessoas, embora afete direta ou indiretamente a vida de toda a humanidade.
 
 
            Diante desta realidade, não devemos ver a globalização como um produto sem erros de fabricação. Aí estão visíveis as lacunas que separam os ricos dos pobres e as nações desenvolvidas das subdesenvolvidas que estão aí a solicitar empréstimos e ajuda humanitária. Um outro defeito do espaço global é o desemprego estrutural que é crescente mesmo com o desempenho favorável de algumas economias. Postos de trabalho são eliminados pelas máquinas e muitos indivíduos são jogados ao terror da falta de emprego e de políticas que poderiam criar alternativas de trabalho para os cidadãos.
            Dentro do processo de globalização o desemprego não é privilégio apenas das nações pobres, pois se alastra em todos os países do globo e desafia a todos os defensores do mundo globalizado que não tem a fórmula correta para combater tal anomalia (Souza, 2006).
           
Apocalipse já: a questão ambiental na era globalizada
 
            Outro ponto que merece ser discutido no âmbito da sociedade global é a questão ambiental, assunto tão discutido teoricamente e pouco colocado em prática. A exploração abusiva dos recursos naturais coloca a humanidade diante de um apocalipse real, a catástrofe causada pelo aquecimento global, que se esperava para daqui a trinta ou quarenta anos já começou: aumento na temperatura, degelo nas zonas glaciares, aumento do nível do mar, desertificação, seca na Amazônia, furacões, ciclones atípicos no Brasil, são algumas mudanças provocadas pelo desmatamento, pela emissão de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, queimadas, poluição e contaminação bombardeiam o frágil equilíbrio das quatro esferas geográficas: atmosfera, litosfera, hidrosfera e biosfera acelerando a destruição da nave Terra.
            Se as conferências e encontros mundiais sobre o meio ambiente, como a Rio 92, a Rio +5 (1997), a Rio +10 (2002) e, recentemente a Conferência das Partes – COP 8, deixaram claro que a natureza é finita, limitada e que funciona dentro de um sistema interdependente e que precisa de cuidados para manter seu equilíbrio natural. Fica aqui a pergunta: o quê de fato os governos, empresas e a sociedade civil estão fazendo para reverter a velocidade de suas práticas econômicas antiecológicas?
            A princípio, temos uma resposta para a indagação acima: as informações e a preocupação com a saúde da natureza são colocadas em “xeque ou em cheque”, no Brasil, já existe uma nova indústria parecida com a da seca: é a “indústria do meio ambiente”, recursos destinados à proteção das florestas, dos rios e dos animais são desviados pelo Poder Público, pelas ONG’s e pelos organismos privados (Mariano Neto, 2003).
            O cenário ambiental atual é adverso, mas não justifica a inércia. Sabemos que para combater o aquecimento global, principal agente do desequilíbrio ambiental da Terra, é preciso utilizar cada vez mais fontes alternativas de energia e diminuir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.
            Sabemos que os seres humanos se adaptaram aos novos ambientes terrestres – essa é a chave do sucesso evolutivo da espécie humana. Mas um mundo mais quente pode ser cheio de surpresas, a maioria delas desagradável e catastrófico.
 
Quem ganha e quem perde na sociedade global
 
            No produto da economia global, a concretização do neoliberalismo, expressão econômica do mercado global, caracterizada pelas grandes incorporações internacionais interessadas na eliminação das fronteiras nacionais ou, mais precisamente, na remoção de qualquer entrave à livre circulação de seus capitais, tudo em nome de uma política de encolhimento e enfraquecimento do Estado.
            A mundialização da produção, da circulação e circuitos financeiros imediatos são manobrados pelo capital especulativo, que circula a uma velocidade luminar, com parada de metrô em cada uma das bolsas de valores mundiais. Incontroláveis, transitórios e deixando marcas irreversíveis no mundo do capital produtivo (Mariano Neto, 2003, p.53).
            Nas palavras de Milton Santos (1996, p.32) “todos os lugares são mundiais, mas não há um espaço mundial. Quem se globaliza, mesmo, são as pessoas e os lugares”.
            Diante deste fenômeno complexo e contraditório, os valores difundidos pela globalização no mundo atual que levam a desigualdade, a dependência e a exclusão de parte da população e dos países menos favorecidos, devem ser analisados dentro de uma ótica crítica diante de tais fatos concretos.
 
 
Referências bibliográficas
 
 
BRIGAGÃO, Clóvis; RODRIGUES, Gilberto. Globalização a olho nu. O mundo conectado. São Paulo: Moderna, 1999.
 
CARMO, Paulo Sérgio do. O trabalho na economia global. São Paulo: Moderna, 1998.
 
CASTELLS, Manuel. A era da informação: economia, sociedade e cultura. 2 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (Vol. 1: A sociedade em rede).
 
LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 2000.
 
MARANO NETO, Belarmino. Geografia: textos, contextos e pretextos para o planejamento ambiental. 1 ed. Guarabira: Gráfica São Paulo, 2003.
 
Revista Veja. Aquecimento Global. Os sinais do apocalipse. ed. 1961, ano 39, nº 24, 21 de junho de 2006.
 
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1996.
 
SOUZA, Francisco Djacyr Silva de. Dilemas e incertezas da Globalização. In: Revista Mundo jovem. Disponível em: <http://www.jornalmundojovem.com.br>. Acesso em 10 ago. 2006.
 
 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 20:20
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009
A Carta da Terra e o destino nosso em Copenhague

O que está em jogo em Copenhague  Leonardo Boff *


Em Copenhague os 192 representantes dos povos vão se confrontar com uma irreversibilidade: a Terra já se aqueceu, em grande, por causa de nosso estilo de produzir, de consumir e de tratar a natureza. Só nos cabe adaptamo-nos às mudanças e mitigar seus efeitos perversos. O normal seria que a humanidade se pergunta, tal como um médico faz ao seu paciente: por que chegamos a esta situação? Importa considerar os sintomas e identificar a causa. Errôneo seria tratar dos sintomas deixando a causa intocada continuando a ameaçar a saúde do paciente.É exatamente o que parece estar ocorrendo em Copenhague. Procuram-se meios para tratar os sintomas, mas não se vai à causa fundamental. A mudança climática com eventos extremos é um sintoma produzido por gases de efeito estufa que tem a digital humana. As soluções sugeridas são: diminuir as porcentagens dos gases, mais altas para os países industrializados; e mais baixas para os em desenvolvimento; criar fundos financeiros para socorrer os países pobres e transferir tecnologias para os retardatários. Tudo isso no quadro de infindáveis discussões que emperram os consensos mínimos.Estas medidas atacam apenas os sintomas. Há que se ir mais fundo, às causas que produzem tais gases prejudiciais à saúde de todos os viventes e da própria Terra. Copenhague dar-se-ia a ocasião de se fazer com coragem um balanço de nossas práticas em relação com a natureza, com humildade reconhecer nossa responsabilidade e com sabedoria receitar o remédio adequado. Mas, não é isto que está previsto. A estratégia dominante é receitar aspirina para quem tem uma grave doença cardíaca ao invés de fazer um transplante.
Tem razão a Carta da Terra quando reza: "Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo... Isto requer uma mudança na mente e no coração". É isso mesmo: não bastam remendos; precisamos recomeçar, quer dizer, encontrar uma forma diferente de habitar a Terra, de produzir e de consumir com uma mente cooperativa e um coração compassivo.
De saída, urge reconhecer: o problema em si não é a Terra, mas nossa relação para com ela. Ela viveu mais de quatro bilhões de anos sem nós e pode continuar tranquilamente sem nós. Nós não podemos viver sem a Terra, sem seus recursos e serviços. Temos que mudar. A alternativa à mudança é aceitar o risco de nossa própria destruição e de uma terrível devastação da biodiversidade.Qual é a causa? É o sonho de buscar a felicidade que se alcança pela acumulação de riqueza material e pelo progresso sem fim, usando para isso a ciência e a técnica com as quais se pode explorar de forma ilimitada todos os recursos da Terra. Essa felicidade é buscada individualmente, entrando em competição uns com os outros, favorecendo assim o egoísmo, a ambição e a falta de solidariedade.Nesta competição os fracos são vitimas daquilo que Darwin chama de seleção natural. Só os que melhor se adaptam, merecem sobreviver, os demais são, naturalmente, selecionados e condenados a desaparecer.Durante séculos predominou este sonho ilusório, fazendo poucos ricos de um lado e muitos pobres do outro à custa de uma espantosa devastação da natureza.Raramente se colocou a questão: pode uma Terra finita suportar um projeto infinito? A resposta nos vem sendo dada pela própria Terra. Ela não consegue, sozinha, repor o que se extraiu dela; perdeu seu equilíbrio interno por causa do caos que criamos em sua base físico-química e pela poluição atmosférica que a fez mudar de estado. A continuar por esse caminho, comprometeremos nosso futuro.
Que se poderia esperar de Copenhague? Apenas essa singela confissão: assim como estamos não podemos continuar. E um simples propósito: Vamos mudar de rumo. Ao invés da competição, a cooperação. Ao invés de progresso sem fim, a harmonia com os ritmos da Terra.

No lugar do individualismo, a solidariedade generacional. Utopia? Sim, mas uma utopia necessária para garantir um porvir.
[Autor de Homem: Satã ou Anjo bom?, Record 2008].
* Teólogo, filósofo e escritor
Leia o "JORNAL FRUTO DA TERRA",PROJETO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL FUNDAMENTADO NA CARTA DA TERRA



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 19:03
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NO PRINCÍPIO ERA A TERRA... E A FUNDAÇÃO DE UMA NOVA RADICALIDADE
Por Leonardo Boff
 
Nunca se falou tanto da Terra como nos últimos tempos. Parece até que a Terra acaba de ser descoberta. Os seres humanos fizeram um sem número de descobertas, de povos indígenas embrenhados nas florestas remotas, de seres novos da natureza, de terras distantes e de continentes inteiros. Mas a Terra nunca foi objeto de descoberta. Foi preciso que saíssemos dela e a víssemos a partir de fora, para então descobri-la como Terra e Casa Comum.Isso ocorreu a partir dos anos 60 com as viagens espaciais.
Os astronautas nos revelaram imagens nunca dantes vistas. Usaram expressões patéticas, como "a Terra parece uma árvore de Natal, dependurada no fundo escuro do universo", "ela é belíssima, resplandecente, azul-branca", "ela cabe na palma de minha mão e pode ser encoberta com meu polegar". Outros tiveram sentimentos de veneração e de gratidão e rezaram. Todos voltaram com renovado amor pela boa e velha Terra, nossa Mãe. Esta imagem do globo terrestre visto do espaço exterior, divulgado diariamente pelas televisões do mundo inteiro, suscita em nós sentimento de sacralidade e está criando novo estado de consciência. Na perspectiva dos astronautas, a partir do cosmos, Terra e Humanidade formam uma única entidade. Nós não vivemos apenas sobre a Terra. Somos a própria Terra que sente, pensa, ama, sonha, venera e cuida.Mas nos últimos tempos se anunciaram graves ameaças que pesam sobre a totalidade de nossa Terra.
Os dados publicados a partir de 2 de fevereiro de 2007 culminando em 17 de novembro pelo organismo da ONU Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, com os impasses recentes em Bali nos dão conta de que já entramos na fase do aquecimento global com mudanças abruptas e irreversíveis. Ele pode variar de 1,4 até 6 graus Celsius, dependendo das regiões terrestres. As mudanças climáticas possuem origem andrópica, quer dizer, tem no ser humano (capitalista) que inaugurou o processo industrialista selvagem, seu principal causador. Se nada for feito, iremos ao encontro do pior e milhões de seres humanos poderão deixar de viver sobre o planeta.Como destruímos irresponsavelmente, devemos agora regenerar urgentemente. A salvação da Terra não cai do céu. Será fruto da nova co-responsabilidade e do renovado cuidado de toda a família humana.Dada esta situação nova, a Terra se tornou, de fato, o obscuro e grande objeto do cuidado e do amor humano. Ela não é o centro físico do universo como pensavam os antigos, mas ela se tornou, nos últimos tempos, o centro afetivo da humanidade. Só temos este planeta para nós. É daqui que contemplamos o inteiro universo. É aqui que trabalhamos, amamos, choramos, esperamos, sonhamos e veneramos. É a partir da Terra que fazemos a grande travessia rumo ao além.Lentamente estamos descobrindo que o valor supremo é assegurar a persistência do planeta Terra e garantir as condições ecológicas e espirituais para que a espécie humana se realize e toda a comunidade de vida se perpetue.
 

Em razão desta nova consciência. falamos do princípio Terra

.

Ele funda uma nova radicalidade. Cada saber, cada instituição, cada religião e cada pessoa deve colocar-se esta pergunta: que faço eu para preservar a mátria comum e garantir que tenha futuro, já que ela há 4,3 bilhões de anos está sendo construída e merece continuar a existir? Porque somos Terra não haverá para nós céu sem Terra.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 19:00
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Sábado, 14 de Novembro de 2009
MURO DE BERLIM: 20 ANOS DA QUEDA

Yoani em Berlim, por Demétrio Magnoli

 

- Você ainda não está autorizada a viajar.

- E por qual razão?

- A razão desconheço.

- Não tenho nenhuma causa legal pendente, não estou sendo processada perante um tribunal.

- No momento, você não pode viajar.”

- Você sabe que esta é uma violação de meus direitos constitucionais. É como o direito à educação e à comida: o direito de poder se mover.

- No momento, você não pode viajar.

- Esta instituição que você representa, um dia acabará. Meus netos não viverão nessas condições. Este país é um grande cárcere, com uma fronteira ideológica, uma fronteira partidária. Os cidadãos aqui são julgados por cores políticas. Mas isso um dia acabará. Porque esta nação nada tem que ver com uma ideologia, nem com um partido. Esta nação existiu e existirá antes e depois de vocês.”

 

Esse diálogo, cuja íntegra está no blog Generación Y (http://www.desdecuba.com/generaciony), foi travado em 12 de outubro entre a blogueira cubana Yoani Sánchez e uma funcionária do Escritório de Imigração de Havana. A proibição de viajar, reiterada há mais de ano, impediu Yoani de receber o Prêmio Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Colúmbia, e de comparecer aos eventos de lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho, publicado pela Editora Contexto, que se realizam nestes dias no Brasil.

Yoani faz um dos blogs mais acessados do mundo, que é bloqueado na restrita internet cubana. Ela não se enquadra no jogo bipolar da política de seu país. Por erguer a bandeira da liberdade de expressão, é acusada pelo regime castrista de servir a “interesses contrarrevolucionários estrangeiros”. Por registrar que o embargo econômico americano funciona como pretexto útil para a ditadura dos Castros, é acusada pelo núcleo duro da oposição cubano-americana de Miami de operar para o serviço de inteligência de Cuba. A resposta encontra-se no seu livro, na forma de uma citação do compositor antifranquista espanhol Joaquín Sabina: Siempre que lucha la KGB contra la CIA, gana al final la policía.

O Muro de Berlim, ícone desmoralizante do “socialismo real”, caiu há 20 anos, mas uma réplica anacrônica subsiste ao redor da Ilha de Cuba, sob a forma da “fronteira partidária” denunciada por Yoani. Cuba não tem relevância econômica ou estratégica, mas possui colossal importância simbólica: o “grande cárcere” do Caribe representa, ainda hoje, a pátria ideológica da esquerda latino-americana. O episódio do lançamento do livro de Yoani no Brasil é uma aula inteira sobre o tema.

O consulado cubano de São Paulo recusou-se até mesmo a protocolar um convite da editora à autora para os eventos de lançamento do livro. Eduardo Suplicy (PT-SP), desafiando a ortodoxia de seu partido, pronunciou discurso no Senado solicitando a concessão da autorização de viagem. Por iniciativa de Demóstenes Torres (DEM-GO), o Senado dirigiu à Embaixada de Cuba um convite para Yoani debater o livro em audiência pública. Fernando Henrique Cardoso somou-se ao convite, por meio de carta ao governo cubano em que solicitava pessoalmente a permissão de viagem. Mas Havana nem sequer ofereceu uma resposta aos variados apelos – que não incluíram nenhuma voz do governo brasileiro.

Cuba e Brasil são signatários do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos da ONU, que consagra o direito de todos de sair de seu país e retornar a ele. A Constituição determina que o Brasil rege suas relações internacionais pelo princípio do respeito aos direitos humanos. Nada disso importa para Lula, que qualifica Fidel Castro como o “único mito vivo da história da humanidade”, nem para Celso Amorim, que sempre escolhe a palavra “democracia” para se referir a Honduras e a palavra “soberania” para se referir a Cuba. Nenhum dos dois emitiu uma mísera nota de apoio ao convite dirigido pelo Senado à escritora cubana.

O silêncio é amplo e sólido. Tarso Genro, o ministro do Arbítrio, deportou ilegalmente boxeadores cubanos ameaçados de perseguição, mas não moveu um dedo pelo direito legal de uma escritora independente falar ao público brasileiro. Paulo Vanucchi, chefe de um Ministério que ostenta no seu nome os direitos humanos, loquaz na defesa do estatuto de refugiado político do italiano Cesare Battisti, não pronunciou uma única palavra sobre o direito de viajar da cubana cujo “crime” é expressar suas opiniões. Eles não têm vergonha?

Yoani não vem ao Brasil porque o regime castrista pratica um abominável intercâmbio de direitos por fidelidade ideológica. A submissão ativa ao Partido é recompensada por um emprego cobiçado no setor turístico, pela almejada licença para comprar um automóvel ou pela preciosa autorização de viagem ao exterior. A coragem de dissentir é punida com a cassação tácita, jamais justificada, dos direitos inscritos na lei.

Num país que julga seu cidadãos “por cores políticas”, ninguém é verdadeiramente cidadão. Foi isso que Yoani disse no Escritório de Imigração, ao evidenciar o caráter totalitário de um regime que faz a nação se identificar com uma ideologia e um partido.

Os intelectuais de esquerda brasileiros, com honrosas exceções, pensam o mesmo que a ditadura castrista sobre a opinião independente. Anos atrás, num abaixo-assinado, solicitaram a demissão de um articulista que ousara criticar as ideias do palestino-americano Edward Said e há pouco fizeram um escarcéu coletivo em torno de uma palavra fora de lugar no editorial de um jornal. No caso de Yoani, porém, acompanharam o eloquente silêncio de Lula e seus ministros.

A sangrenta consolidação do stalinismo na URSS foi amparada por manifestos emanados da pena de intelectuais “humanistas” como Louis Aragon, Romain Rolland e Paul Sweezy. Nossos intelectuais de esquerda são os herdeiros legítimos deles. A régua com que medem direitos e liberdades é feita do mesmo maleável material ideológico que sustenta o Muro de Cuba.

Fonte: http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/?p=282



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 21:21
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Domingo, 13 de Setembro de 2009
A GEOGRAFIA E A IMPORTÂNCIA DO COTIDIANO PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENSINO FUNDAMENTAL

Márcio Balbino Cavalcante

 

Nos primeiros anos de escolaridade a preocupação com o tipo de aprendizagem que a criança tem é constante, pois os primeiros estágios de desenvolvimento cognitivo e as oportunidades para que a apropriação do conhecimento aconteça numa perspectiva de totalidade, torna-se muito importante, e neste andar, os conhecimentos prévios, as experiências vividas, valores e atitudes devem ser valorizados no processo educativo. Ao chegar à escola as crianças vem com uma bagagem construída através dos seus laços afetivos que formam seu cotidiano, isto é, chegam com uma carga de informações que não podem ser descartadas, ampliando sua visão de mundo, sem jogar fora a maneira de como está acostumada a ver esse mundo, de forma contínua, sem fragmentações.

Assim, a estrutura do comportamento vai se alterando, surgem novas maneiras de ler o mundo, as necessidades também vão mudando, as expectativas são outras, e os entendimentos das relações dirigem-se para um caráter mais abstrato, elaborando-se para o ato de pensar, para as crianças, pensar significa lembrar; no entanto para o adolescente lembrar significa pensar (VIGOTSKY, 1999).
Conforme vão crescendo, as crianças dão significados ao que vivem, percebendo as influências que acontecem na relação com o ambiente e com suas vivências, apropriam-se dos conhecimentos e habilidades. Estabelecendo relações espaço-temporais para chegar a outros planos, na busca de autonomia.
A criança é o sujeito deste processo e a partir desta fase constrói por si alguns valores e se espelha nas pessoas que o cercam para descobrir outros significados. O conhecimento é construído num complexo de interações com o meio físico e social promovido pelas atividades desenvolvidas e relações com toda a comunidade escolar no seu espaço vivido.

A importância do cotidiano no ensino de geografia

É no ensino fundamental que se deve oportunizar situações para os conhecimentos básicos, de maneira simples, criar um relacionamento de cumplicidade, através dos sentimentos, promover a reflexão sobre as ações, preservar o interesse e aproveitar as oportunidades criadas durante os trabalhos realizados em sala de aula e fora dela, para refletir sobre os conhecimentos globais e relacionar com o local, e nesta oportunidade, tentar identificar a subjetividade que está na cotidianidade. Com essa dinâmica, mais indagações surgem e encaminham novas atividades, estimulando novas descobertas.
O dia-a-dia dessas crianças é recheado de situações que acontecem em lugares, explica o geógrafo Milton Santos (1996), “cada localização é, pois, um momento do imenso movimento do mundo, apreendido em um ponto geográfico, um lugar. Por isso mesmo, cada lugar está sempre mudando de significação, graças ao movimento social: a cada instante as frações da sociedade que lhe cabem não são as mesmas”, os seus lugares, que possuem características próprias, com movimentos construídos por sujeitos ansiosos, e a procura de novas informações para resolver os problemas que lhe são imediatos e os atingem. Na vida dos alunos há um “espaço de vida cotidiano” demarcado por lugares fixos: casa-escola, interligados por itinerários. (FOUCHER, 2002).
Neste “espaço” é onde acontecem as interações que os alunos vêem como importantes, e é daí que se baseiam para compreensão do mundo. Para sanar dúvidas, entender o espaço e as relações atuais, buscam a compreensão na geografia. Nela as experiências educacionais tornam-se concretas porque estão inseridas na vida de cada um. Os gestos, as atitudes acontecem no “lugar-casa”, “lugar-escola”, “lugar-bairro” e assim por diante.
Na busca de um ensino de qualidade, e tentando eliminar a dicotomia entre teoria e prática a geografia proporciona a reflexão sobre a realidade podendo extrapolar algumas regras do ensino tradicional que funciona com horários e locais determinados, percebendo que o cotidiano dos alunos é vivido além das quatro paredes da sala de aula, descobrindo que pertencem a um conjunto de lugares e pessoas que influenciam no seu cotidiano, entendendo também que “significa geografizar esta noção de cotidiano que os geógrafos freqüentemente incorporam a partir da Sociologia, quando é possível fazê-lo a partir do próprio espaço, ou seja, da geografia, o que nos permitiria enriquecer os enfoques sociológicos” (SANTOS, 1996).
A aprendizagem da geografia nesta idade escolar tem uma dinâmica própria, com muito interesse por parte dos alunos, que sentem prazer pela descoberta, têm muita curiosidade, e principalmente aos assuntos ligados a “natureza”, em que as crianças têm contato direto, procurando conhecer o espaço, tentando entender as relações que ocorrem, olhando os detalhes que estão a sua volta, buscando um sentido para cada momento, nos acontecimentos, em cada ato. É neste momento que o professor da educação básica tem a tarefa de oferecer situações nas quais de forma participativa, com trabalhos em equipes, possam adquirir o conhecimento e ao desenvolver as habilidades, também permitem a organização deste conhecimento.
Nesta etapa, o trabalho realizado no concreto, acompanhando as atitudes que acontecem no dia-a-dia, proporciona o estudo dos conceitos, e o avanço no entendimento do local, da paisagem, compreendendo o funcionamento do modo de produção despertando para o processo de cooperação, onde as trocas de idéias e de experiências surgem dando autonomia crítica sobre o que acontece.

O cotidiano, a Geografia e a Educação Ambiental

É neste momento, que a geografia busca aliados que se entrosem e valorizem o cotidiano das crianças, como uma alternativa para a preparação de cidadãos que saibam lidar com a questão ambiental e perceber, que desde pequenos, pode-se mudar a concepção posta em questão, pois Santos (1996), diz que o cotidiano está estruturado a partir do homem como “dimensão da corporeidade, dimensão da individualidade e a dimensão da sociabilidade”, que fazem parte do espaço possuindo significações determinantes no contexto social.
É no andar de cada dia que vejo um caminho para a conscientização e sensibilização pautada nas relações com o ambiente, sendo incorporado pelos alunos demonstrando o tempo todo, através das suas atitudes que TUAN (2000) diz: “Atitude é primariamente uma postura cultural, uma posição tomada frente ao mundo”, e com seus sentimentos, valorizam o seu “habitat”, tornando “lei”, tudo que seus pais, amigos e professores contam sobre a sua realidade. Com essa postura perante o seu lugar, cria-se a possibilidade de dialogar sobre valores e comportamentos surgidos na sua rotina. É na dimensão da vida dos alunos que a educação ambiental vem contribuir, sem se limitar a pequenos temas.
Ao trabalhar com educação ambiental de forma compartimentada, ou com assuntos que estão em voga, como temas estritamente ecológicos, o tema qualidade ambiental não se reduz à abordagem realizada pela área das Ciências Naturais. Ela é muito mais ampla e deve ser estudada também pelas Ciências Humanas, mesmo porque a degradação ambiental é um processo de ordem social tanto na sua produção quanto nas conseqüências e seqüelas que se fazem sentir e/ou repercutem na sociedade. E são também nela, na sociedade, que se organizam os movimentos populares que propugnam a melhoria das condições de vida, do contrário, os objetivos não serão alcançados e a sociedade continuará devastando direta e indiretamente o planeta, sem saber realmente como isso aconteceu. Cabe trabalhar de uma forma interdisciplinar, não apenas “conectando” as disciplinas, buscando com o aluno, na sua vida, a investigação sobre o que interessa, ou necessita, puxando o diálogo, tornando a discussão cada vez mais rica, consolidando uma relação que levará às ações desejadas.
Se a educação for encaminhada dessa forma, a busca para pesquisar outros fatores do meio social fará com avancem e que todos fiquem atentos para realizar melhorias e criar condições de preservar e conservar o ambiente durante o processo da pesquisa, e depois dela. Criando condições para ter mais intimidade, o envolvimento com a pesquisa mostrará a situação da realidade, se estendendo ainda mais, motivando outros assuntos para discutir e detectar problemas, levando a perceber que há necessidade de explorar outros conteúdos relevantes às pessoas da comunidade.
A experiência do viver dá o suporte para que os conteúdos curriculares se tornem cada vez mais ricos e diversificados, também tornando as aulas atrativas, prazerosas e os alunos ávidos para a descoberta. A espontaneidade, viva, esplêndida nas crianças, que se manifesta em momentos inesperados, não pode passar despercebida, pois a “espontaneidade que é característica da cotidianidade.” (HELLER, 2002). Isso surge quando os alunos colocam o que sentem o que vêem, quais são os cheiros, cores, gestos e atos que podem surpreender a todos podendo alertando para novas idéias, levando-os a refletir sobre sua prática diária.
No dia-a-dia, outros fatores como o consumismo aparecem, como conseqüência de um sistema que está posto, estimulado por todos os meios, elaborando padrões de consumo, motivam a criação de materiais  que  incentivam e impulsionam a degradação, passam, despercebidos.  Pior ainda, são estimulados primeiramente através das crianças, como bem útil e agradável, fazendo com que não se contenham envolvidos pelo prazer, nem percebem que junto ao produto acompanha algo que prejudicará o seu meio, a sua vida. Se a educação ambiental se fizer presente, neste momento, com suas orientações, as crianças terão outra concepção, agirão na natureza e tratarão suas relações com outros objetivos, e sua interação com o planeta será honesta e verdadeira.

Conclusão

A prática pedagógica da geografia permite trabalhar com os recursos naturais, sua ligação com a sociedade, numa dinâmica que a Educação Ambiental possa abraçar outras disciplinas considerando não apenas os espaços naturais como referência para as atividades. Ultrapassando a tendência de trabalhar somente com temas específicos, partimos para o trabalho de entendimento sobre as causas, conseqüências, e que tipo de relações econômicas e culturais há entre a humanidade e a natureza que está desencadeando esta situação. Ainda, que procedimentos devem ser adotados, com as plantas e animais, formas de preservação, conservação e recuperação do ambiente, sem separar o meio físico dos outros seres vivos.
Entender o ambiente como um todo, com um olhar para uma estrutura articulada e integrada, trabalhar a questão da consciência e sensibilização, aprofundar o conhecimento, enfatizar o trabalho com as atitudes e habilidades, bem como, chamar todos para a participação.  
Com estas condições a educação ambiental não afasta as especificidades da geografia e das outras disciplinas, pelo contrário, tem a oportunidade de aprofundar os conceitos com empenho e o compromisso de resgatar as manifestações dos alunos e convidá-los para pensar e agir sobre as adversidades que poderão encontrar.
Não querendo simplificar, nem cair no reducionismo, insisto na atenção e valorização das ações coletivas, e a perspicácia de observar e perceber os fatores do cotidiano dos alunos, observando a integração, os movimentos que ali acontecem e que devem servir como exemplo, alternativa e estratégia educacional, estimulando as crianças, a entender o seu “espaço”, formando um cidadão que conhece o ambiente do seu lugar.

HELLER, Agnes. Para mudar a vida: felicidade, liberdade e democracia. São Paulo: Brasiliense, 2002.
LUCKESI, Cipriano Carlos.  Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.
REIGOTA, Marcos. A Floresta e a Escola: por uma educação ambiental pós-Moderna. São Paulo: Cortez, 1999.
SANTOS, Milton.  Espaço e Método. São Paulo: Nobel, 1996.
TUAN, Yi-Fu. Topofilia: Um estudo da percepção, atitudes e valores do meio Ambiente. São Paulo: Difel, 2000.
FOUCHER, Michel. A Geografia, Apesar de Tudo. In: VESENTINI, José William. Geografia e Ensino: textos críticos. 2a ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2002.
VYGOTSKI, L.S. A Formação Social da Mente – O desenvolvimento dos Processos Psicológicos Superiores. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1999.

Publicado em 23/03/2009 12:40:00


Márcio Balbino Cavalcante - Professor e Consultor na área de Educação e de Meio Ambiente. É graduado em Geografia - UEPB; Pós-graduado  em Ciências Ambientais - FIP/PB; Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação do município de Passa e Fica - RN. Professor de Geografia na Escola Estadual Sen. João Câmara, Passa e Fica - RN.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 01:32
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Mais da metade do cerrado brasileiro já foi desmatada

O cerrado brasileiro já perdeu quase metade de sua cobertura florestal original, revelam dados preliminares de um estudo inédito do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente. Uma área de quase um milhão de quilômetros quadrados foi devastada pelo avanço de plantações de soja, da pecuária e da exploração de madeira para produção de carvão para siderúrgicas, informa Catarina Alencastro em reportagem publicada no domingo passado no jornal Globo, 06-09-2009. Só de 2002 a 2008, pelo menos 120 mil km² teriam sido destruídos. Os números oficiais deverão ser divulgados na próxima sexta-feira, Dia do Cerrado.
Principal produtor de grãos do país, o cerrado brasileiro responde por 5% da biodiversidade do planeta e é considerado a mais rica savana do mundo. É estratégico na área de abastecimento de água e energia, pois abriga nascentes das três principais bacias hidrográficas brasileiras. O Ministério do Meio Ambiente prepara um plano de preservação da região, com monitoramento periódico dos índices de desmatamento, como ocorre na Amazônia.
- É uma taxa alta, mas não é surpresa, porque o Cerrado vem sofrendo com o desmatamento desde os anos 1970. A má notícia é que continua acontecendo - disse Braulio Ferreira de Souza Dias, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.
- Nesse ritmo, em pouco tempo vamos chegar a um estado preocupante. Se a gente comparar com a Mata Atlântica, que levou mais de 500 anos para perder 93% de sua cobertura, o Cerrado está sendo destruído muito mais rapidamente - observou Cesar Victor do Espírito Santo, do Conselho da Rede Cerrado, que congrega mais de cem ONGs.
Segundo o último estudo oficial, feito pela Embrapa Cerrados com base em dados de 2002, 39% do bioma haviam sido destruídos até aquele ano. Os dados a serem apresentados esta semana tiveram mudança na metodologia e dão conta de que o desmatamento ocorrido até aquele ano era um pouco maior: 42%. No período estudado pela Embrapa, as áreas com menor preservação eram encontradas na porção sul do Cerrado: sul de Goiás, Triângulo Mineiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Fonte: MST / Jornal O Globo.


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 01:28
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
PANDEMIA DO LUCRO - A GRIPE SUÍNA

Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe porcina???
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se
podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia
evitar com um simples soro que custa 25 centavos.

Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades evitáveis com vacinas baratas, provocam a
morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!
Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves?
os noticiários mundiais inundaram-se de noticias?

Uma epidemia, a mais perigosa de todas? Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.
Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10anos? 25 mortos por ano.

A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.
Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?
Porque atrás desses frangos havia um ? galo?, um galo de crista grande.
A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú  vendeu milhões de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.
Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.

-Antes com os frangos e agora com os porcos.

-Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso?
-Já não se fala da crise econômica nem dos torturados em Guantánamo? Só a gripe porcina, a gripe dos porcos?

-E  eu me pergunto: se atrás dos frangos havia um ?galo?, atrás dos porcos? não haverá um ? grande porco??

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal acionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro,
Donald Rumsfeld, secretario da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque?
Os acionista das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso
Tamiflú.
A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.
Não nego as necessárias medidas de precaução que estão sendo tomadas pelos países. Mas, se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação;
Se a  Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o
fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?
Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos a todos os países, especialmente aos pobres, essa seria a melhor solução.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 13:11
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Agricultura orgânica, por um consumo consciente¹

Por Márcio Balbino Cavalcante

 

Sistema de produção que tem por objetivo preservar a saúde do meio ambiente, a biodiversidade, os ciclos e as atividades biológicas do solo, a agricultura orgânica enfatiza o uso e a prática de manejo em oposição ao uso de elementos estranhos ao meio rural. Exclui, portanto, o uso de fertilizantes sintéticos de alta solubilidade e agrotóxicos, além de reguladores de crescimento e aditivos sintéticos para a alimentação animal.
 Utilizando o conhecimento popular e científico, a agricultura orgânica promove a biodiversidade, os ciclos biológicos e a qualidade natural do solo. Tem como base o uso mínimo de produtos que não pertençam ao ecossistema em questão, e a gestão para recuperar, manter ou promover a harmonia ecológica.
A intenção principal da agricultura orgânica é otimizar a produtividade de comunidades interdependentes, considerando o contexto social e a saúde do solo, das plantas, dos animais e das pessoas. Entende-se que seres humanos saudáveis são frutos de solos equilibrados e biologicamente ativos, implicando adoção de técnicas integradoras e apostando na diversidade de culturas.

O cenário da agricultura orgânica no Brasil

           O Brasil está se consolidando a cada vez mais como um grande produtor e exportador de alimentos orgânicos. Como fornecedor é o sétimo colocado no Mercado Comum Europeu. Atualmente são produzidas 300 mil toneladas de orgânicos por ano, movimentando um mercado de aproximadamente US$ 70 milhões. Já existem no país cerca de 15 mil propriedades certificadas e em processo de transição, 70% delas pertencem a agricultores familiares.
        O Brasil responde por 3,77% do consumo mundial, com cerca de US$ 100 milhões por ano, e vem experimentando um bom crescimento médio anual de mercado em torno de 30%, acima dos índices europeus que está na ordem de 15 a 20%.
           O apoio à produção orgânica está presente em diversas ações do governo brasileiro, que oferece linhas de financiamento especiais para o setor e incentiva projetos de transição de lavouras tradicionais para a produção orgânica.
 No entanto, se considerarmos o cenário mundial de aumento da demanda de alimentos, notadamente proteínas animais e insumos para a sua produção, as perspectivas serão altamente  favoráveis para o aumento da participação brasileira, sobretudo nos mercados de frutas tropicais, carnes em geral e outros produtos básicos.
A legislação brasileira através da Instrução Normativa Nº 007, de 17/5/1999, do Ministério da Agricultura, dispõe detalhadamente sobre as normas de produção, tipificação, processamento, envase, distribuição, identificação e certificação da qualidade para os produtos orgânicos de origem vegetal e animal. Este procedimento é importante porque é o que vai oferecer elementos para que o mercado, de maneira geral possa ter a garantia de que está adquirindo um item que obedece às normas legais  estabelecidas para o produto orgânico.
 
A importância da agricultura orgânica

               A consolidação da agricultura orgânica no Brasil representa um aumento na oferta de produtos reconhecidos por instituições certificadoras e outros segmentos aptos a disputarem os competitivos mercados internacionais.
               A importância que a produção orgânica vem assumindo no mercado de alimentos exige que procedimentos regulamentares sejam estabelecidos de forma a assegurar aos componentes da cadeia produtiva a transparência nas trocas.
               Nos últimos dez anos, governos e sociedades de diversos países, inclusive o Brasil, tem discutido o papel do Estado na produção, distribuição e consumo dos produtos orgânicos. O assunto envolve questões de políticas publicas particularmente àquelas ligadas aos procedimentos de regulamentação. 
Entre os atributos de qualidade, cada vez mais os produtos  relacionados à preservação da saúde ganham força. Emergem também atributos de qualidade ambiental dos processos produtivos, em especial aqueles relacionados à proteção dos mananciais e da biodiversidade.  Como decorrência, cresce as demandas por processos de certificação de qualidade e sócio ambiental para atender a rastreabilidade do produto e dos respectivos sistemas produtivos a partir de movimentos induzidos pelos consumidores.
Baseados na preferência do consumidor começam a existir grandes oportunidades para novos produtos não tradicionais, principalmente aqueles voltados para exportação e para nichos de consumo emergentes no mercado interno.
               Os números são expressivos, mas mesmo considerando o rápido crescimento dos últimos anos, o segmento de alimentos orgânicos ainda pode ser considerado como um nicho de mercado. As vendas de orgânicos representam apenas uma pequena parcela do total de alimentos vendidos, não mais que 3 a 4%.       
               Os dados indicam que existe um potencial enorme de crescimento para este setor em todo o mundo. Os desafios da produção orgânica estão na ampliação do que ainda é considerado "nicho", não passando de 1% a 2% do mercado de alimentos. Os recentes estudos concluem que o crescimento de produtos ocorre principalmente em países industrializados. Neste sentido, o desafio é desenvolver mercados locais, sobretudo em países considerados "em desenvolvimento", como é o caso do Brasil
 
 ¹Artigo publicado na Revista Mundo Jovem, julho de 2009. http://www.mundojovem.com.br/jornais-07-2009.php


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 14:45
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
ALGUMAS PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A “GRIPE SUÍNA”

[New Scientist, 26 de abril de 2009]

 

Pergunta: Posso comer carne de porco? Resposta: De início é bom esclarecer que a denominação “gripe suína” NÃO quer dizer que seja um vírus que infecta suínos, mas sim pela semelhança de uma de suas proteínas com as proteínas de vírus que geralmente infecta esses animais. Tal vírus ainda não foi detectado em porco, mas sim em seres humanos.

P.: Quem deve se preocupar?

R.: Há motivos para preocupações ao se observar que dentre as 81 pessoas que morreram (até 26/abril/2009) com essa gripe no México, a maioria era jovens adultos. Portanto, seu potencial mortal é grande. Resta saber quão severo é seu potencial de disseminação.

P.: Poderá se disseminar para outros países, podendo chegar ao Brasil?

R.: As viagens internacionais, hoje, são muito comuns e freqüentes. Há informações de que alguns países já estão utilizando câmeras de raios infravermelhos, nos aeroportos, para detectar pessoas com febre e que estejam vindo de locais conhecidamente afetados (do México e Estados Unidos).

P.: E qual é seu potencial de disseminação?

R.: Como as pessoas infectadas nos Estados Unidos não entraram em contato com porcos, nem comeram carne de porco, e nem tiveram contato umas com as outras, sabe-se que esse vírus é transmitido entre seres humanos, suspeitando-se que foram necessárias algumas semanas para que isso acontecesse. Investiga-se agora que tipo de contato essas pessoas tiveram com outras possivelmente infectadas; e daí podermos ficar sabendo sobre quão facilmente (ou não) o vírus se dissemina.

P.: Há medicamento e vacina contra a gripe suína?

R.: Não há vacina disponível. A gripe tem se mostrado suscetível ao medicamento antiviral “Tamiflu”; sem se saber por quanto tempo permanecerá assim ou se desenvolverá resistência.

P.: Qual seria então o motivo para tanta preocupação? Há risco de pandemia?

R.: É possível. Principalmente porque é mais um “novo vírus”. E como vírus de gripe está sempre “evoluindo”, ou seja, a maioria sofre modificações estruturais nas proteínas de sua superfície (do envelope), cada novo vírus dispõe de mecanismos para “enganar” as defesas de nosso sistema imunológico. Conhecem-se hoje 16 diferentes famílias de vírus com diferentes proteínas de superfície; além do fato de que os vírus trocam entre si genes. Um exemplo de possível resultado: proteínas de superfície de vírus de porco ou de vírus da gripe aviária poderão circular entre pessoas. Daí, uma pandemia poderia ocorrer. O vírus da gripe suína é da família de vírus H1N1; a mesma família de vírus da pandemia de 1918, a gripe espanhola que matou cerca de 50 milhões de pessoas. Observações: 1) a gripe aviária, vírus da família H5N1, segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, matou 257 pessoas em 2003, das 421 infectadas (de 15 países); 2) gripes estacionais (ou sazonais) matam a cada ano no mundo, entre 250 mil e 500 mil pessoas; e a cada poucas décadas surge uma nova linhagem de gripe que pode ser pandêmica.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 02:32
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2009
Temos realmente algo para comemorar no Dia da Terra?

Por Eloy F. Casagrande Jr, PhD

 

O Dia da Terra começou em 22 de abril de 1970 quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. O senador neste ano viajava por diversos estados americanos denunciando a degradação ambiental pelo qual estava passando os Estados Unidos e tentando convencer o governo do presidente John Kennedy a colocar a preocupação com o meio ambiente na sua agenda. Com a Guerra do Vietnã em alta, pouca coisa avançou oficialmente, mas os esforços se pagaram e mais de 20 milhões de pessoas organizarão demonstrações e protestos em vários estados americanos. Somente a partir de 1990, que o Dia da Terra começou a ser festejado em todos os países.

Mas afinal o que temos para comemorar no Século 21, nos 39 anos do Dia da Terra?

A começar pela crise ambiental que se aprofundou ao ponto do Planeta estar na eminência de um colapso do clima devido ao aquecimento global! De termos destruído quase todas nossas florestas nativas, poluído rios e mares, envenenado solos férteis com tanto agrotóxico e de quebra colocarmos dezenas de espécies na lista de extinção! Certamente temos uma minoria consciente que vem fazendo alguma coisa nestes quase 40 anos…mas será o suficiente para deixarmos um Planeta habitável para as futuras gerações?

No livro “Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso”, o geógrafo Jared Diamond nos conta com dados históricos e científicos como ocorreu o “eco-suicídio” de grandes civilizações, isto é, as que exploraram em excesso os recursos naturais, movidos pela necessidade ou pela imprevidência, caminharam para o fracasso e sua total extinção. Ao contrário daquelas que entenderam a tempo que a continuidade da vida estava intimamente associada às suas capacidades de se adaptarem às mudanças. Sociedades que souberam cuidar dos seus recursos naturais foram mais bem sucedidas ao se antecipar às alterações climáticas e ambientais de modo a conseguir sobreviver à elas.

Mesmo no meio da atual crise financeira, os Estados Unidos ainda são o Xerife da Terra. Será que o Obama terá a capacidade de liderar uma revolução sustentável para que todos os países comecem a reverter nosso eco-suicídio? Não bastará apenas os Estados Unidos aderir ao novo protocolo que substituíra Quioto em 2012 para maior controle das emissões dos gases do Efeito Estufa (GEE). Se realmente queremos salvar o Planeta, deverão haver acordos e comprometimentos reais para que haja reduções de GEE que podem chegar a 80%, conforme sugere os relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês). Obama guerreiro irá liderar a batalha contra o lobby da indústria do petróleo para que estas metas sejam alcançadas? Poderemos ter uma economia mundial que não esteja baseada apenas em bancos e montadoras de automóveis?

E o que dizer do país que canta no seu hino “teus risonhos, lindos campos têm mais flores” e "nossos bosques têm mais vida", onde um bando de deputados federais do agronegócio querem derrubar o código florestal, a única lei que ainda garante que não seja destruído o pouco que restou das nossas florestas e matas ciliares! Em Santa Catarina o código já foi derrubado! Terá força o Minc ou caíra como Marina?
E agora José? ou melhor Luís Inácio? O Obama disse que você é cara! Então mostra tua cara e diga ao que veio...um Brasil para seus netos? Ou um Brasil sem florestas, desfigurado?
 

Eloy F. Casagrande Jr, PhD – eloy.casagrande@gmail.com
 



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 19:20
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009
NA ANTÁRTICA A PERDA E O GANHO DE GELO COMPROVAM AQUECIMENTO GLOBAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PERDA DE GELO. A notícia já percorre o mundo, via “cyberspace”: uma ponte de gelo (Wilkins) ligando duas ilhas na Antártica, Charcot e Latady, rompeu-se. As fotos acima (imagens do “Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer – MODIS”, instalado no satélite Aqua, da NASA) mostram o rompimento. Na imagem da esquerda (de 31/março/2009) vê-se a ponte

ainda intacta, apresentando a aparência “lisa”, sem quebras. Poucos dias depois (em 06/abril/2009) foi obtida outra imagem, a foto da direita, em que a ponte aparece despedaçando-se. Desde 2008 a “European Space Agency” vem acompanhando a existência e quebra da ponte de Wilkins. A ponte Wilkins é a décima, das maiores plataformas, a sofrer colapso nos anos recentes. Uma prova de que há elevação de temperatura perturbando o frágil equilíbrio da criosfera do nosso planeta.
Embora o colapso dessa ponte de 13 mil km quadrados não exerça ação direta no aumento do nível do oceano, sua desintegração indiretamente reduzirá a estabilidade das geleiras que “a alimentam”. Christian Lambrechts, do departamento de advertências e estudos da “UNEP – United Nations Environment Programme” (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) afirma que tal colapso exporá nova área da superfície do oceano, que assim absorverá mais radiação solar, contribuindo para o contínuo e acelerado aquecimento da região.
A lição maior aprendida com esse fato é de que as modificações na Antártica estão ocorrendo mais rápido do que se pensava. No início da década de 1990 estimava-se que em 30 anos ocorreriam fenômenos como esse. E ainda, segundo a pesquisadora Angelika Humbert, do Instituto de Geofísica da Universidade Münster, Alemanha, isso serve como advertência de que as plataformas de gelo da Antártica são potencialmente instáveis em escalas curtas de tempo.
GANHO DE GELO. A revista inglesa “New Scientist” já divulgara em 01/junho/2002, em artigo intitulado: “Está mais quente mas, há mais gelo”, que apesar das notícias sobre colapso de plataformas de gelo, há acréscimos de uns 200 mil quilômetros de gelo na Antártica. Mas os céticos do aquecimento global talvez concordem (ou não) com a seguinte possível explicação: um aumento da precipitação de neve vem ocorrendo como resultante de maior umidade proveniente da evaporação da água devido ao aumento da temperatura. Com isso, análises de dados obtidos nos últimos 20 anos de observação das imagens de satélite contradizem as previsões de que metade do mar de gelo da Antártica desaparecerá no século vindouro. Ou seja, as precipitações extras de neve superariam o derretimento das geleiras pelo aumento da temperatura atmosférica (do aquecimento global). Estima-se que o mar de Ross tenha mais 13% de gelo do que em 1979.
Mas há observações de que tal crescimento em geleiras é localizado; e que em algumas áreas o derretimento supera o acréscimo de geleiras. Algumas geleiras, como a de Larsen, tem ciclos de acréscimo e derretimento.
Mais geleiras mais água doce no oceano e daí... com esse aumento o oceano torna-se mais estável, reduzindo-se a transferência de calor proveniente de sua zona mais profunda. Isso facilita o congelamento da água, que assim refletirá mais a radiação solar incidente, contribuindo para reduzir (vagarosamente) o efeito do aquecimento global. Essa situação na Antártica está em contraste gritante com a região Ártica, onde já vêm sendo registradas perdas de 40% da camada de gelo de verão nos últimos 50 anos.

 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 01:52
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Domingo, 22 de Março de 2009
Água potável: desafios e dilemas no século XXI*

Por Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante[1]

 
A idéia de que a água é o recurso mais abundante no Planeta Terra não é incorreta, porém, pouco destaque dava-se ao fato de que desta grande abundância, apenas 0,008 % está disponível ao consumo humano, o restante é constituído por águas salgadas, geleiras e águas subterrâneas de difícil captação. A escassez de água potável é hoje um problema crônico em diversas regiões do mundo, como na África e Ásia.
            O Brasil é privilegiado em recursos hídricos. Com 17% de toda a água doce do planeta, conta com a maior área continental úmida do mundo, o Pantanal, e a mais extensa floreta alagada, a várzea amazônica. Teoricamente, cada brasileiro tem cerca de 34 milhões de litros de água à sua disposição. Apesar de todo esse potencial, o país
ainda sofre com a falta de água, o risco de desabastecimento em larga escala pode surgir, tanto no País, decorrente principalmente da utilização inadequada da água.
O Brasil apresenta uma situação de exploração e uso predatório de seus recursos. A poluição das águas, o assoreamento dos rios e o desperdício contribuem para o problema da escassez. Conforme dados do IBGE (2009), as empresas de abastecimento de água brasileiras apresentam índices de perda de água tratada de até 60%. Nas nações desenvolvidas, esses números chegam a no máximo 20%. Por isso, o Brasil é considerado um dos campeões de desperdício de água no mundo.        
            A constatação geral, nesse início de século, é que a água potável do planeta está acabando e num futuro próximo será um recurso extremamente valioso, capaz de sustentar potências mundiais ou provocar guerras, a exemplo do que acontece hoje com o petróleo. No meio dessa discussão, quando o mais sensato seria conservar essa riqueza a todo custo, estudos apontam para a contaminação do maior reservatório subterrâneo de água doce conhecido no mundo, o nosso Aqüífero Guarani, localizado no sudeste e norte do país, são 45 mil quilômetros cúbicos de água subterrânea, num total de aproximadamente 1,2 milhões de km2 quadrados de área. Em termos de abastecimento, significa dizer que ele pode suprir as necessidades de uma população de 150 milhões de pessoas durante 2,5 mil anos. Com a vantagem adicional de que a água subterrânea, geralmente, não precisa ser tratada para o consumo, pois a filtragem natural das rochas pode alcançar um nível de qualidade que dificilmente seria atingido pelos processos tradicionais.
As causas básicas do crescimento da demanda de água são: o crescimento da população, a urbanização e a expansão da agroindústria, e as perspectivas para o futuro são preocupantes.
Com as perspectivas existentes para as primeiras décadas do século XXI, quanto ao crescimento populacional, o desenvolvimento das cidades deverá respeitar os limites da natureza. As esferas governamentais deverão impor restrições ao crescimento desordenado das cidades, distribuindo de forma racional os centros urbanos, com vistas a minimizar os impactos sobre os recursos hídricos e bens naturais, evitando assim, uma elevação nos custos da manutenção das necessidades básicas de água das populações.
            Além das fontes comumente utilizadas para o abastecimento, como é o caso dos nossos rios e nascentes, primeiros a sofrer a sofrer ações negativas da nossa urbanização, condenados a serem depósitos de lixo.
As alternativas exitosas que poderão ser utilizadas para o abastecimento no futuro, podem ser elencadas: a reutilização da água resultante do tratamento de esgotos, também conhecida como água de reuso (esta alternativa por receber um tratamento mais simples e barato que a água potável, possui um preço final menor).
Uma outra alternativa que podemos citar é a utilização da água da chuva para fins alternativos. Essa possibilidade somente será viável em aplicações que dispensam o tratamento de potabilidade, e somente terá eficiência se adotada em locais onde houver incidência de chuvas periódicas. Com a adoção desta medida, obteríamos reduções nos volumes consumidos de água potável, trazendo benefícios econômicos para os consumidores e benefícios ambientais para a sociedade em geral.
A educação ambiental como forma de preservar e demonstrar a importância dos recursos hídricos é um assunto que somente começou a ser abordado no final da década de 70. Até hoje, em pleno século XXI, não é difícil encontrar pessoas que não consideram a importância do problema da escassez da água potável.
A educação ambiental surge como um forte aliado na luta pelo desenvolvimento de uma nova consciência social, política e ecológica comprometida com a preservação das gerações futuras, que passa pelo reconhecimento da fragilidade da Terra, dos limites finitos dos recursos naturais, da nossa dependência do ar, da água, da luz, do calor, da afinidade com todas as formas de vida do planeta, em especial a espécie humana.
Faz-se necessário ressaltar, que embora a água seja a substância mais abundante do planeta, apenas uma pequena parte do total existente no mundo é viável à captação e ao consumo, não estando presente na forma de geleiras, água salgada ou no subsolo a grandes profundidades. A poluição ocasionada pelo uso irresponsável dos recursos hídricos e o crescimento populacional vêm agravando esta realidade.
Contudo, conclui-se que as perspectivas para a gestão da água potável no Brasil são preocupantes, uma vez que o crescimento demográfico e a expansão urbana desordenada vêm atingindo índices muito superiores, se comparados às possibilidades de utilização das fontes de abastecimento, fazendo com que a água seja qualificada como o petróleo do século XXI e conseqüentemente, motivo de disputas entre os países do globo, ocasionando a geopolítica da água.
            Para concluir, saliento que para o problema da escassez da água seja minimizado deve ocorrer a união de esforços, cabendo, portanto, à população conscientizar-se sobre o tema, participando das discussões junto aos comitês de bacias. Às empresas cabe a adoção de tecnologias capazes de reduzir a demanda e o despejo de efluentes nos corpos hídricos. Ao governo, resta a aplicação da legislação existente através da fiscalização do uso dos recursos hídricos e coibindo sua degradação. Somente desta forma se conseguirá reduzir os efeitos deste problema.
 
                                                                                 

 

*Texto para reflexão ao dia 22 de março - Dia mundial da Água.

[1] Geógrafo - Universidade Estadual da Paraíba - UEPB. Pós-graduado em Ciências Ambientais - FIP/PB. Pesquisador do Terra - Grupo de Pesquisa Urbana, Rural e Ambiental da UEPB/CNPq. É Professor visitante  do Instituto Superior de Educação de Cajazeiras – ISEC e Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação. cavalcantegeo@bol.com.br
Artigo publicado na Revista Virtual P@rtes (ISSN 1678-8419), 22 de março de 2009.


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 14:33
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Sábado, 21 de Março de 2009
Aquecimento Global - Opinião de Aziz Nacib Ab´Sáber¹

¹Entrevista concedida para a revista National Geographics, de setembro de 2007.

Aziz Nacib Ab’Sáber

 

 

Opinião divergente

Desde que o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) divulgou seu terceiro relatório, em mato, as discussões sobre o aquecimento global pegam fogo. Alguns cientistas afirmaram que o painel da ONU foi cauteloso demais - futuro do planeta pode ser ainda mais sombrio. Outros discordam dessas conclusões e advogam contra o exagero e o alarmismo. Neste time joga o geógrafo brasileiro Aziz Nacib Ab’Sáber. “É claro que não nego o aquecimento global? Mas há muito desconhecimento sobre como suas consequências podem afetar o Brasil’; adverte ele. Formado em geografia pela USP em 1944, especialista em geomorfologia e considerado um dos mais importantes um ambientalistas do pais, o professor Aziz conhece como poucos a paisagern natural do Brasil e suas relações com o clima. Às vésperas de completar 83 anos, tem cerca de 300 artigos publicados, escreveu oito livros, deu aulas em várias universidades e, entre outros cargos na academia, foi presidente executivo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entre 1994 e 1995. Mesmo aposentado, todas as noites comparece ao Instituto de Estudos Avançados da USP onde é professor honorário, e vibra como um pesquisador iniciante ao mostrar mapas e imagens do Nordeste feitas por satélite.

Por que o senhor afirma que o aquecimento global não destruirá a Amazônia nem a mata Atlântica?

 

Houve muito alarmismo nessa questão. Embora algumas afirmações tenham sido feitas por bons cientistas, muitas conclusões foram divulgadas de forma equivocada. Logo me irritou a afirmação de que a Amazônia desaparecerá e o cerrado tomara conta de tudo. Como há décadas estudo o problema das flutuações climáticas e o jogo do posicionamento parcial dos grandes domínios geográficos brasileiros, senti-me ofendido culturalmente. Não havia ciência na afirmação.

 

Sua teoria envolve uma mudança fundamental nas correntes marítimas, certo?

 

Em nosso litoral existe a chamada corrente tropical sul-brasileira. É uma corrente de águas quentes que desce o Nordeste oriental até o sudeste de Santa Catarina. Essa corrente tem um contrafluxo representado pela corrente das Malvinas, ou Falklands, que vem da Argentina, é composta de águas muito frias e segue quase até o Rio Grande do Sul, uma das consequências do aquecimento global é que essa corrente tropical sul-brasileira ficará mais larga, ocupando uma área mais afastada da costa e irá avançar mais para o sul do Brasil sobre a corrente fria. Portanto, essa corrente quente levará mais calor para as regiões localizadas entre a Argentina, o Uruguai e o Rio Grande do Sul, que hoje vivem um conflito entre águas frias e quentes. Com essa massa de água quente que chegará, a evaporação sera mais intensa. Podemos deduzir que vai haver maior penetração de umidade no continente.

 

O que isso significará?

 

Com maior umidade, choverá mais. Por isso, nesse caso o aquecimento global maior representara um aspecto negativo do ponto de vista da climatologia da fachada atlântica do Brasil. Portanto, não se pode dizer que a mata Atlântica será atingida por ele. Ao contrário. A tendência é que tanto a mata Atlántica como a Amazônia cresçam, e não que sejam reduzidas. Isso já aconteceu a antigamente, num período entre 6 mil e 5 mil anos atrás chamado de optimínum climático. Naquela época também houve um aquecimento do planeta, mas foi natural, e não causado pelo acúmulo dos gases na atmosfera, como hoje.

 

O que houve naquela época?

 

Entre 20 mil e 12 mil anos atrás, o planeta passou por um periodo de glaciação. Devido ao congelamento de águas marinhas nos polos Norte e Sul, o nível dos oceanos era cerca de 90 metros mais baixo do que o registrado hoje. Depois disso, por volta de 11 mil anos atrás, houve um período de transição entre um clima frio e um mais ameno e ocorreu um ligeiro aquecimento da Terra. O frio intenso deu lugar a um clima mais tropical, como ocorria antes da glaciação. Com isso, as grandes manchas florestais, que haviam ficado distantes umas das outras naquele clima frio e seco, cresceram e se emendaram. A esse processo, que aconteceu principalmente da costa brasileira, eu dei o nome de retropicalização.

 

E o que aconteceu depois?

 

O planeta cotinuou a esquentar, embora houvesse variações de temperatura para cima ou para baixo. Com isso, boa parte do gelo que estava concentrado nas regiões polares se derreteu. O auge desse aquecimento se deu entre 5 mil e 6 mil atrás, no optimum climático.

 

O aquecimento foi tal que o nível dos oceanos se elevou cerca de 2,90 metros acima do registrado hoje. Em minha interpretação, quando o mar subiu em consequência daquele aquecimento do planeta, ele trouxe mais umidade para dentro do continente. Houve mais chuvas, o que favoreceu a continuidade das florestas. O optimum é uma fase da história climática do mundo que vários cientistas e o próprio IPCC não consideraram. Como naquele período nem a mata Atlântica nem a Amazônia desapareceram do mapa, não é certo dizer que até 2100 a Amazônia vai virar cerrado. O problema não é o que acontecerá daqui a 90 anos, e sim o que ocorre hoje.

 

Por quê?

 

A região amazônica tem 4 milhões de quilômetros quadrados e em menos de 25 anos, perdeu 500 mil quilômetros quadrados de florestas. Isso significa que uma área equivalente a duas vezes o estado de São Paulo já foi destruida. É muita coisa. Ou seja, hoje a Amazônia está tendo problemas de savanização devido a ação antrópica. Ocorrem desmatamentos ao longo das rodovias, dentro das selvas e junto das chamadas espinhelas de peixe, nome que os amazônicos dão aos imensos quarteirões ocupado por especuladores, os quais se mudaram de lá e venderam pedaços da mata a pessoas de muito longe que imaginaram ter urma fazendinha na região. Depois, essas pessoas liberaram as terras para os madeireiros, que arrasaram com tudo.

 

O senhor tem alguma outra divergência em relação ao que foi divulgado sobre o aquecimento global?

 

Sim. Uma coisa é o aquecimento global, outra é sua continuidade ou não ao longo dos anos. Os cientistas dizem que vai ser sempre assim. O planeta ficará cada vez mais quente. Com isso, o calor provocará mais derretimento de geleiras, o que aumentará ainda mais o nível do mar. E assim sucessivamente. Esse raciocínio é muito simplista. Não temos como saber nos próximos anos como o mar vai subir. Portanto, também não temos como avaliar quanto ele irá se elevar daqui a 100 ou 200 anos. Nesse periodo os continentes podem até abaixar mais e as águas do mar, inundar zonas costeiras bem maiores. Ou o contrário. Eles podem subir, como ocorreu depois do Plioceno. E com isso o mar irá recuar drasticamente, eu fiz os cálculos para 10, 50 e 100 anos. E depois parei. Ainda há a questão das diferenças entre as marés baixa e alta. Na costa do Maranhão, por exemplo, essa diferença é de 8 metros. Tudo isso não foi considerado.

 

Mas não se pode negar que uma das piores conseqüências do aquecimento global será o aumento do nível das águas do mar.

 

A ascensão do nível das águas dos oceanos provocada pelo derretimento das geleiras polares e das glaciaress das altas montanhas vai criar graves problemas na Zona costeira do Brasil. São 8 mil quilômetros de litoral. A água deverá invadir diversas cidades litoráneas, como Santos, Rio de Janeiro e Recife entre outras, criando mini-Venezas. Será preciso fazer pontes e diques na frente das praias e nas margens dos rios. A água vai também tomar conta das barras dos rios e alagar planícies rasas e manguezais, com prejuízos ambientais e econômicos.

 

O que o senhor sugere, diante do problema atual?

 

Disso tudo eu tirei uma conclusão. Primeiro, é preciso reduzir a emissão de gases particulados na atmosfera para mitigar o efeito estufa. Que fique bem claro que eu não discuto o aquecimento global. Depois, devem-se acompanhar os fatos ao longo de um certo espaço de tempo para avaliar todas as variações. A seguir, é fundamental um bom planejamento para evitar maiores conseqüências sobre as regiões costeiras, que serão as áreas mais atingidas. O extremo sul do Brasil, por exemplo, vai ser pouco afetado, já que, com a suspensao das águas, deve acontecer o que ocorreu durante o optimum climático. A corrente maritima quente irá descer mais para o sul, levando maior umidade e, conseqüentemente, mais chuva para o interior do território.

 

Em junho, iniciaram-se as obras da transposição das aguas do rio São Francisco. em Cabrobó. em Pernambuco, O senhor crê que ela vai matar a sede da população do Nordeste seco?

 

Fala-se que essa obra beneficiará cerca de 12 milhões de pessoas. Não acredito. Ela vai beneficiar principalniente os pecuaristas. O mais triste é que os donos das fazendas nem moram lá, mas sim em capitais como Fortaleza e Recife. A região do São Francisco é muito complexa. No Nordeste chove muito no verão e pouco no Inverno, embora digam o contrário. É evidente que o Nordeste seco vai precisar de mais água quando no São Francisco, que passa em grande parte pelo cerrado de Minas Gerais e da Bahia, estiver mais baixo. Será justamente nessa época que o rio precisará jogar mais água para os eixos norte e leste que serão construidos até ela cair no açude de Orós. Aí surge um problema: as águas do São Francisco são poluidas e vão se encontar com águas salínizadas do próprio açude. Ou seja, nessa época será preciso fazer uma transposição de águas maior do que a planejada.

 

Como assim?

 

Quem é a favor da transposição diz que o rio vai perder apenas 1,4% de suas águas após o término das obras. Mas é claro que no futuro essa porcentagem deve aumentar. Ou seja, serão transferidas mais águas do rio para os futuros eixos que vão ser construídos. Outro problema será manter as usinas hidrelétricas de Paulo Afonso, ltaparica e Xingó funcionando. Então, a época em que o rio receberá menos água vai ser a mesma em que ele deverá enviar águas para além da chapada do Araripe. Isso é um contra-senso, pois, quando estivesse chovendo lá, não seria preciso enviar água para a mesma região.

 

Quais são os impactos ambientais que a transposição pode causar?

 

Talvez o principal seja a poluição das águas. Vários afluentes do São Francisco vêm de Belo Horizonte, uma das maiores cidades do Brasil, e passam pela região industrial sidero-metalúrgica. Um deles é o rio das Velhas, por exemplo. O São Francisco tem 2. 170 quilómetros de extensão. Imagine a poluição que ele cartega nessa distáncia. Técnicos disseram que iam revitalizá-lo antes de fazer a transposição. Outro erro, pois não se pensou naqueles que têm só as margens do rio para plantar, como na zona semiárida das cidades de IIbotirama, Barra e Xique-Xique, na Bahia. Com a revitalização, eles perderão esses espaços.

 

Qual á a sua opinião sobre a afirmação do presidente Lula, em maio, de que os usineiros de cana são “uns heróis”?

 

Heróis são os cortadores de cana, que levam uma vida quase de escravo, e não os donos da terra. Por que o presidente Bush veio a São Paulo e não foi a Brasília? Porque os Estados Unidos sabem que o interior de São Paulo sempre teve culturas agronômicas importantes, hoje controla as maiores plantações de cana-de-açúcar do Brasil e que o etanol de cana vem sendo usado nos carros como combustível. Eles não têm esse know­-how. Na verdade, os Estados Unidos precisavam incentivar o Brasil a ampliar sua área canavieira para poder vender mais tarde. Quem vai controlar o preço depois? Eles, é claro.

 

O que pode acontecer em termos ambientais se o governo incentivar a produção de cana para depois produzir etanol?

 

É simples. Se o governo facilitar; a cana-de-açúcar será o mais novo produto a tentar se estabelecer na Amazônia. Sempre que se deseja ampliar as fronteiras agrícolas do pais se fala na Amazônia. E como se lá houvesse um solo polivalente. Se o preço do etanol subir; vão tentar fazer novas penetrações na floresta. Além da agropecuária, dos madeireiros, dos loteadores e dos plantadores de soja, a Amazônia também poderá ter daqui a algum tempo os cultivadores de cana. Será que ela resiste?

 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 00:46
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Quarta-feira, 4 de Março de 2009
Geógrafo defende renovação continuada de professor

Geógrafo defende renovação continuada de professores, melhoria de materiais didáticos e atuação social de pesquisadores

 

Em salas de aula, palestras, conferências e nos livros que produz - didáticos, além das teses, ensaios e obras -, o vozeirão eloqüente de Demétrio Magnoli brada pela visão da geografia como uma gramática do mundo e não mero conhecimento de almanaque. "Aluno tem interesse de sobra quando a geografia faz sentido", diz o professor que há duas décadas leciona nos ensinos fundamental, médio e superior. Bacharel em ciências sociais e jornalismo pela USP e mestre e doutor em geografia humana pelo departamento de geografia da USP, Magnoli é defensor da publicação de livros didáticos por pesquisadores e da saída dos geógrafos de seus gabinetes em busca de uma atuação social mais efetiva. Finalista do Prêmio Jabuti de 1997 com O Corpo da Pátria: Imaginação Geográfica e Política Externa no Brasil (1808-1912).

 

Educação - Quais são as questões mais relevantes hoje no ensino de geografia? Demétrio Magnoli - Destacaria três. A primeira é o desenvolvimento das linguagens específicas da geografia e das linguagens que ela compartilha com outros campos do conhecimento. Isso significa ler e interpretar mapas (o que não é fácil), gráficos e tabelas comparativas. A segunda questão importante é o reconhecimento do espaço geográfico como um espelho do tempo, conceito crucial para o ensino moderno. Os alunos têm de ser capazes de, no final do ensino médio, ver em duas paisagens as marcas impressas de tempos diferentes. Quando se observa uma ferrovia passando por uma cidade, deve-se saber que aqueles trilhos e galpões ao redor são reflexos de um tempo em que a cidade se organizava em torno de trilhos. E que uma autopista em torno da mesma cidade e um cabo de fibra óptica passando em outro ponto dessa paisagem revelam outro tempo histórico, em que a revolução da informação se tornou fundamental. Isso revela a interface da geografia com a história.

 

Educação - E a terceira questão? Magnoli - O terceiro aspecto é a capacidade de relacionar os conteúdos da disciplina com os fatos da atualidade. Um problema histórico dos professores de geografia é a competição acirrada com a mídia. Informação, todos têm, e abundante. O problema não é a informação, mas sua interpretação. É esse o papel da escola: dar um sentido a essa torrente de informações. Escola não é para informar e sim inter-relacionar, coordenar esse conjunto de informações que a mídia proporciona.

 

Educação - Como está o ensino de geografia hoje? Magnoli - Em transformação. O ensino tradicional de geografia tem algumas características: a descrição de paisagens, o conceito limitante de região, contaminado pela prática da memorização, e o caráter fragmentário, que encara o espaço geográfico não como uma totalidade de relações. As geografias urbana, política e física parecem funcionar separadamente. É um ensino inerte, pois a maioria dos professores foi formada assim. Até os vestibulares, ainda que poucos, legitimam esse tipo de geografia. Mas estamos caminhando para um ensino que coloca como problema principal a descoberta de relações entre classes de fenômenos (políticos, sociais, econômicos) e que se preocupa com o desenvolvimento da leitura de linguagens. Essas mudanças estão em todos os lugares: nos melhores vestibulares do país, em parte dos materiais didáticos e na prática cotidiana dos professores de superar a própria formação.

 

Educação - O que é preciso melhorar? Magnoli - Falta um processo de renovação continuada. Em palestras e oficinas se tem pouco tempo, suficiente apenas para despertar interesse e levantar questões. É pouco. Os Estudos Avançados da USP - via faculdade de educação - estão começando uma série de cursos de especialização lato sensu para professores de várias áreas, com módulos de pelo menos 32 horas e que vão durar até o fim do ano. É preciso mais iniciativas desse tipo. Não basta criar os Parâmetros Curriculares Nacionais nem um novo documento que mude o ensino. Ensino é um processo. Precisa de orientação continuada e de bons materiais didáticos.

 

Educação - Como os alunos podem se interessar mais por geografia? Magnoli - Basta fazer um ensino que tenha sentido, que mostre relações. Essa geografia o interessa. O que nenhum aluno tem interesse é na "decoreba" baseada na idéia de que os conteúdos são apenas informações sobre a paisagem - isso está em qualquer geografia de almanaque. Alunos têm interesse de sobra. O que acontece é que o mundo está mais complexo e a qualificação dos jovens para o mercado de trabalho é mais sofisticada. A tarefa da escola ficou mais difícil. Os alunos de hoje aprendem mais do que as gerações passadas o fizeram, pois as exigências são maiores. Talvez haja falhas em alguns aprendizados formais, como língua e matemática, mas a diversificação de exigências e as exigências de inter-relações são maiores agora.

 

Educação - Qual é o erro mais freqüente dos professores? Magnoli - É imaginar que as disciplinas podem ficar iguais, que é só colocar uma cereja em cima desse bolo e integrar eventualmente disciplinas - sem que elas incorporem essa idéia do diálogo interdisciplinar (que não significa eliminar o que há de específico e singular de cada uma). É preciso ver que dentro de geografia existe história. Isto é, também, se intimidar diante das mudanças. O professor que teve um curso fraco na faculdade e com base em materiais antiquados teme a idéia de transformação.

 

Educação - Por que alguns alunos chegam à universidade com falhas graves de geografia? Magnoli - Eles chegam com falhas graves em todas as disciplinas. Isso tem relação com a estrutura do ensino fundamental e médio que temos no Brasil há décadas. No caso da geografia é porque, durante muito tempo, ela não fez sentido. Se a geografia só serve para fazer prova porque é "decoreba", a melhor atitude do aluno é esquecê-la depois da prova: isso é uma atitude racional e o aluno não deve ser criticado por isso. O que precisa ser criticado é o discurso que ele recebeu. Mas se a geografia é vista como uma gramática do mundo, um instrumento para decifrar relações, então ela passa a ter sentido e o aluno vai se apropriar desse conhecimento, porque ele é fundamental para as outras disciplinas e para sua vida.

 

Educação - Quais os temas atuais da área que mais têm despertado interesse dos alunos? Magnoli - Globalização e suas conseqüências; as mudanças macroeconômicas do Brasil, como o processo de abertura econômica, privatizações, sua inserção no Mercosul e discussões regionais como a da Alca; conflitos políticos contemporâneos; impactos ambientais das atividades econômicas (agricultura, construção de hidrelétricas), este último, um tema inter-relacional.

 

Educação - Como os temas transversais ajudam o ensino de geografia? Magnoli - Uma das coisas positivas dos PCN é procurar mostrar aos professores como se realiza diálogos entre disciplinas. A lista desses temas não é importante. O que vale é que a idéia do diálogo entre as disciplinas seja incorporada à prática pedagógica. Quando essa idéia for incorporada, não vai ser necessário que nenhum documento oficial faça uma lista de temas, porque qualquer professor vai saber fazer a sua, adequada à sua escola e região.

 

Educação - O que deve ser melhorado nos livros didáticos? Magnoli - A primeira coisa é melhorar a relação do professor com o livro: este não deve ser entendido como uma receita do curso, o professor não deve fazer uma cópia de seu índice. O livro é uma plataforma com base na qual é preciso criar uma aula. Seu curso deve ter uma série de outros elementos: livros paradidáticos, materiais de áudio, jornais, revistas, estudo do meio. A segunda questão é o livro em si. Há uma série de erros conceituais na maioria dos livros didáticos. Eles têm de se modernizar, em conceitos e conteúdos - os autores têm de estar por dentro do que hoje se produz na universidade - e devem ser atualizados do ponto de vista de competências e habilidades. Não basta desenvolver conteúdos, é preciso desenvolver a competência de leitura de uma linguagem. A principal leitura dos professores não é de livros acadêmicos, ensaios ou teses. Isso é leitura de uma elite. A principal leitura é o livro escolar. E o Brasil precisa mudar a forma de ver os livros didáticos. Na França ou Espanha, livros escolares são escritos por acadêmicos e essa atividade é vista como muito importante. Aqui, é vista como uma atividade menor. É preciso criar uma ponte entre pesquisa e ensino. A universidade precisa assumir sua responsabilidade integral pelo ensino e ver o livro como uma parte de sua atividade.

 

Educação - Como o governo pode ajudar a construir essa ponte? Magnoli - O MEC começou a fazer avaliações dos livros didáticos. Só que essa experiência começou errado, ao se criar uma comissão de avaliadores do próprio MEC. Depois o MEC avançou, e atribuiu às universidades a avaliação dos livros. Falta melhorar mais: atribuir essa avaliação não a uma, mas a várias universidades, pois é preciso que haja cruzamento de avaliações, e de ideologias, para que o próprio avaliador seja avaliado. É preciso criar um campo de debate sobre os livros didáticos.

 

Educação - Quais as áreas de atuação do geógrafo? Magnoli - Hoje, as áreas de ensino perdem procura. Mas o trabalho do geógrafo é amplo. Envolve decisões locacionais de empresas, que precisam de um parecer de geógrafo; em órgãos governamentais como IBGE, que é dominado por economistas e deveria ter mais geógrafos; em órgãos de planejamento regional como a Sudene, por exemplo. Mas isso depende um pouco de os geógrafos se mexerem e provarem que a geografia é necessária e socialmente importante, em vez de apenas produzir pesquisas, também importantes, que circulam somente no meio universitário.

 

Educação - Sua posição, então, é de que a geografia está numa fase de pesquisa de gabinete? Magnoli - A geografia universitária no Brasil tem uma atuação social muito restrita. Basta ver que, nos últimos cinco, seis anos, tivemos duas grandes conferências da ONU - uma sobre assentamentos humanos e outra sobre população - que deveriam ter gerado vasto debate nacional, mas tiveram participação de pouquíssimos geógrafos. Uma parte da desvalorização social da geografia é culpa dos geógrafos.

 

 Fonte: Revista Educação. São Paulo: Editora Segmento.



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 02:33
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Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009
Charles Darwin e a origem das espécies

Por Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante

 

 

           No dia 12 de fevereiro, o famoso naturalista britânico Charles Robert Darwin (1809 -1882), mais conhecido por formular a Teoria da Evolução das Espécies, faria 200 anos.

Darwin tinha 22 anos quando zarpou em 1831 com o Beagle com a missão primária de desenhar reentrâncias mal conhecidas do litoral da costa Sul Americana. Enquanto a maioria da tripulação estava descobrindo a costa, Darwin ficava em terra coletando material da exótica flora e fauna até então pouco conhecidas pelos europeus.
Darwin teve a oportunidade de perceber as adaptações que aconteciam de acordo com cada ambiente, sejam as selvas brasileiras, sejam os pampas argentinos e ainda os Andes. Darwin estava estarrecido com as peculiaridades da distribuição geográfica das espécies. O caso que ficou mais famoso foi o das ilhas Galápagos, que ficam cerca de 900 km da costa e hoje pertencem ao Equador. As espécies nestas ilhas são endêmicas porém lembram espécies que vivem no continente sul americano. Darwin quando fez a sua coleta de pássaros não se preocupou em fazê-lo ilha por ilha, principalmente porque ele não tinha ainda idéia do significado que a fauna e a flora teriam para ele depois disso. Neste ponto da sua vida Darwin já estava questionando o conceito estático da Terra. Para ele a Terra evoluía e estava em constante transformação.
Quando Darwin coletou os tentilhões ele não sabia se eram todos de uma só espécie, ou se eram espécies diferentes. Quando ele voltou a Inglaterra em 1836 ele consultou ornitologistas que o disseram que eram espécies separadas. Quando isto aconteceu ele reviu as notas que escreveu durante a viagem e, em 1837, começou a escrever o primeiro de uma série de anotações sobre a origem das espécies.Darwin então começava a perceber que a origem das espécies e a adaptação ao meio ambiente eram processos muito relacionados.
Assim, de volta da viagem, logo passou a registrar o resultado e as conclusões de suas vastas anotações que fez durante a longa viagem. Em sua observações durante a viagem, notou que as variações de espécies sucediam-se à medida em que avançava para outros territórios em sua viagem. Também registrou as observações sobre a variação de espécies das ilhas de Galápagos, em que cada ilha apresentava uma espécie dominante, ao passo em que reconheceu tais ilhas como formações geológicas recentes.
Dois anos após sua volta à Inglaterra, toma contato com a obra que o influenciaria definitivamente: Ensaio sobre o Princípio da População, de Thomas Malthus. Nesta obra, o economista Thomas Malthus observa que as populações de quaisquer espécie não mantêm o mesmo número de indivíduos ao longo das gerações, pois cada par de indivíduos são gerados normalmente mais do que apenas dois indivíduos, enquanto a quantidade de fontes de alimentação permanece constante. Desta forma, haveria competição por alimento cada vez maior entre os indivíduos de uma população. Darwin notou que, se levasse em conta a variação entre os indivíduos, chegaria à conclusão que haveria indivíduos mais aptos do que outros, e estes indivíduos mais aptos sobreviveriam à custa da morte dos demais. Em sua linguagem, Darwin utilizou o termo “adaptação” (os indivíduos melhor adaptados ao seu meio seriam aqueles que portam variações vantajosas em relação aos demais indivíduos e às condições de sobrevivência de seu meio natural).
Nesse sentido, tal processo é a base do que Darwin denominou seleção natural. Deste conceito fundamental originou-se, no ano de 1859, a publicação da prmeira edição do best-seller: A Origem das Espécies. Tal foi o grande impacto de suas teorias em sua época que a primeira edição da Origem, com tiragem de mil duzentos e cinquenta exemplares, esgotou-se no primeiro dia. As idéias de Darwin logo encontraram fortes oponentes na Europa, desde muitos cientistas, que viam na teoria a incapacidade para explicar a origem das variações entre espécies e indivíduos de uma espécie, até líderes religiosos, pois as idéias de Darwin iam contra quaisquer concepções da origem da vida segundo os preceitos teológicos vigentes. Sua teoria, no entanto, passaria a ser aceita pelo meio científico apenas no século XX, depois das descobertas de Mendel acerca da transmissão hereditária de caracteres. Somente em 1997 a teoria recebeu anuência do representante máximo da Igreja Católica, o Papa João Paulo II. A teoria de Darwin revolucionou definitivamente o modo como o mundo científico e o homem de maneira geral compreendem a existência da vida no planeta.


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 23:34
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Sábado, 17 de Janeiro de 2009
OBAMA: A ESPERANÇA PARA OS NORTE-AMERICANOS

Por Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante
Geógrafo pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB



          O ano de 2009 começa a tomar forma, assolado pelos os efeitos da crise econômica mundial, reflexo do atual estágio da globalização planetária. Os reflexos da crise estão visíveis nos telejornais, internet, e tantos outros meios de comunicação e informação resultantes da pós-modernidade. O cenário está presente na vida cotidiana dos pessoas, que não precisam ser economistas para sentir os reflexos do quadro financeiro atual: bancos falidos, montadoras demitindos, queda nas bolsas de valores e prejuízos milionários, dificuldades de créditos, etc.
        No âmbito da geopolítica mundial, estão vivenciando no Oriente Médio, mas um folhetim bélico, a guerra entre Israel (O país mais rico da região e apoiado pelos Estados Unidos de Bush) e os Palestinos, que até hoje lutam pela partilha democrática da terra.
        A região mais rica em petróleo do mundo, matéria-prima chefe da industrialização atual, parece que ainda vai visualizar muitos conflitos. É contraditório buscar a paz com a guerra, e consequentemente a morte de cidadãos civis e crianças.

         No Brasil, apesar dos sempre esperadíssimos feriados de Carnaval, o Brasil parece ter reencontrado motivos para voltar a funcionar. Até agora a crise mundial não foi muito forte para o nosso país. Porém é cedo para comemorar, mas janeiro já se encaminha para o fim sem rupturas dramáticas da normalidade. Estamos com o comandante Lula, saindo melhor do que esperávamos, com recorde histórico de aceitação popular dos brasileiros.
         Nesse momento, o mundo aguarda anciosamente a próxima terça-feira, quando em Washington, haverá a troca de mãos o emprego do homem mais poderoso do mundo. Sai, em muito boa hora, George W. Bush e entra Barack Hussein Obama. 
         Os significados da mudança na Casa Branca não apenas para os Estados Unidos mas para o Brasil e o mundo, é preciso: Bush deixa o governo como o pior presidente da história americana. Sua estreita visão de mundo foi um erro grave. Mas fatal mesmo foi sua incompreensão da grandeza da sociedade de oportunidades iguais para todos sonhada pelos fundadores dos Estados Unidos e duramente construída por gerações e gerações de imigrantes que acreditaram no "sonho americano". 
         O presidente eleito, o 44º presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, democrata, negro, pode renovar a nação americana e seus mais preciosos valores. Os desafios são muitos, o principal deles é a imediata e vigorosa resposta que o novo presidente tem de dar à estagnação econômica dos Estados Unidos (aumento da pobreza, desemprego, falência de poderosos bancos). Do sucesso dos primeiros momentos dependerá toda a sua presidência. Sem dúvida é a grande esperança dos norte-americanos!!!



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 14:00
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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
A aula de campo: além dos muros da escola

Por Profº Márcio Balbino Cavalcante

 

Ver imagem em tamanho grandeA aula de Campo constitui-se numa prática de fundamental relevância para a compreensão e leitura do espaço geográfico, principalmente, pela possibilidade de estreitamento que estabelece entre teoria e prática. Embora seja uma metodologia muito utilizada na pesquisa, desde os geógrafos clássicos, no ensino básico(principalmente nos níveis fundamental e médio) ainda não é muito aplicada como prática pedagógica para construção de conceitos e discussão da realidade cotidiana do aluno.
Organizado em três etapas: preparação, saída(s) e sistematização do saber, a aula de campo deve fundamentar-se em propostas interdisciplinares. Para começar a atividade é fundamental que os professores e os alunos envolvidos se articulem para estabelecer o tema gerador diante do conteúdo estudado em sala. O assunto deve relacionar-se com a vida dos educandos, pois dessa forma os motivará a pensar sobre seu papel na sociedade. O passo seguinte é a escolha do lugar onde essa questão se evidencia.Após o estabelecimento do tema e a escolha do lugar a ser visitado, tem início a primeira fase de pesquisa. Alunos e professores das diferentes disciplinas devem buscar textos, fotos, imagens, mapas atuais e antigos, croquis, documentos e outros materiais que possam compor um acervo bibliográfico sobre o tema e sobre o lugar. Resgatar outros trabalhos já realizados na escola é muito importante nesse momento, pois isso valoriza o conhecimento sistematizado e possibilita a superação de problemas evidenciados no processo de elaboração da atividade.
         Na seqüência se deve preparar o material. Para isso se organiza um caderno de campo, espécie de roteiro com todas as informações necessárias ao desenvolvimento do trabalho de campo. Para fazer a coleta de informações, imagens, depoimentos e documentos, é importante que os alunos – organizados em grupos – elejam subtemas a serem analisados a partir do tema gerador.
O caderno deve apresentar capa, nome da instituição responsável pelo trabalho, roteiro e cronograma de atividades, texto para sensibilização – sobre o uso dos sentidos numa pesquisa como essa ou sobre o tema em questão –, mapas, fotos, roteiros de entrevistas e folhas em branco para desenho.
         A preparação da saída também deve estabelecer normas de conduta (respeito: ao outro, às diferenças, aos posicionamentos e ao modo de falar). Além disso, a escolha das vestimentas, a segurança, a proteção dos alunos (do calor ou do frio), o comportamento em relação ao lixo produzido pelo grupo, o trato com pessoas que prestarão serviços para o grupo e a conduta em determinados ambientes devem ser debatidos.
O dia da saída em geral é uma festa; a alegria de uma aula fora das quatro paredes é sempre vivida com muito entusiasmo, bem como quebra a rotina da sala de aula. É necessário, porém, que todas as visitas estejam devidamente agendadas, que as pessoas a serem entrevistadas tenham sido contatadas e que o roteiro preestabelecido seja cumprido. Deve-se coletar o planejado: usem a fotografia, o desenho, a filmadora, o gravador, o lápis e o papel; nada deve ser descartado. No caso de encontrar documentos, façam fotocópia, etc.
No retorno para a escola, inicie a sistematização do conhecimento. Em círculo, os alunos devem expor suas primeiras impressões, tecer comentários e trocar informações com seus colegas. É hora de apresentar as fotografias, entrevistas, documentos, dados e tudo mais que foi encontrado.
Depois desse trabalho inicial, os grupos devem se reorganizar e produzir o trabalho final, que pode ser apresentado na forma de relatórios, seminários, atlas, jornal, programa de rádio ou TV, publicação em blogs ou sites na internet, peça de teatro, jogral, etc. O importante é que o material pesquisado seja utilizado para responder a algumas questões evidenciadas pelo tema gerador, assim como também pelos subtemas escolhidos pelos grupos.
Assim, realizar uma atividade de trabalho de campo no processo de ensino e aprendizagem na escola, buscando um conhecimento integrado e interdisciplinar caracteriza a formação do professor engajado em suas práticas pedagógicas e, ao mesmo tempo, objetiva construir nos alunos um contexto de cidadania e análise crítica sobre seu espaço de vivência e de construção.


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 00:01
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009
Turismo no ambiente rural: uma idéia de desenvolvimento no campo?¹

Por Profº Márcio Balbino Cavalcante*

 

INTRODUÇÃO

Ver imagem em tamanho grandeNos dias atuais o fenômeno do turismo em escala global pode ser compreendido a partir dos aspectos socioeconômicos, políticos e culturais. Haja vista a sua complexidade de aglutinar estruturas distintas, porém, concomitantes, dentro de um mundo globalizado. As expressões variadas, como: Instituição social, prática social, fenômeno global, sistema de valores, estilo de vida, ‘indústria’, comércio e uma rede de serviços entre outros pontos convergentes dessa atividade, utilizando aqui as colocações de uma das principais estudiosas do turismo no Brasil, Adyr Balastreri Rodrigues (1999) reforçam este raciocínio.
O turismo é praticado em um espaço geográfico concreto e dinâmico. Daí sua forte relação com o meio ambiente, entendido aqui como conjunto de elementos naturais e culturais. É uma atividade que ocupa atualmente, em tempos de mundialização, um papel cada vez mais significativo na dinâmica economia mundial.
O fenômeno turístico tem produzido alterações no espaço geográfico e a ação humana vem impactando em todos os aspectos do meio ambiente, onde as questões ambientais decorrentes deste fluxo são sentidas em escala local, regional e até global.
Assim, neste contexto de crescimento da preocupação ambiental, faze surgir modalidades alternativas mais brandas e sustentadas de práticas turísticas, contrapondo com o turismo tradicional, caracterizado como atividade de massa , onde o modelo praia-sol já está estagnado , através da grande degradação ambiental e social.
É nesse cenário que se insere a modalidade turística alternativa denominada Turismo Rural, com grande possibilidade de harmonia entre a conservação/preservação da natureza e de valores culturais.
Com planejamento, gestão e organização efetivas podem-se dinamizar o desenvolvimento local e regional, diversificar a economia, criar emprego e renda para a comunidade rural do lugar, promovendo neste sentido, o desenvolvimento sustentável no campo.

PERSPECTIVAS DO TURISMO RURAL NO BRASIL

Ver imagem em tamanho grandeNo Brasil, a expressão mais utilizada é Turismo Rural definida assim pela Embratur – Instituto Brasileiro de Turismo (1994) como “um turismo diferente, turismo interiorano, turismo exótico, turismo integrado, turismo alternativo, turismo domestico, turismo verde e agroturismo”.
Diante desta definição, entendemos que todas as atividades turísticas realizadas em espaço rural são consideradas pela Embratur como Turismo Rural, nesta modalidade em sua forma genérica, deve esta estar constituída em estruturas eminentemente rurais, de pequena ou média escala, ao ar livre, proporcionando ao visitante o contato com a natureza, com a herança cultural e com práticas “tradicionais” campestres, esquecidos em meio a paisagem e a turbulência dos grandes centros urbanos, como: passear a cavalo, tirar leite da vaca ao amanhecer, tomar banho no rio, conhecer a culinária e o artesanato local entre outros.
No espaço territorial brasileiro são enormes as possibilidades para o exercício da atividade turística no campo: Clima favorável, vegetação natural variada e exótica, diversificação geológica-geomorfólogica e diferentes culturas regionais com múltiplos cenários e estilo de vida regional do homem do campo, garantindo uma situação privilegiada para o nosso país.
De acordo com os dados da Embratur, em 1998, o setor turístico brasileiro movimentou 32 bilhões de dólares, como resultado das viagens de 38 milhões de turistas domésticos e 5 milhões de turistas estrangeiros. Para o ano de 2003, de acordo com este órgão, espera aumentar para 6,5 milhões o fluxo de turistas estrangeiros e 57 milhões o fluxo de turistas nacionais. O reflexo na economia do País será da ordem de US$ 5,5 bilhões, sem falar da geração de 500 mil novos empregos.
Para atingir tais números, existe no Brasil um incremento das atividades alternativas do turismo, entre elas, o Turismo Rural.
O Turismo Rural no Brasil é como um mosaico, cuja expressão cênica, está diretamente ligada aos recursos disponíveis e a sensibilidade de seu mentor (Zimmermann, 2002).
A atividade turística rural no Brasil é recente. A experiência pioneira é datada de 1983, no município de Lages – SC, onde foram aproveitadas infra-estruturas já existentes e tinha na criação de gado leiteiro e de corte, os atrativos turísticos do local.
Com resultados positivos e amplo desenvolvimento, a atividade se estende por outros estados brasileiros. No Centro-Oeste, principalmente no estado de Goiás e no Distrito Federal já é considerável o número de propriedades rurais que abrem suas “porteiras” para esta nova atividade e promissora turística no campo.
O Turismo Rural propicia a valorização do ambiente onde é “explorado” por sua capacidade de valorizar a cultura e a diversidade natural de uma região e/ou localidade, proporcionando a conservação e manutenção do patrimônio histórico, cultural e natural.
Neste sentido, propriedades que estão estagnadas e marginalizadas com as práticas tradicionais, podem através da implantação de atividades turísticas, neste caso o turismo rural, poderão vir a ser promissora fonte de renda para seus proprietários e para comunidade local. Ambos terão uma forma de agregar valor a produtos e serviços, regatando e promovendo o patrimônio cultural (festas religiosas, mutirões, artesanatos e outras comemorações) e natural (rios, riachos, serras, vegetação entre outros).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com as informações e os dados obtidos referente ao tema Turismo Rural, concluímos que o Brasil possui grandes potencialidades culturais, históricas e naturais que podem aguçar esta nova modalidade turística em ascensão em todo o espaço territorial brasileiro.
Para isso, é preciso medidas efetivas como forma de subsidiar as atividades de Turismo Rural e preservação/manutenção do meio ambiente e da cultura local. Assim, é preciso um conjunto de medidas como a atuação do Estado, o monitoramento dos impactos ambientais positivos e negativos decorrentes deste fluxo, através da aplicação de instrumentos técnicos como o estudo de impactos ambientais – EIA e o Relatório de Impactos Ambientais - RIMA; ouvir a comunidade local sobre essa prática turística, buscando sua inclusão; bem como diagnosticar causas e conseqüências que inviabilizam a modalidade de turismo no espaço rural brasileiro, levando em consideração as particularidades potencialidades regionais; detectar os prováveis impactos socioambientais nas propriedades, preocupação com as políticas públicas e evidenciar o uso e a ocupação dessas terras em seus perfis físicos, humanos e culturais.

BIBLIOGRAFIA

CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. Introdução à geografia do turismo. 2. ed. São Paulo: Roca, 2001.
EMBRATUR. Manual Operacional do Turismo Rural no Brasil. Brasília, 1994.
RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e Geografia: Reflexões Teóricas e Enfoques Regionais. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1999.
RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e Ambiente: Reflexões e Propostas. São Paulo: Hucitec, 1999.
RUSCHMANN, Doris. O Turismo Rural e o Desenvolvimento Sustentável. In: ALMEIDA, J. A et. al. (Orgs) Turismo rural e desenvolvimento sustentável. Campinas: Papirus, 2000.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e Tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1999.
SEABRA, Giovanni de Farias. Turismo sertanejo. In: I Simpósio Nordestino de Turismo Sertanejo, João Pessoa, 2001.
YÁZIGI, Eduardo et al. (orgs.) Turismo – Espaço, Paisagem e Cultura. São Paulo: Hucitec, 1999.

____________________

¹Artigo originalmente publicado no Artigos.com, em 21 de outubro de 2006. http://www.artigos.com/artigos/sociais/turismo/turismo-no-ambiente-rural:-uma-ideia-de-desenvolvimento-no-campo?-876/artigo/

*Graduado em Geografia - UEPB; Pós-graduado  em Ciências Ambientais - FIP/PB; Coordenador de Projetos Educacionais da Secretaria Municipal de Educação do município de Passa e Fica - RN. Professor de Geografia e Ciências na Escola Estadual Sen. João Câmara, Passa e Fica - RN. E-mail: cavalcantegeo@bol.com.br



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 12:34
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Praias brasileiras, paisagens em transformação¹

Por Márcio Balbino Cavalcante*

 

Ver imagem em tamanho grandeHá séculos, quando os primeiros colonizadores aportaram nas praias brasileiras, vislumbraram uma natureza prodigiosa. Florestas cobriam tamanhas extensões que pareciam não ter fim. Rios e milhares de espécies de peixes, aves e outros animais enchiam os olhos ávidos dos navegantes.

Locais de acumulação de areias quartzosas marinhas ou aluviais de largura dependente das marés e zona de contato do litoral com o mar, as praias brasileiras sempre impressionaram os diferentes grupos humanos que viveram e vivem em seu entorno. O Brasil tem mais de 1.500 praias, proporcionando um cenário rico em belezas naturais, paisagens paradisíacas quase inexploradas valorizadas por ricos patrimônios histórico-culturais, e que hoje são alvos da ação humana, caracterizando um espaço em transformação, fruto da urbanização e da atividade turística.

 

A geografia do litoral brasileiro

O Brasil é um país tropical, em que mais de 90% de seu território está concentrado ao norte do Trópico de Capricórnio, proporcionando grande variação climática e fitogeográfica. Além da nossa grande extensão territorial, cerca de 8.511.596,3 Km², o Brasil também possui um vasto litoral, banhado pelo Oceano Atlântico. Este litoral se estende desde a foz do Rio Oiapoque, no Amapá, até o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, numa extensão de 7.367 quilômetros. Entretanto, se considerarmos as reentrâncias e as saliências, ou seja, os recortes do litoral, a sua extensão pode chegar a mais de 9.000 quilômetros, apresentando uma gama de ecossistemas: campos de dunas, ilhas, recifes, costões rochosos, baías e falésias interagindo com a vegetação de Mata Atlântica, que na época da chegada dos portugueses, representava 15% do território nacional e que hoje está reduzido a apenas 7,2% da sua área original.

Espaço de contradição

A partir do inicio do século XX, o litoral passou a responder a necessidade de crescimento das atividades econômicas ligadas ao setor terciário moderno e à demanda de lazer das populações urbanas, pondo fim ao isolamento secular em que viviam as comunidades agro-pesqueiras.

A natureza agora é vista como espetáculo de riquezas a serem exploradas e vendidas, as paisagens naturais disputadas para serem transformadas em espaços de aluguel e áreas dos entornos das praias sendo vistas como pedaços de terras mais caros do lugar. A orla marítima dos nossos tempos, palco para grandes investidores financeiros, controlada por agências imobiliárias que segregam sócio-espacialmente as dinâmicas dos lugares, tornando a região uma idéia de poder e domínio econômico do capital.

Assim, em pouco tempo, as vilas de pescadores começaram a ser substituídas por casas de veraneio, e o pescador deixou seu oficio e vendeu suas terras. A especulação imobiliária tirou o hábitat, o sossego, a caiçara de palha de coco, o lugar do recreio e do trabalho do pescador. As suas embarcações deixaram de pescar para levar turistas a passeios ecoturísticos a praias distantes, verdadeiros paraísos ecológicos, agora próximos ao mundo civilizado e distante das comunidades tradicionais.

O preço da ocupação

 

A expansão excessiva das atividades turísticas ao longo do litoral vem desencadeando grandes transformações nas paisagens. Quando se trata do litoral brasileiro, o patrimônio turístico está sendo destruído de maneira acelerada e irresponsável. A velocidade dos empreendimentos transforma as paisagens naturais, o próprio produto turístico, em lugar não turístico, onde o turista torna-se refém de uma estrutura fechada intramuros, sem nenhuma identidade com lugar.

Nesse sentido, torna-se prudente lembrar que o estado deve exercer um papel importante no tocante ao planejamento e gerenciamento desses recursos, com o propósito de amenizar os impactos sobre os ecossistemas praianos, tais como: criação de empregos permanentes; maior divulgação das potencialidades naturais e culturais do litoral; estabelecimento de programas de educação ambiental; melhoramento da infra-estrutura e dos serviços existentes nas pequenas cidades (segurança, postos de saúde, transporte, pavimentação e iluminação das estradas, saneamento básico e limpeza das praias). Mas para que isso ocorra de maneira eficaz é preciso superar a visão meramente utilitária, de índole capitalista, e desenvolvê-las baseado em critérios ecologicamente sustentáveis.

____________________________

¹Artigo originalmente publicado na Revista Mundo Jovem, novembro de 2006. e no Portal do Meio Ambiente, em 06 de janeiro de 2009.
*Geógrafo pela
Universidade Estadual da Paraíba - UEPB
. Pós-graduado em Ciências Ambientais - FIP/PB. Pesquisador do Terra - Grupo de Pesquisa Urbana, Rural e Ambiental da UEPB/CNPq.
cavalcantegeo@bol.com.br



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 00:25
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Uma Verdade Inconveniente ... apocalipse já!!!

Por Profº Esp. Márcio Balbino Cavalcante

 

Ver a imagem no tamanho original.O Documentário “Uma Verdade Inconveniente”, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente americano Al Gore, criado em 2006, apresenta uma realista e impressionante visão do futuro do nosso planeta decorrente da relação histórica do homem com a natureza, e a partir disso discute a evolução do aquecimento global, bem como suas causas, conseqüências e possíveis soluções. Trata-se na realidade, de um alerta que derruba mitos e conceitos, revelando a mensagem que o superaquecimento global é um perigo real e imediato.
É certo que recentes e preocupantes eventos na natureza, perceptíveis a todos, como o furacão Katrina em New Orleans, EUA, em 2005, têm, por trás, a degradação do meio ambiente feita pelo homem. Com a aceleração de atos destruidores por parte de grandes empresas, indústrias, grandes propriedades agrícolas e mesmo por indivíduos, ocorridas mais precisamente após a Revolução Industrial e, principalmente durante todo o século XX, uma bomba-relógio com efeitos devastadores foi montada.
A fim de tentar informar a população em geral a respeito dos riscos e da necessidade de se fazer algo a respeito, o filme alerta que a menos que diminuam as emissões de dióxido de carbono e outros gases decorrentes das chaminés das indústrias, dos automóveis, das queimadas e o mau gerenciamento dos recursos naturais tem impactado no aquecimento global e nos demais problemas ambientais interligados causarão uma mudança climática irreversível, que acabará com a vida como a conhecemos. Esta é a mensagem do filme, que inclui também exemplos preocupantes dos efeitos catastróficos do aquecimento global, como as rachaduras no Ártico, as geleiras que desaparecem provocando inundações e a previsão no desaparecimento das neves do monte Kilimanjaro.
Sabemos que Os Estados Unidos são os grandes responsáveis por mais de 25% da produção de gases do efeito estufa. Entretanto, no contexto mundial, somos todos responsáveis. É necessária uma mudança radical de atitudes no cotidiano de cada indivíduo, com a procura de alternativas efetivas, ecologicamente corretas para manter o equilíbrio ambiental, e a busca de opções de transporte e de consumo ecologicamente sustentáveis.
Através de uma linguagem simples e direta, o filme de Al Gore envolve o público com os dados e as imagens em slides, reforçadas por gráficos, fotografias, e animações. As fotos apresentadas são alarmantes e mostram, principalmente, como o gelo e a água estão desaparecendo, de forma nítida, de diversas paisagens da Terra. Elas comprovam ainda que não há segredos e lados obscuros envolvendo o aquecimento global. É simplesmente algo incontestável do ponto de vista científico, mas também a olho nu notáveis no nosso dia-a-dia, como o aumento da temperatura, a elevação do nível do mar, a desertificação, a irregularidade no regime das chuvas, e tantos outros eventos ambientais vistos e sentidos por nós.
O documentário “Uma Verdade Inconveniente” é uma oportunidade imperdível de despertar a consciência para a iminência da extinção da raça humana, que até bem recentemente os cientistas só esperavam para os próximos milhares de anos. Mostra que devemos ficar atento às questões socioambientais da atualidade, especialmente ao aquecimento global, que é uma das mais urgentes, e refletir sobre o nosso próprio papel nisso tudo, ocasionando, quem sabe, uma mudança de postura e atitude individuais ecologicamente corretas, a partir da filosofia do desenvolvimento sustentável e da educação ambiental.
Nos últimos segundos do filme, a frase “Você está pronto para mudar seu modo de vida?”, surge em meio a diversas ações fáceis e palpáveis, que já poderiam ter sido incorporadas ao cotidiano e à cultura dos cidadãos de qualquer parte do planeta Terra, promovendo mudanças profundas e significativas, relacionadas aos valores morais, culturais e ideológicos das pessoas, e destas com o ambiente, promovendo uma sociedade socialmente justa e ecologicamente viável. Pois é assim que se transformam as ações, primeiramente as locais, posteriormente, as globalizadas. E é nisso que pode estar toda a solução para um problema aparentemente sem saída.
 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 01:02
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Domingo, 7 de Dezembro de 2008
Santa Catarina: Clima incerto e tragédia previsível*


Relação entre mudanças climáticas e inundações em Santa Catarina ainda precisa ser estudada, mas principais conseqüências se devem a fracasso das políticas de ocupação do espaço urbano, dizem especialistas (foto: Divulgação/ABr)

A relação entre as mudanças climáticas globais e os fenômenos que deixaram mais de uma centena de mortos e cerca de 80 mil desabrigados em Santa Catarina é ainda uma incógnita. Mas a relação entre a tragédia e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, de acordo com Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).
Durante o seminário “Controle de Enchentes – 10 Anos do Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, que terminou nesta terça-feira (3/12), em São Paulo, Ribeiro também ressaltou a necessidade de aperfeiçoamento dos sistemas de previsão do clima e de inundações.
Segundo ele, as mudanças climáticas poderão aumentar os riscos de eventos extremos – como as chuvas que causaram as inundações em Santa Catarina –, criando a necessidade de adaptações. Mas, antes de pensar em problemas futuros, será preciso encontrar soluções para os antigos.
“Os problemas que precisamos enfrentar imediatamente são resultado do processo brasileiro de urbanização. As mortes em Santa Catarina estão relacionadas à nossa política de acesso à moradia e não à mudança climática”, disse o geógrafo.
Segundo ele, as conseqüências das mudanças no clima precisam ser levadas em conta, mas elas ainda estariam inseridas em um quadro de incerteza – isto é, um cenário no qual estaria confirmada a possibilidade de ocorrência de certos eventos sem que se possa definir sua probabilidade.
“Vetores importantes, como o aumento na temperatura e a variação de chuvas, ainda não são conhecidos com precisão. Por isso, não se pode aferir os impactos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras. Mesmo assim, temos que trabalhar com o pior cenário possível para pensar em adaptações”, afirmou.
De acordo com Ribeiro, a maior freqüência de chuvas causada pelas mudanças climáticas, se for confirmada, vai agravar problemas já conhecidos.
“Cuidar das áreas de risco hoje, no caso do Brasil, é pagar uma dívida social – não se trata de prever mudanças climáticas. Trata-se de reparar um processo de urbanização muito intenso que ocorreu sem planejamento, dirigido sob uma lógica de mercado e exploração imobiliária agressiva”, destacou.
Para Luis Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), as mudanças climáticas não tiveram relação com as chuvas torrenciais que devastaram Santa Catarina.
“Os impactos desastrosos das chuvas em Santa Catarina não são conseqüência do aquecimento global, mas do péssimo planejamento da ocupação do espaço. Muita gente foge da região ribeirinha para evitar inundações e se instala nas encostas. As mortes ocorreram nessa situação”, afirmou.
Molion, conhecido por fazer críticas severas às conclusões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), afirma que as mudanças climáticas estão mais ligadas a fenômenos naturais que ao aumento de emissões de carbono pela atividade humana.
“Chuvas como essas já ocorreram no passado. A mais recente aconteceu em maio de 1983, mas também houve desastres naturais semelhantes no Vale do Itajaí nas décadas de 1950 e 1960. Os primeiros registros são do século 19”, afirmou.
A hipótese levantada por ele é que as variações na temperatura do oceano Pacífico controlam grande parte das oscilações climáticas. “O Pacífico teve fases de aquecimento entre 1925 e 1946 e entre 1977 e 1998. Esfriou entre 1947 e 1976 e está esfriando nos últimos dez anos. Esses ciclos coincidem com momentos de alta e baixa das médias de temperatura”, disse.
De acordo com ele, no entanto, os fenômenos não tinham conseqüências tão importantes em décadas passadas, no Brasil, porque a concentração populacional nas cidades era bem menor. Nas áreas urbanas impermeabilizadas, segundo ele, uma chuva de 100 milímetros provoca um fluxo d’água de 100 mil metros cúbicos a cada quilômetro quadrado.
“Hoje, 80% da população está nas cidades, que absorveram essa população sem planejamento urbano. Para consertar isso, serão necessários investimentos muito maiores do que os recursos necessários para o planejamento há 30 ou 40 anos”, disse.
Segundo Molion, é preciso que as cidades pequenas e médias comecem a se planejar a partir de agora. Para ele, seria preciso investigar melhor a dinâmica da várzea dos rios e estudar as séries históricas de registros hidrológicos e meteorológicos a fim de entender o tempo de retorno de chuvas fortes, acima de 100 ou 200 milímetros.
“Temos cerca de 250 municípios com mais de 100 mil habitantes. A grande maioria dos mais de 5 mil municípios do país está começando a crescer. Seria aconselhável pensar em medidas de planejamento para minimizar problemas do tipo no futuro”, afirmou.
Fatores externos
Para Oswaldo Massambani, professor titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, não há dúvida de que o clima global passa por uma fase de abrupto aquecimento e que os distúrbios são causados pela atividade antropogênica.
“Cresceu muito a capacidade científica para entender o clima global. De fato, os modelos climáticos têm deficiências, porque são modelos matemáticos que tentam representar fenômenos de um sistema complexo. Mas à medida que se associam vários modelos e cenários eles se tornam mais precisos”, afirmou.
“A relação de causa e efeito entre a temperatura e as emissões de dióxido de carbono não é algo claro, mas há sem dúvida uma relação de associação entre os dois fatores. Já a vulnerabilidade aos eventos extremos é de fato uma questão de natureza política”, disse.
Segundo Massambani, o clima global é controlado por um sistema extremamente sensível e complexo, que, além dos fatores relacionados à atmosfera e à superfície terrestre, é determinado também por fatores externos, como a radiação solar e a geometria variável do sistema Terra-Sol.
“O Sistema Solar se formou há 4,5 bilhões e chegou ao atual equilíbrio passando por um processo de crescente complexidade. Esse complexo sistema não-linear está relacionado ao sistema climático, que possui uma variabilidade intrínseca e é muito sensível a processos radiativos, com uma camada atmosférica muito fina, de apenas 20 quilômetros. Isso fez com que o clima oscilasse ao longo da história”, afirmou. 
 
*Artigo publicado originalmente na Revista Virtual P@rtes, em 17/Dez/2008.
Acesse: http://www.partes.com.br/socioambiental/verdadeinconveniente.asp
 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 01:40
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Domingo, 23 de Novembro de 2008
A EDUCAÇÃO FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS: PERSPECTIVAS E DESAFIOS

             Márcio Balbino Cavalcante

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Estamos diante de um novo século, com uma nova sociedade, a sociedade da informação, com novo formato de receber e transmitir informação, e de uma busca interminável de conhecimento. As pessoas hoje em dia, têm acesso ao mundo e as suas tradições culturais, com muita mais eficácia e rapidez que ontem. Com a explosão da computação e, conseqüentemente da internet, passou-se a considerar que disponibilizar informação em uma página da Internet seria um processo educativo contínuo e a formação da língua escrita dessa pessoa, estaria sendo realmente transmitida, de forma correta. Será mesmo? E qual seriam realmente as vantagens e desvantagens dessa interferência digital em nossos dias?  As recordações da Educação nos dizem que, educar não é adestrar, nem governar informações para um indivíduo e sim servir como mediador desse processo ...    

             

Acesse o Artigo Completo:

http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=1062



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 02:18
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008
Parque Estadual da Pedra da Boca: ecoturismo e imaginário¹

Por Márcio Balbino Cavalcante

 

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               O Estado da Paraíba conta com uma grande diversidade paisagística e com imensas e variadas riquezas de ordem natural, histórico-cultural e social. Com a finalidade de proteger tais atributos foram criadas vinte e quatro Unidades de Conservação, distribuídas em unidades geoambientais diferenciadas, a maioria predomina-se na mesorregião do litoral paraibano. Estas unidades são divididas em três jurisdições, sendo onze federais, doze estaduais e uma municipal.

A quantidade total de áreas protegidas na Paraíba não atinge sequer 1% da área total do estado. As dificuldades encontradas na implementação dessas áreas versam sobre os moradores que habitam as imediações dos parques e reservas, e a difícil acessibilidade uma vez que se encontram distribuídas em unidades geoambientais diferenciadas e sob condições precárias de preservação do ambiente natural.
O Parque Estadual da Pedra da Boca – PEPB é uma destas áreas de proteção ambiental que mais atrai turistas para o nosso estado. Criado pelo Decreto Governamental Nº 20.889 de 07 de fevereiro de 2000, o PEPB está localizado na porção norte do município de Araruna – PB, situa-se em zona fisiográfica de caatinga no Planalto da Borborema. Sua área de 157,3 hectares está inserida no bioma Caatinga, onde as configurações geológica-geomorfólogicas são ímpares e atrativas para os estudiosos, turistas e visitantes amantes da natureza e dos esportes radicais.
O Parque Estadual da Pedra da Boca possui um conjunto rochoso de grande beleza cênica, de composição granítica porfirídica, com vestígios de gnasses e quartzitos, que possuem faces arredondadas e extensas caneluras que vão do cume ao chão, inserido nos contrafortes da Serra da Confusão.
A denominação Pedra da Boca advém da existência de uma imensa formação rochosa de aproximadamente 336 metros de altura, a qual apresenta uma enorme cavidade provocada pelos agentes endógenos e exógenos, cuja configuração é semelhante a uma boca aberta.
Nas proximidades da Pedra da Boca localizam-se também outras feições geológicas, como a Pedra da Caveira, que recebe este nome por ter um perfil semelhante ao de um crânio humano. Outra atração no PEPB é a Pedra da Santa (Pedra do Letreiro) onde é realizado o turismo religioso, onde todo dia 13 de cada mês recebe fiéis para a tradicional missa ao ar livre, reunindo romeiros, devotos e visitantes de toda a região e de outros Estados.
A criação do Parque Estadual da Pedra da Boca é de fundamental importância para a preservação do ambiente e a conscientização tanto por parte dos turistas, como da população local, para que o turismo possa ser desenvolvido de forma a não agredir a natureza, investindo numa política ambiental pautadas na ótica do desenvolvimento sustentável, na educação ambiental e sustentabilidade do lugar.
            Na realidade, ainda existe uma grande carência na infra-estrutura adequada para receber os turistas e visitantes, num plano de visitação efetivo que respeite o meio ambiente do Parque Estadual da Pedra da Boca, como número de fiscais e vigias insuficientes, ausência de materiais educativos e entre o grande número de turistas e visitantes, há alguns que não têm consciência de que no ecoturismo a educação ambiental é fundamental para o seu progresso e acabam causando impactos ambientais, como a poluição sonora, afetando os animais e as pessoas; acúmulo lixo; sem falar das pessoas que querem deixar suas “marcas” no local para provarem a outras que estiveram ali, chegando a pichar as rochas, inclusive nas pinturas rupestres.                                                                                          
           O Parque Estadual da Pedra da Boca conta com um potencial natural notável para o turismo, em especial o ecoturismo, porém, precisa-se que ações emergenciais sejam colocadas em prática, para assim poder compatibilizar a atividade ecoturística e a preservação da natureza, ambas pautadas no desenvolvimento sustentável, respeitando os limites que a natureza impõe na sua dinâmica natural.
   Para a concretização destes, é de fundamental importância desenvolver medidas que busquem manter e conservar o complexo rochoso da Pedra da Boca, tais como:Investir na implantação de uma infra-estrutura adequada, para que a relação turistas e conservação do ambiente sejam desenvolvidas de forma harmoniosa; Investir na formação de guias preparados para orientar e monitorar o fluxo turístico, ajudando na preservação do lugar; Promover cursos e treinamentos voltados para a preservação e manutenção do meio ambiente local; Desenvolver campanhas educativas em Educação Ambiental e Legislação Ambiental, conscientizando os visitantes, moradores locais e turistas no que se refere ao uso e manutenção da natureza e Desenvolver programas que insiram a comunidade local nas atividades do Parque.
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¹Este texto é parte de pesquisa desenvolvida para fins acadêmicos, no âmbito do Grupo de Pesquisa TERRA - Grupo de Pesquisa Urbana, Rural e Ambiental, Departamento de Geo-História da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB.

 

Acesse outros artigos publicados pelo autor sobre o Parque Estadual da Pedra da Boca:

 

CAVALCANTE, Márcio Balbino ; MARIANO NETO, Belarmino . Reflexões sobre os impactos sócio-ambientais da atividade ecoturística no Parque Estadual da Pedra da Boca, Paraíba. Caminhos da Geografia (UFU. Online), v. 8, p. 46-55, 2007.

http://www.caminhosdegeografia.ig.ufu.br/include/getdoc.php?id=1187&article=430&mode=pdf 

 

CAVALCANTE, Márcio Balbino ; MARIANO NETO, Belarmino . Parque Estadual da Pedra da Boca/PB: um olhar sobre o planejamento do ecoturismo em unidades de conservação na Paraíba. OKARA:Geografia em Debate, v. 1, p. 62-78, 2007. 

http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/okara/article/view/1264 

 

CAVALCANTE, Márcio Balbino . Parque Estadual da Pedra da Boca/PB: um olhar sobre o planejamento do ecoturismo em Unidades de Conservação na Paraíba. Caderno Virtual de Turismo (UFRJ), v. 8, p. 69-80, 2008. 

www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/ojs/include/getdoc.php?id=874&article=283&mode=pdf 

 

CAVALCANTE, Márcio Balbino ; LIMA, Paulo José de . Proposta de Educação Ambiental nas atividades ecoturísticas no Parque Estadual da Pedra da Boca/PB. In: II Encontro Interdisciplinar de Ecoturismo em Unidades de Conservação (EcoUC) e do Congresso Nacional de Ecoturismo (CONECOTUR). Anais da EcoUC. Itatiaia : Phisys, 2007. p. 01-02. www.physis.org.br/ecouc/Resumos/Resumo186.pdf



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 03:15
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
Bullying no ambiente escolar: o que é?

Márcio Balbino Cavalcante¹

                                                                                      

Ver a imagem no tamanho original. Brigas, ofensas, disseminação de comentários maldosos, agressões físicas e psicológicas, repressão. A escola pode ser palco de todos esses comportamentos, transformando a vida escolar de muitos alunos em um verdadeiro terror. A questão da violência na escola é muito discutida atualmente sob o nome de bullying, que é exatamente o uso de práticas violentas, baseadas na força e no pode.
                Estudos indicam que as simples “brincadeirinhas de mau-gosto”, hoje denominadas bullying, podem revelar-se em uma ação muito séria. Causam desde simples problemas de aprendizagem até sérios transtornos de comportamento humano ...
                
Acesse o Artigo Completo:

http://www.meuartigo.brasilescola.com/imprimir/10072/



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 02:43
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008
NO ESCURINHO DA CLASSE - O FILME COMO RECURSO DIDÁTICO NA ESCOLA

Filmes podem ser um ótimo recurso para introduzir ou discutir assuntos geográficos com os alunos

 

Ver a imagem no tamanho original.Quantos de nós, na sala de cinema ou mesmo no sofá de casa, já dissemos na frente de um filme que “é uma aula de geografia”? E há de fato filmes, como "Narradores de Javé", que podem ser uma aula divertidíssima, apresentando para a garotada do 6º ano conceitos complexos como território e lugar, ou "O dia depois de amanhã", que trata do derretimento das geleiras e as mudanças climáticas. Na escola ainda enfrentamos problemas quanto ao uso de filmes em sala de aula. É comum encontrarmos pais, colegas ou até diretores interrogando a nossa hombridade quando exibimos um filme. A idéia do uso do cinema na escola incomoda aqueles que não conseguem pensar nas possibilidades desse recurso didático ...

       

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http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=1100

 

 



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 04:20
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Sábado, 3 de Maio de 2008
A VISÃO DA SOCIEDADE DE CONSUMO NO FILME "ILHA DAS FLORES"

Márcio Balbino Cavalcante

 

Ver a imagem no tamanho original.Acompanhando o destino de um tomate, desde a plantação até ser jogado no lixo, o filme Ilha das Flores, mostra uma região miserável na grande Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Inicialmente, parece uma paródia dos programas didáticos de TV, mas por trás dessa forma, manifesta-se uma força sarcástica que torna o filme extremamente crítico a certas posturas da nossa sociedade capitalista, onde escancara o processo de geração de riqueza e as desigualdades que surgem no meio do caminho.
            Desde o surgimento do homem na Terra e, conseqüentemente, após a descoberta do fogo e do seu desenvolvimento orgânico, como o cérebro desenvolvido, polegar opositor e do seu raciocínio (muitas vezes negativo), ele vem através do uso da técnica e das novas tecnologias ampliando seu domínio sobre a natureza. Assim, teria sido necessidade ou conveniência da vida sedentária que surgiu a cidade e posteriormente a sociedade industrial.
            A partir dessa visão, o filme mostra os reais pilares da sociedade atual (propriedade, plantação, produção, industrialização, venda, dinheiro, lucro), tais palavras que na pratica gera: subordinação, injustiça, problemas sociais (fome, desemprego, insegurança), individualismo, egoísmo, consumismo, “valor material”, poluição em todos os sentidos.
            O filme passa para os telespectadores, a idéia de irracionalidade humana versus a racionalidade dos animais, já que o último participa de cadeia alimentar de forma mais generosa do que seus parentes no mundo animal. Imaginar que seres humanos tratam melhor seus animais domésticos, que seus próprios irmãos humanos (cenas visíveis no filme), já que na Ilha das Flores, os humanos (crianças e mulheres se alimentam da sobras da alimentação dos porcos). Isso me faz lembrar que a capacidade agrícola existente no mundo permite alimentar a doze bilhões de pessoas, isto é, ao dobro da população mundial. Porém esses alimentos estão pessimamente distribuídos. Anualmente se utiliza um quarto da colheita mundial de cereais para alimentar o gado dos países ricos. A quantidade de milho consumida pela metade dos recintos climatizados para gado da Califórnia é maior do que todas as necessidades de um país que passa fome crônica, como o Zâmbia, na África, comprovando a denúncia retratada no filme.                   
            Através dessa discussão, ora regionalista, ora socioambiental, percebemos que o homem precisa desabrochar para o verdadeiro sentido da vida em sociedade, viver em harmonia com sua mãe natureza e com seus irmãos “animais”, procurando corrigir os erros de uma sociedade marcada pelo o individualismo, pela sede econômica, pelo o consumismo, pela descriminação e pela soberania de um(ns) país(es) em relação aos demais, uma relação colonial secular. Porém, talvez essa harmonia tão necessária, seja alcançada tarde demais.
 
Sugestões de atividades  para a sala de aula:
 
1- Numa época marcada por um profundo estímulo a solidariedade por parte de várias ONGs e pelo propósito governamental de extirpar a fome (e atingir em cheio a miséria) em nosso país, que tal entender um pouco mais sobre os mecanismos que produzem as desigualdades sociais? Estimule seus alunos a procurar informações acerca dos bairros pobres de sua cidade, a entrevistar as pessoas que vivem nessas localidades, a buscar a palavra das autoridades locais quanto a esse problema;
2- Outra possibilidade é a de organizar visitas de solidariedade e apoio as famílias carentes da comunidade, bem como promover movimentos ou atividades pedagógicas e/ou culturais, que proporcionem doação de alimentos, levem esses produtos até as pessoas necessitadas da comunidade;
3- Existem autores brasileiros que se especializaram na publicação de artigos e livros que trazem relatos marcantes sobre o tema trabalhado no filme "Ilha das Flores". Selecione artigos e livros e peça aos alunos que leiam e discutam, produzam textos, comparem com o filme.
 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 02:46
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008
A GEOGRAFIA E SUA IMPORTÂNCIA NO CURRÍCULO ESCOLAR DO ENSINO BÁSICO

 Márcio Balbino Cavalcante

 

 

Ver a imagem no tamanho original.O presente texto é uma discussão sobre a seguinte indagação: A Geografia é, poderia ser ou, melhor, deveria ser a mais importante de todas as disciplinas escolares? Essa é uma idéia atípica, que pode parecer estranha diante do que a maioria de nós está acostumada a pensar, pois, infelizmente, o ensino da Geografia na escola ainda é associado a duas idéias principais ...

 

Acesse o Artigo Completo:

http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=711



Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 23:07
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Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007
O CONCEITO DE PÓS-MODERNIDADE NA SOCIEDADE ATUAL
        Márcio Balbino Cavalcante
      O conceito de pós-modernidade tornou-se nos últimos anos, um dos mais discutidos nas questões relativas à arte, à literatura ou à teoria social, mas a noção de pós-modernidade reúne rede de conceitos e modelos de pensamento em “pós”, dentre os quais podemos elencar alguns: sociedade pós-industrial, pós-estruturalismo, pós-fordismo, pós-comunismo, pós-marxismo, pós-hierárquico, pós-liberalismo, pós-imperialismo, pós-urbano, pós-capitalismo. A pós-modernidade coloca-se também em relação com o feminismo, a ecologia, o ambiente, a religião, a planificação, o espaço, o marketing, a administração. Afirma o geógrafo Georges Benko: o “pós” é incontornável! O fim do século XX se conjuga em “pós”. Mal estar ou renovação das ciências, das artes, da filosofia estão em uso.
         As características da pós-modernidade podem ser resumidas em alguns pontos: propensão a se deixar dominar pela imaginação das mídias eletrônicas; colonização do seu universo pelos mercados (econômico, político, cultural e social); celebração do consumo como expressão pessoal; pluralidade cultural; polarização social devido aos distanciamentos acrescidos pelos rendimentos; falências das metanarrativas emancipadoras como aquelas propostas pela Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade.
         A pós-modernidade recobre todos esses fenômenos, conduzindo, em um único e mesmo movimento, à um a lógica cultural que valoriza o relativismo e a (in)diferença, a um conjunto de processos intelectuais flutuantes e indeterminados, á uma configuração de traços sociais que significaria a erupção de um movimento de descontinuidade da condição moderna: mudanças dos sistemas produtivos e crise do trabalho, eclipse da historicidade, crise do individualismo e onipresença da cultura narcisista de massa.
         Em outras palavras: a pós-modernidade tem predomínio do instantâneo, da perda de fronteiras, gerando a idéia de que o mundo está cada vez menor através do avanço da tecnologia. Estamos diante de um mundo virtual, imagem, som e texto em uma velocidade instantânea.
         No campo urbano, a cidade é vendida aos pedaços porque nela há caos, (des)ordem: padrões de diferentes graus de complexidade: o efêmero, o fragmentário, o descontínuo, o caótico predomina.
         Mudam-se valores: é o novo, o fugidio, o efêmero, o fulgaz, o individualismo, que valem. A aceleração transforma o consumo numa rapidez nunca vivenciada: tudo é descartável (desde copos a maridos/ou esposas). A publicidade manipula desejos, promove a sedução, cria novas imagens e signos, eventos como espetáculos, valorizando o que a mídia dá ao transitório da vida.
          As telecomunicações possibilitam imagens vistas em todas as partes do planeta, facilitando a mercadificação de coisas e gostos. A informatização, o computador, o caixa-rápido 24 horas, a telemática são compulsivamente disseminadas. As lutas mudam: agora não é contra o patrão, mas contra a falta deles. Os pobres só dizem presente nos acontecimentos de massa, lugar de deslocamento das energias de revolta.
          Testemunhas da pós-modernidade são o DVD, o CD, o MP3, a clonagem, o implante de órgão, próteses e órgãos artificiais engendram uma geração de seres em estados artificiais que colocam em xeque a originalidade ou naturalidade do humano.
         As invenções tecnológicas decodificadas como o computador, o relógio digital, o telefone celular, as secretarias eletrônicas, o vídeo, os satélites, as Nets redes (sistema http// e www), os códigos de barras, “os cartões magnéticos multicoloridos que alimentam sonhos da era digital”.                                          
         Modelos geram replicantes. As pichações viram grafites. O corpo enxuto é exaltado pela TV e por revistas. Juízos de autoridade ou defesa, na ausência de visão pessoal, são expressos em conceitos opacos como: vanguarda atual, avançado, progressista, elitista, popular, conservador, moderno, pós-moderno. Como o corpo enxuto, a garganta, os pulmões, a glote, os dentes, a língua, as cavidades bucal e nasal devem produzir um único significado num único sentido: ser STAR.
         Os shoppings, os condomínios e novos prédios são cápsulas autônomas de vivência. Tudo é performance: os motoristas transformam-se em pilotos; a voz dos locutores das rádios FM’s é igual em todas as estações. Vale o extraforte, o superdoce, o minúsculo, o gigantesco. Vale o novo; um novo produto mais eficaz, um novo alimento mais saudável; uma nova TV mais interativa. Vale o extra, o super, o superextra, o macro.
         Fantasmas e desvios nos rodeiam: no corpo – a doença (AIDS); na mente – a loucura; na natureza – a catástrofe; na economia – a queda das bolsas; na paixão – a morte; no orgasmo – o desprazer; no computador – o vírus.
         As informações e a preocupação com a saúde da natureza são colocadas em xeque ou em cheque; no Brasil já existe uma nova indústria parecida com a da seca. É a “Indústria do meio ambiente”, recursos destinados à proteção das florestas, dos rios e dos animais são desviados pelo o Poder público, pelas ONG’s e organismos privados.
         As senhas, para entendimento da pós-modernidade, são: a saturação, a sedução, o simulacro, o soft, o light, a globalização, a automação, a fragmentação, o chip. Os modelos são Michael Jackson e Madonna, que qualquer dia destes farão um grande show para ajudar crianças famintas da África; que gravarão um disco, com numerosos colegas, para ajudar os “americanos a salvarem” refugiados de algum país latino-americano. “Ao lado da montagem, colagem, bricolagem, simulação e virtualidade”, muitas vezes combinando tudo isso, a mídia parece priorizar o espetáculo vídeo-clipe. Tanto é assim que guerras (como a do Iraque) e genocídios parecem festivais pop, departamentos do shopping center global, cenas da Disneylândia mundial. Os mais graves e dramáticos acontecimentos da vida de indivíduos e coletividades aparecem, em geral, como um vídeo-clipe eletrônico informático, desterritorializado entretenimento em todo o mundo”.
         Estamos vivendo um momento de fenômenos insólitos. Tudo se passa como se o futuro tivesse se tornado um lugar vazio. O procedimento pós-moderno é antes uma paixão do “tecer das alteridades” enquanto estamos diante da TV, bebendo um refrigerante Coca-cola, mastigando um Mcdonald´s feliz ou experimentando um biscoito Nestlé, sem (des)entendimentos da Nova Ordem Mundial, nova sociedade ou sociedade de consumo.
 
 


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 03:08
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Sábado, 18 de Agosto de 2007
A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NO ENSINO DE GEOGRAFIA
Márcio Balbino Cavalcante
 
 

Uma vez que os temas da Geografia acompanham e fazem parte do cotidiano

 das pessoas, inscrevendo-se nas suas condições de existência, tal fato parece justificar sua popularidade. Não precisamos freqüentar a escola para comungar com a Geografia. Nós a percebemos e a aprendemos por força do nosso próprio cotidiano”.

Ruy Moreira
 
 
       O ato de Ensinar Geografia nos coloca diante de duas importantes discussões: a primeira refere-se à relação ensino e aprendizagem enquanto tal, e a segunda diz respeito à própria Geografia, fonte e objeto de uma gama muito particular de discussões, principalmente no que se refere a seus pressupostos teórico-metodológicos ...
 
Acesse o Artigo Completo:
http://www.jornaldosamigos.com.br/educacao.htm

 
 

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Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 03:44
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A PSICOLOGIA AMBIENTAL E SUA CONEXÃO COM A EDUCAÇÃO AMBIENTAL¹
Márcio Balbino Cavalcante
 
 
RESUMO
Desde o surgimento da espécie humana na Terra, as formas de modificação e apropriação em relação à natureza se intensificaram e ocasionaram diversos impactos ambientais na construção do espaço geográfico. O advento do hábito sedentário levou o homem a desenvolver novas habilidades tecnológicas necessárias a edificações de casas, manejo do solo, o domínio e uso do fogo, produção de tecidos e vestuários; ferramentas de trabalho ...
           
Acesse o Artigo Completo:
http://www.psicopedagogia.com.br/opiniao/opiniao.asp?entrID=617


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 03:07
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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007
GLOBALIZAÇÃO A OLHO NÚ: INQUIETAÇÕES GEOGRÁFICAS
Márcio Balbino Cavalcante²
 
RESUMO
Estamos vivendo o fenômeno da globalização, processo que teve início no século XV, com as grandes navegações, e que se intensificou nessas últimas três décadas do século XX, propiciando a “mundialização” do espaço geográfico, fenômeno que ultrapassa os limites do nacional para atingir a universalização de idéias, valores, padrões e procedimentos, alcançando a esfera econômica, como também o quadro social, político, científico, informacional, cultural e ecológico. Diante deste fenômeno complexo e contraditório, os valores difundidos pela globalização no mundo atual que levam a desigualdade, a dependência e a exclusão de parte da população e dos países menos favorecidos, devem ser analisados dentro de uma ótica crítica diante de tais fatos concretos.
Palavras-chave: Globalização; Sociedade; Pós-modernidade.
 
 
ABSTRACT
We are living the phenomenon of the globalization, process that had beginning in the century XV, with the great navigations, and that he/she intensified on those last three decades of the century XX, propitiating the "mundialização" of the geographical space, phenomenon that crosses the limits of the national to reach the universalization of ideas, values, patterns and procedures, reaching the economical sphere, as well as the picture social, political, scientific, informacional, cultural and ecological. Before this complex and contradictory phenomenon, the spread values for the globalization in the current world that you/they take the inequality, the dependence and the exclusion of part of the population and of the less favored countries, they should be analyzed inside of a critical optics before such concrete facts.  
Words-key: Globalization; Society; Powder-modernity. 
 
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http://www.uniesp.edu.br/revista4/publi-art2.php?codigo=10


Publicado por Profº Márcio Balbino Cavalcante às 03:40
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Domingo, 12 de Agosto de 2007
EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DA ESCOLA À COMUNIDADE¹
 
 
Márcio Balbino Cavalcante; Professor graduado em geografia/UEPB
Filomena Mª G. da Silva Cordeiro Moita, Profª Drª UEPB
 
 
 
 
 
Introdução
 
 
            A natureza é a fonte de todos os recursos que necessitamos para viver. É um patrimônio que possibilita aos seres humanos uma vida saudável. À medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza para a satisfação de necessidades e desejos crescentes, surgem tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos em função da tecnologia disponível, assim, agredindo o meio ambiente estamos iniciando um processo de destruição.
            Nos últimos séculos, um modelo de civilização se impôs, trazendo a industrialização, com sua forma de produção e organização do trabalho levando a necessidade de estimular o consumo. Para dar conta da produção em massa a economia capitalista teve de criar a sociedade de consumo.
            A propaganda entrou de sola para nos convencer de que mais importante do que “ser” é “ter”. Milhares de produtos chegam aos mercados diariamente, dos mais aos menos sofisticados, e num curto período outros produtos são lançados e suas vantagens e superioridades são apresentadas ao mercado.
            Para Scarlato & Pontin (1992,p.52),“Os habitantes da nova sociedade, principalmente aqueles das grandes concentrações urbanas, dispõem de uma gama muito variada de artigos de consumo, para isso, limitam-se a acrescentar pequenas modificações em modelos antigos, que são acondicionados em novas e atraentes embalagens”.
            A obsolescência tecnológica e a vida útil das mercadorias da revolução técnico – científica são quase tão velozes quanto à capacidade de comunicação dos tempos modernos. Com tremenda rapidez somos convidados a substituir artigos “velhos” por “novos”.
O que aconteceu com o meio ambiente
 
            O meio ambiente foi o primeiro a sofrer as conseqüências desta aceleração na produção e no consumo. Mas a sociedade humana, especialmente nas áreas urbanas, vivencia, diariamente, os efeitos do uso abusivo dos recursos naturais, na medida em que a produção e o consumo se aceleram e a produção de lixo se transforma num grande problema.
          Sabemos que vários avanços foram realizados para amenizar os problemas decorrentes do lixo, como a ordenação da deposição do lixo em áreas monitoradas, como os aterros sanitários, mas sua vida útil é curta, se considerarmos a capacidade de produção dos resíduos sólidos pela sociedade moderna. Além disso, o lixo produzido é recurso jogado, literalmente, fora, árvores derrubadas, minérios extraídos do subsolo, alimentos desperdiçados.
            O processo de decomposição da matéria orgânica tem início em poucas horas e os inorgânicos levarão até séculos para serem absorvidos pela a natureza.
            Parece-nos que uma solução bastante razoável, a partir da qual se leva em conta, ao menos, a redução do uso de recursos naturais e os problemas relativos ao destino do lixo, são a seleção e reaproveitamento de materiais.
            Em várias partes do mundo e em algumas localidades do Brasil a coleta seletiva é uma realidade. Com ela dá-se a determinados materiais um destino mais proveitoso e ecologicamente correto, a reciclagem, considerada a mais adequada, por razões ecológicas e econômicas (SCARLATO & PONTIN, 1992, p.58).
            O aproveitamento de latinhas de alumínio é conhecido por todos nós, muito embora a situação de pobreza de nossa população obrigue um enorme contingente de pessoas, inclusive crianças, a catá-las em condições inadequadas. Há também, projetos para o reaproveitamento de papel, embalagens pet, dentre outros que gradualmente ganham espaços na mídia e se difundem entre a população.
Segundo dados do IBGE (2000), 70% do lixo são destinados aos lixões e alagados, 20% são lançados diretamente nas vias públicas e apenas 5% são selecionados. Assim, 90% do lixo que é jogado não recebem tratamento adequado nos lixões.
            Considerado como uma forma mais antiga de disposição do lixo, o lixão se constitui a maneira mais usada no mundo e no Brasil, e vem trazendo cada vez mais inúmeros problemas ao meio ambiente entre eles o surgimento de maus odores e, principalmente a poluição do solo, das águas superficiais e subterrâneas através do chorume[1], além da proliferação de doenças através de vetores como: as moscas, mosquitos, baratas, ratos etc. que acarretam vários problemas à saúde da população.
 
A importância da Educação Ambiental
 
            Desde a Cúpula da Terra, realizada há dez anos no Rio de Janeiro, que a preocupação de escala internacional sobre a Educação Ambiental vem-se acentuando. Entidades ambientalistas profissionalizam-se, organizam-se e têm-se mostrado instituições com grande responsabilidade na preservação do planeta. No entanto tudo isso ainda é pouco. Apenas uma progressiva conscientização sobre a questão ambiental, uma mudança de mentalidade, aliada á busca de novas tecnologias, pode levar-nos a preservar o lugar em que vivemos. Diante dessa realidade, a Educação Ambiental vem sendo considerada cada vez mais urgente e de grande relevância para a sociedade atual. Preservação, conservação, desenvolvimento sustentável, qualidade de vida, são conceitos que devem fazer parte do nosso cotidiano.
 
A educação ambiental surge como objetivo de suprir uma necessidade de ação, entre missionária e utópica, destinada a reformular comportamentos humanos e recriar valores perdidos ou jamais alcançados (AB’SABER, 2000).
  
 
          Acreditamos que somente quando o cidadão se incluir e perceber seu espaço vivido na tão debatida questão ambiental é que começará a agir mais adequadamente. Neste caso, a escola tem grande contribuição a dar na construção da consciência ambiental, preparando futuros cidadãos a perceber este espaço e atuar sobre ele de forma mais consciente.                    
            Além disso, a criança e o jovem que estão na escola funcionam como agentes multiplicadores de atitudes, por assim dizer, ecologicamente correta. A escola deve funcionar como “laboratório” onde se pode sempre experimentar. A Educação Ambiental é necessária para alcançar tal objetivo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, estabelece:
 
A educação ambiental será considerada na concepção dos conteúdos curriculares nacionais de todos os níveis de ensino (...) implicará desenvolvimento de hábitos e atitudes sadias de conservação ambiental e respeito à natureza a partir do cotidiano a vida escolar e da sociedade.
  
         Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s (Meio Ambiente/Saúde), de 1997, estabelece:
O trabalho de educação ambiental deve ser considerado a fim de ajudar os alunos a construírem uma consciência global das questões relativas ao meio para que possam assumir posições afinadas com os valores referentes à sua proteção e melhoria.
 
            Partindo destes pressupostos, o presente trabalho teve objetivo esclarecer, conscientizar e ensinar alunos (crianças, jovens e adultos) das Escolas públicas e privadas do município de Passa e Fica – RN, localizado na Mesorregião do Agreste Potiguar, sobre a necessidade de preservação, conservação e manutenção do meio ambiente livre dos resíduos sólidos produzidos pela sociedade e posteriormente, adotar um sistema de coleta seletiva de quatro materiais recicláveis: Lata de alumínio, plástico, papel e vidro, como também buscar medidas adequadas e soluções para o lixo orgânico provenientes do resto de alimentos.
 
Fazendo e refletindo Educação Ambiental no município de Passa e Fica - RN
 
            O projeto foi realizado em duas etapas. Primeiramente, aconteceram à fase do planejamento, pesquisa bibliográfica, e reuniões com a equipe docente das escolas participantes. Ao longo das reuniões, aconteceram a elaboração do material informativo, visitas “in loco” ao lixão da cidade, capacitação dos professores, reavaliação das unidades didáticas, metodologias de trabalho dentro e fora da sala de aula, entre outras atividades.
            A capacitação dos professores ocorreu no período de 03 de março a 21 de abril de 2002, totalizando cinco encontros, com periodicidade quinzenal, aos domingos, com carga horária total de 20 horas-aulas (4 horas – conceitual e 16 horas – atividades práticas), onde foram realizadas palestras, gincanas, desenvolvimentos de atividades, que posteriormente seriam realizadas com os alunos.
            Na segunda etapa, aconteceram as atividades dentro e fora da sala de aula, foram trabalhadas por todo o corpo docente das escolas participantes e concentradas no período de três meses. Nesse período, foram realizadas visitas “in loco” ao depósito de lixo da cidade, onde os alunos e professores observaram a deposição dos resíduos sólidos e seus possíveis impactos ao ambiente local. Foram feitas também, visitas domiciliares com os alunos com o propósito de sensibilizar e divulgar o projeto através da distribuição de folhetos informativos sobre a importância da coleta seletiva e orientações à sociedade para separar corretamente os materiais recicláveis.
 
Resultados preliminares
 
            Ao término deste trabalho, evidenciaram-se comprometimento e mudanças de atitudes e comportamentos por parte dos alunos e do corpo docente, exemplos efetivos de cidadãos comprometidos com um ambiente saudável.
            É preciso ainda, que a sociedade reivindique junto ao poder público, responsável pela limpeza pública municipal, soluções que possam amenizar e/ou solucionar a problemática do lixo, através de projetos de Educação Ambiental, oficinas e cursos voltados para a capacitação e aperfeiçoamento na área.
            Ao fim dessas considerações, pode-se concluir que a formação da consciência ambiental de nossa juventude e o desenvolvimento do exercício de sua cidadania passa pela transformação da “escola informadora” em “escola formadora”. Esta será capaz de construir uma consciência ambiental efetiva. Este é o desafio que o início do século XXI coloca para a Escola enquanto “espaço” de exercício de cidadania.
 
Bibliografia
 
AB`SABER, Aziz. (Re)conceituando Educação Ambiental. Rio de Janeiro: Museu de Astronomia e Ciências Afins, 2000.
BRANCO, Samuel Murgel. O Meio Ambiente em Debate. São Paulo: Moderna, 1998.
BRASIL/SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais: História/Geografia. Vol. 05. Brasília: MEC/SEF, 1997.
BRASIL/SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente/Saúde. 1ª a 4ª séries. Brasília: MEC/SEF, 1998.
BRASIL/SEF. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei Nº 9.394 de 20/12/1996). Brasília: MEC/SEF, 1996. 
CASTROGIOVANNI, A. C. (org). Geografia em sala de aula - práticas e reflexões. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS/AGB, 2001.
CAVALCANTE, Márcio Balbino. Educação Ambiental: Uma alternativa para a sustentabilidade. In: IV Semana de Geo-História, 2002. Guarabira: CH/UEPB, 2002.
DIAS, G. F.  Educação Ambiental. Princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2003.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2004. (Coleção Leitura)
IBGE – Censo Demográfico, 2000. Disponível em: <http//www/ibge.gov.br>. Acesso em 03/01/2002.
Revista Meio Ambiente Industrial. São Paulo: [s.e.], 2000.
SCARLATO, Francisco Capuano; PONTIN, Joel Arnaldo. Do Nicho ao Lixo. Ambiente, Sociedade e Educação. São Paulo: Atual, 1992.
_________________________________________
 
[1]Líquido escuro e ácido, que contém elevada concentração de metais pesados resultante do processo de decomposição do lixo, que infiltra no solo e acaba por alterar sua composição química, contaminando as águas superficiais e subterrâneas (SCARLATO; PONTIN, 1992, P.56).
 
¹ Trabalho apresentado no I Congresso Brasileiro de Extensão Universitária - I CBEU, João Pessoa/PB, 2002. 


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